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Pododermatite asseptica Equina (Laminite)

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Pododermatite asséptica equina 
 
Sem dúvidas um dos assuntos mais pesquisados hoje na medicina Equina. Neste breve 
resumo irei expor algumas situações em que pode levar o desenvolvimento dessa 
doença nos equinos. 
A Laminite é uma doença que acomete os pés dos cavalos. Com maior frequência os 
membros traseiros são os mais acometidos, isso pode estar atrelado ao peso do animal 
sustentado por esta parte do corpo, mas não é regra, qualquer um dos membros pode ser 
acometido inclusive mais de um membro e menos comum os quatro membros, mesmo 
que em graus variáveis. 
A laminite pode ser definida também como um transtorno metabólico sistêmico, que 
pode envolver o sistema cardiocirculatório, renal, endócrino, equilíbrio ácido-base, 
hidroeletrolítico e alteração nos fatores de coagulação que manifesta-se portanto nos 
cascos dos cavalos. 
As principais causas de laminite em equinos pode ser verificada pelas seguintes causas: 
Alimentar: Com a domesticação dos equinos, a sua alimentação natural deixou de ser 
praticada. Desta forma os humanos passou a interferir diretamente no habito alimentar 
desses animais. Hoje em dia a alimentação pode ser oferecida com maior valor 
nutritivo, ricas e proteínas e carboidratos. O concentrados fornecidos, se ingeridos em 
grandes quantidades, podem provocar alterações na microflora cecal e alterar o pH. A 
transformação dos carboidratos em ácido lático no ceco desses animais pela microbiota, 
provoca uma acidificação do meio e proliferação de bacterias lácteas (Lactobacilos, 
Estreptococcus) e morte de bactérias gram negativas. 
A morte das bacterias gram negativas gera um quadro grave de absorção intestinal de 
endotoxinas bacterianas (lipopolissacarídeos vasoativos) que por sua vez ganham a 
corrente sanguínea. Essas toxinas provoca uma resposta adrenérgica nos músculos lisos 
endoteliais que revestem os vasos sanguíneos provocando uma vasoconstricção 
periférica. 
Os cascos dos equinos são irrigados por uma trama de vasos e capilares que sofrem um 
processo isquêmico severo devido essa vasoconstrição em resposta as endotoxinas 
liberadas pela morte das bactérias do ceco desse animal. Instala-se então um quadro de 
hipóxia no tecido coronariano e morte celular. O aumento da pressão sanguínea 
sistêmica provoca a abertura dos "Shunts" arteriovenosos e o sangue que iria irrigar a 
lâmina coronariana pelos capilares, é desviado e o tecido sofre um processo de necrose. 
 
Exemplo de um Shunt arteriovenoso 
Infecciosas: Éguas que apresentam um quadro de retenção placentária, endometrite, 
doenças infecciosas sistêmicas, pneumonias, também podem apresentar graves quadros 
de laminite. A fisiologia da laminite por ação infecciosa segue o mesmo raciocínio da 
alimentar. As endotoxinas liberadas na corrente sanguínea provoca vaconstricção 
periférica e consequente necroce celular no casco. 
Traumática: Geralmente animais que são treinados de forma incorreta pode apresentar 
casos de laminite. Isso corre por causa de fraturas ou machucados nos cascos que força 
o animal a colocar seu peso no membro contralateral para aliviar a dor. Essa sobrecarga 
leva a um quadro de laminite devido a intensa fadiga de apoio. 
Mistas: Deve-se atentar a possibilidade de desequillbrios hormonais, alterações tróficas 
da falange distal, uso prolongado de doses excessivas de corticosteróide e derivados da 
fenilbutazona e animais com hipertensão digital. 
Animais com laminite pode apresentar os seguintes sinais clínicos sistêmicos: 
Alterações cardiocirculatórias, com aumento no TPC (tempo de preenchimento de 
capilar) acidose metabolica, hipertensão e hemograma com características de estresse. 
Ocorre a liberação das catecolaminas pelo estresse, aumento no cortisol, testosterona 
(resposta adrenal), aumento da renina plasmática e redução de hormônios da tireóide. 
Os rins podem sofrer um processo de glomerulonefrite ou insuficiência renal aguda por 
causa da hipovolemia promovida pela vasodilatação e sequestro de liquidos para luz 
intestinal ou então devido a uso indiscriminado de AINES. 
Os padrões de comportamento locomotor do cavalo com laminite 
na fase aguda podem ser cassificados em 4 graus e refletem a gravidade dos fenômenos 
decorrentes das alterações na microvasculatura do pé. Com base nos estudos de OBEL 
(1948), os graus são: 
Grau I: Claudicação não evidente ao passo, mas perceptível no trote. 
Grau II: Claudicacção notada ao passo e óbvia no trote. 
Grau III: Claudicação perceptível no passo e no trote. 
Grau IV: Presença de um membro sem apoio. 
Concomitante os animais com claudicação apresenta sinais sistêmicos como mucosas 
congestas, TPC acima de 2 segundos, cascos quentes, sensível a percussão e pressão. 
Pulso das artérias digitais cheias e forte desde os início dos sinais. 
Os sinais sistêmicos são determinados por ação das endotoxinas, acidose metabolica e 
dor. A instalação da vasoconstrição periférica pode ocorrer em torno de 12 a 24 horas e 
abertura dos shunts arteriovenosos que promovem uma necrose isquêmica do casco. 
Essa necrose pode atingir total ou parcial a banda coronária com drenagem de liquido 
serosanguinolento podendo servir de entrada para microorganismos e transformar a 
lesão que antes era asséptica em séptica. 
Ocasionalmente imediatamente antes da caracterização da fase crônica da laminite, 
pode ocorrer uma exungulação precoce do casco ou então o abaixamento da falange 
distal com a condenação do animal a eutanásia. 
Em casos graves de laminite a rotação da falange distal pode ocorrer em até dois dias 
após a instalação do quadro agudo da doença tornando o tratamento mais trabalhoso e 
prolongado. 
Os casos crônicos de laminite advém do não tratamento da laminite, tratamento tardio 
ou falha no tratamento na sua fase aguda. A necrose isquêmica instalada provoca o 
rebaixamento da falange distal. A ação dos tendões flexores digital comum, compressão 
da sola no sentido ventro-dorsal e tração do tendão flexor digital profundo altera a 
relação do paralelismo entre a falange distal e a muralha do casco. 
 
O valor da rotação da falange distal determina o grau de comprometimento dos vasos 
circunflexos e da coroa do casco, provocando deformidades do estojo córneo, 
provocando a convexidade da sola, crescimento dos talões, concavidade da face cranial 
da muralha (sapato chinês) e formação de anéis transversais. 
 
A fase crônica da laminite pode ser classifica em graus: 
 Grau I: Presença de dor sem evidencia de comprometimento da locomoção; 
Grau II: Redução da dor com comprometimento evidente da locomoção; 
Grau III: Redução da dor com comprometimento evidente da locomoção e sem indícios 
de infecção podal; 
Grau IV: Comprometimento da locomoção e evidencia de infecção podal sem 
manifestação patente da dor; 
Grau V: Presença de dor, dificuldade de locomoção, infecção e decúbito prolongado; 
 
 
 
 
Rotação de Falange distal 
 
 
O tratamento exige do médico veterinário a sinceridade e esclarecimento ao proprietário 
e ao serviço de enfermaria a severidade do caso e dificuldade e a onerosidade do 
tratamento. 
A instituição do tratamento deve ser feita o mais rápido possível, tendo melhores efeitos 
e instituída nas primeiras 12 horas ou durante a fase de desenvolvimento nos casos de 
retenção se placenta, metrite, sobrecarga por grãos, pós operatórios de cólicas ou 
qualquer outra enfermidade predisponente a laminite. 
Sugestão de tratamento: 
O tratamento consiste na forma de descongestionar o aporte sanguíneo da rede de 
capilares que irrigam o casco. Para isso toda causa primaria deve ser imediatamente 
tratada. 
Utilização de duchas frias dos pés até a altura dos joelhostem se tornado eficazes. 
Mergulha-se os membros desses animais em pedilúvios contendo agua e muito gelo, 
três vezes ao dia por no mínimo 15 minutos promove ação descongestionante e 
antiinflamatória e proporciona conforto aos animais. 
A aplicação de hipotensores como a Acepromazina na dose de 40mg/kg IM ou IV 
durante 24 a 72h auxilia na diminuição da pressão sanguínea e evita a formaão dos 
shunts arteriovenosos ou então a utilização de Fenoxibenzamina na dose de 2 mg/kg 
divididas em 2 doses a cada duas horas. 
Para manter a hipotensão, utiliza-se a Isoxossuprina na dose de 0,6 a 0,9 mg/kg duas 
vezes ao dia ate a remissão dos sinais clínicos. 
A utilização de antinflamatórios não esteroidais obejtiva a eliminação da dor e 
inflamação. pode-se utilizar a Fenilbutazona na dose de 4,4mg/kg 2 vezes ao dia no 
primeiro dia. no segundo dia, administrar a metade da dose 2,2mg/kg duas vezes ao dia, 
e no terceiro dia administrar a dose de 2,2mg/kg uma vez ao dia, sendo necessário o 
acompanhamento desse animal por conta dos distúrbios gástricos que podem ser 
acometidos. 
A utilização do flunixim meglumine possui efeitos melhores que a fenilbutazona, 
utilizado an dose de 1,1mg/kg três vezes ao dia no primeiro dia e 2 vezes ao dia durante 
5 a 7 dias consecutivos. Alem de apresentar excelente ação analgésica e antiinflamatória 
em equinos, possui efeito antiprostaglandina. 
Em casos de laminite causada por excessiva ingestão de grãos, utiliza-se o flunixim 
meglumine na dose endotoxêmica de 0,25mg/kg duas a tres vezes ao dia. Utilizar a 
administração oral via sonda nasogástrica 2 a 4 litros de vaselina liquida ou óleo 
mineral para promover a remoção do conteúdo intestinal e evitar a absorção das toxinas 
vasoativas. 
Para evitar a agregação plaquetária e formação de microtrombos utiliza-se 
anticoagulantes como a hjeparina na dose de 40 a 100UI/kg pela via subcutânea 4 vezes 
ao dia. 
O DMSO (dimetilsulfoxido) possui ação farmacológica antiinflamatória, anti agregador 
plaquetário, e analgésico e ainda auxilia na perfusão dos fármacos, Esse medicamento 
pode ser utilizado em torno de 0,1 a 1,0g/kg diluído em 60ml de glicose administrado 
pela via intravenosa 2 a 3 vezes ao dia. 
Além do procedimentos medicamentosos e fisicos (pedilúvios e duchas frias) é 
necessário promover uma melhor perfusão sanguínea dos cascos com a realização de 
exercícios leves em terrenos macios ou arenosos. Utilizaçção de palmilhas de apoio na 
ranilha ou gessamento dos cascos tanto an fase aguda como na fase crônica. 
 Se o animal estiver com a ferradura, esta deve ser afrouxada nas primeiras 24h e 
posteriormente retirada, não retirar bruscamente. 
Manter o animal em piquete com boa cobertura verde, e não fornecer concentrado, se o 
motivo da laminite for sobrecarga por grãos. 
O concentrado deve ser utilizado se o animal apresentar emagrecimento em torno de 
0,5% do peso do cavalo dividido em duas refeições para veiculação de suplementos 
como biotina e metionina responsáveis para auxiliar no crescimento do tecido córneo. 
Além do tratamento para a fase a guda e crônica da laminite, o casqueamento é uma 
parte importante da terapeutica do animal. Com a utilização de um podogoniômetro 
realiza a amedicção do grau de rotação da falange e com base na evolução realiza o 
casqueamento ate atinger a angulação normal de 45 a 47º nos membros anteriores e 50 a 
55 nos membros traseiros. 
A utilização de ferraduras na forma de coração, sejam elas fixas ou ajustáveis, auxiliam 
na sustentação da ranilha amenizam a dor causada pela compressão da falange distal 
sobre o plexo solear, vasos cincunflexos e corium coronário, melhorando 
substancialmente a possibilidade de recuperação do cavalo. 
 
Resumo: Rosivaldo Delfino 
Referências: 
Thomassian, Armen Enfermidades dos Cavalos, - 4ª Ed. 2005

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