A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
11 pág.
CIRROSE HEPÁTICA

Pré-visualização | Página 1 de 5

01 - Compreender a Cirrose Hepática;
a) Definição;
A cirrose hepática é uma lesão crónica do fígado, consequente de todas as doenças hepáticas crónicas e ocorre por um processo difuso, caracterizado por fibrose tecidual e pela conversão da arquitetura normal em nódulos estruturalmente anormais, sendo tradicionalmente considerada como uma lesão irreversível, muito embora estudos recentes questionem a sua irreversibilidade. Altera as funções das células hepáticas e dos sistemas e canais biliares e sanguíneos. O que leva ao não desempenho de suas funções normais como produzir bile, manutenção dos níveis normais de açúcar no sangue, produção de proteínas, metabolismo do colesterol, álcool e alguns medicamentos.
b) Epidemiologia;
Acomete mais homens acima dos 45 anos e mulheres sem idade prévia. Segundo Portugal (2014) nos últimos anos o número de portadores da doença cresceu consideravelmente devido ao uso abusivo de álcool. 
c) Etiologia;
· Doença hepática alcoólica:  A cirrose hepática alcoólica geralmente se desenvolve depois de mais de uma década de etilismo pesado. A quantidade de álcool que pode danificar o fígado varia muito de pessoa para pessoa. Ingestão de quantidade diária superior a 80 g de etanol para os homens e 60 g para as mulheres.
· Hepatite crônica C:  infecção por este vírus causa inflamação e danos de forma lentamente progressiva ao fígado. 
· Hepatites crônicas B e D:  É frequente principalmente no Oriente. 
· Hepatite autoimune: Este tipo de hepatite é causado por problemas no sistema imune. 
· Doenças herdadas: Deficiência de alfa-1 antitripsina, hemocromatose, doença de Wilson, galactosemia e doenças do armazenamento do glicogênio estão entre as doenças herdadas.
· Esteato-hepatite não alcoólica: acúmulo de gorduras no fígado. Este tipo de hepatite parece estar associado com diabetes, obesidade e excesso de colesterol no sangue, entre outras condições. 
· Obstrução dos ductos biliares:  Em bebês, esta obstrução é mais comumente causada por atresia biliar, uma doença na qual os ductos biliares estão ausentes ou danificados. Em adultos, a causa mais frequente é a cirrose biliar primária, uma doença na qual os ductos se tornam inflamados, bloqueados e fibrosados. A cirrose biliar secundária pode acontecer depois de uma cirurgia de vesícula biliar, se os ductos forem inadvertidamente lesados. 
· Drogas, toxinas, e infecções: metotrexato, isoniazida, oxifenisatina e alfametildopa.
d) Fatores de Risco;
Homens acima de 55 anos, mulheres jovens e meia idade, história familiar, consumo de álcool homens (60-80g/dia por 10 anos), mulheres 40-60. Antecedentes de hepatite, uso de drogas endovenosas, icterícia.
e) Fisiopatologia;
FISIOPATOGENIA: fibrose difusa, nódulos regenerativos, arquitetura lobular alterada e estabelecimento de derivações vasculares intra-hepáticas. Outras características relevantes são capilarização dos sinusoides e fibrose perissinusoidal, trombose vascular e lesões obliterativas no trato portal e veias hepáticas. Juntas, essas alterações são responsáveis pelo desenvolvimento de hipertensão portal e suas complicações.
FIBROSE HEPÁTICA E FIBROGÊNESE: A fibrose representa o acúmulo relativo e absoluto dos componentes da matriz extracelular, em detrimento do componente celular. Esse acúmulo de tecido conjuntivo no fígado decorre de uma maior síntese e/ ou menor degradação desses componentes. Os mecanismos que determinam a reparação do tecido ou sua progressão para a fibrose são mediados pelas citocinas decorrentes da necrose e da inflamação local, liberadas pelos linfócitos e monócitos/macrófagos, que podem efetivamente estimular ou inibir a proliferação, a síntese proteica e a movimentação das células responsáveis pela síntese do tecido fibroso (fibrogênese) e de sua degradação (fibrólise). Dentre os fatores citados, encontram-se o TGF-beta 1 (fator transformador do crescimento), o TNF (fator de necrose tumoral), as interleucinas, a fibronectina, o fator de crescimento plaquetário, sendo que destes o TGF-beta 1 parece o principal mediador da fibrogênese. As células efetoras do processo são os miofibroblastos que regulam tanto a fbrogênese como a fbrólise. Esses miofbroblastos são originados primariamente pela ativação das células estreladas dos sinusoides ou dos fbroblastos portais, das células derivadas da medula óssea e também da transição epitelial mesenquimal. Além de sintetizar as proteínas da matriz extracelular, as células estreladas estão diretamente associadas à degradação da matriz. Essa fbrólise depende da ativação das enzimas metaloproteases, como as colagenases. A atividade dessas enzimas é regulada por um sistema em que a ação das substâncias ativadoras das prometaloproteases (como o inibidor da C1-esterase e o PAI-1 – inibidor da ativação do plasminogênio) é contrabalanceada pela ação de substâncias que poderiam inibir sua liberação ou bloquear diretamente sua atividade, como o TIMPs (inibidor tecidual das metaloproteases) e a alfa-2 macroglobulina. Metaloproteases e TIMPs seriam produzidas pelas células estreladas sob a regulação de citocinas infamatórias e também pelos macrófagos hepáticos, ou seja, as células de Kupfer, por intermédio da liberação de metaloproteases e citocinas anti-infamatórias, principalmente a IL-10.10,11 Dessa maneira, no caso de uma lesão hepática crônica, a progressão para a fbrose hepática ou para a reparação do tecido dependerá do tipo de estímulo desencadeado pela lesão e da genética do indivíduo. Outros mecanismos fbrogênicos, além daquele mediado pelas citocinas, também podem ocorrer. Vários estudos têm concordado sobre o papel do sistema de estresse oxidativo (EOx) hepático e da reduzida produção do oxido nítrico (ON), potente agente vasodilatador, na circulação porto-esplênica. Ambos teriam participação direta no processo fbrogênico, bem como na disfunção endotelial hepática que acompanha a progressão da doença até o estabelecimento da cirrose e da hipertensão portal (HP).12,13 A ativação do sistema de EOx resulta, em última instância, na produção de espécies reativas de oxigênio, que culminam com a destruição e necrose celular por meio da peroxidação lipídica. Os produtos dessa lipoperoxidação, (especialmente malonaldeído, 4-hidroxinoneal e SOD) apresentam elevado potencial fbrogênico, por meio da estimulação direta das células estreladas. A lipoperoxidação só ocorrerá na dependência de uma “falha” no sistema antioxidante hepático, representado principalmente pelo sistema da glutationa, além de licopenos, betacarotenos e vitaminas E e C, que atuariam como aceptores dos radicais livres, impedindo a lipoperoxidação. A redução na biodisponibilidade do ON está diretamente relacionada com a atividade aumentada desse sistema pró-oxidativo, uma vez que o ON que se liga ao superóxido dismutase (SOD) é capaz de modular a produção do peroxinitrito (ONOO- ), um potente agente oxidante com fundamental papel na lesão oxidativa hepática.14,15 A participação dos radicais livres e da lipoperoxidação tem sido amplamente documentada na lesão hepática alcoólica, na hepatite crônica C, na doença hepática gordurosa não alcoólica, na hemocromatose primária, entre outras.16 Por outro lado, as alterações da matriz extracelular determinadas pela fbrose auxiliam a perpetuar o processo fbrótico. Os componentes da matriz extracelular, os colágenos, proteoglicanos e as glicoproteínas encontram-se em concentração elevada no tecido hepático, seja nos septos fbrosos, seja na fbrose intersticial, e podem interferir no processo fbrogênico, atuando como mediadores desse processo. Outras áreas maiores do desenvolvimento no processo fbrogênico hepático incluem o papel da microbiota intestinal17 e da hipóxia tecidual,18 com o estabelecimento de um microambiente anaeróbico pró-infamatório, além da infuência das modifcações epigenéticas na progressão da fbrose.19 Estudos nessas áreas estão em desenvolvimento e podem contribuir com o melhor conhecimento da fsiopatogenia envolvida na progressão da hepatopatia para cirrose hepática, podendo refetir futuramente

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.