Atualização Proc Penal Esq-Avena-3-4ed
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pela Constituição, a garantia jurídico-institucional da imunidade parlamentar formal não 
obsta, observado o due process of law, a execução de penas privativas da liberdade definitivamente impostas ao membro do 
Terceiro:  A  imunidade  in  examen  não  é  restrita  à  esfera  penal,  abrangendo, 
igualmente,  a  hipótese  de  prisão  civil  do  inadimplente  em  relação  à  obrigação 
alimentícia4. Quanto à prisão civil do depositário  infiel, em que pese referida no art. 5.º, 
LXVII, da CF, encontra\u2010se prejudicada em razão da aprovação, pelo Plenário do Supremo 
Tribunal Federal, em 16.12.2009, da Súmula Vinculante 25, dispondo que \u201cé ilícita a prisão 
civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito\u201d.  
Quarto: De acordo com o entendimento do Excelso Pretório, em  face da  imunidade 
consagrada  no  art.  53,  §  2.º,  da  CF,  os  parlamentares  não  podem  ser  conduzidos 
coercitivamente para depor perante a autoridade policial ou perante o Poder  Judiciário. 
Neste sentido: \u201cO membro do Congresso Nacional, quando ostentar a condição formal de 
indiciado ou de réu, não poderá sofrer condução coercitiva, se deixar de comparecer ao 
ato de seu  interrogatório, pois essa medida restritiva, que  lhe afeta o status  libertatis, é 
vedada pela cláusula constitucional que assegura, aos parlamentares, o estado de relativa 
incoercibilidade pessoal (CF, art. 53, § 2.º, primeira parte)5\u20106\u201d. 
 
 
P. 143 \u2013 Substituir o item b, ao término do capítulo 3.2.1.1, pelo que segue: 
 
b) O réu foi citado por edital: Incide o art. 366 do CPP, estabelecendo que se \u201co acusado, 
citado  por  edital,  não  comparecer,  nem  constituir  advogado,  ficarão  suspensos  o 
processo  e  o  curso  do  prazo  prescricional,  podendo  o  juiz  determinar  a  produção 
antecipada  das  provas  consideradas  urgentes  e,  se  for  o  caso,  decretar  a  prisão 
preventiva, nos termos do disposto no art. 312\u201d. Certo que o art. 282, § 6.º, do CPP, 
alterado pela Lei 12.403/2011, condiciona o cabimento da prisão preventiva a que não 
seja possível a sua substituição por outra medida cautelar diversa da prisão dentre as 
arroladas no art. 319 do mesmo diploma. Contudo, é preciso ter em mente que, se foi o 
acusado  citado por edital, é porque esgotadas  todas as diligências possíveis para  sua 
localização  pessoal. Ora,  tal  circunstância,  até  que  seja  localizado  o  réu,  inviabiliza  a 
aplicação de qualquer outra medida  cautelar alternativa e,  se presentes os  requisitos 
legais, pode conduzir à decretação da prisão preventiva do acusado. Observe\u2010se que ao 
referirmos  a  ineficácia  da  aplicação  dos  provimentos  cautelares  do  art.  319  do  CPP 
enquanto  não  for  localizado  o  réu,  não  estamos  afirmando  a  obrigatoriedade  da 
custódia  cautelar,  pois  a  sua  imposição  condiciona\u2010se,  sempre,  à  analise  das 
peculiaridades do caso concreto7. 
 
 
P. 143 \u2013 Inserir o modelo abaixo ao final do capítulo 3.2.1.1: 
 
Congresso Nacional. Precedente: RTJ 70/607\u201d (STF, Inq. 510-0/142/DF, j. 11.02.1991). 
 
4 Quando referimos, neste quarto tópico, que a imunidade processual relativa ao direito de não ser preso o parlamentar não se 
restringe à esfera penal, alcançando também as formas de prisão civil, não estamos contradizendo a afirmação inserida na 
introdução deste item 2.4.2.2 no sentido de que tal ordem de imunidade não incide sobre processos de natureza civil. Enfim, o que 
se está afirmando é que, conquanto as prerrogativas processuais não obstam o congressista de responder a processos de natureza 
civil, impedem que ele sofra uma prisão de ordem civil. 
 
5 Remissão à redação do art. 53 da CF anterior à EC 35/2001, hoje correspondente ao art. 53, § 2.º. 
 
6 Inq. 1.504/DF, j. 17.06.1999. 
 
7 \u201cA disposição contida no 366 do Código de Processo penal, acerca da prisão preventiva, não enseja hipótese de custódia cautelar 
obrigatória, tendo em vista a remissão aos requisitos contidos no art. 312 do mesmo estatuto. Assim, a decisão que a decreta, quando o 
réu se mostra revel, também deve fazer menção à situação concreta em que a liberdade do paciente evidenciaria risco à garantia da 
ordem pública, da ordem econômica, à conveniência da instrução criminal ou à aplicação da lei penal.\u201d (STJ, HC 128.356/MG, 5.ª 
Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, DJ 09.09.2011). 
 
 
Exemplo de decisão  judicial deferitória da prisão preventiva na hipótese do art. 366 do 
CPP: 
 
Trata\u2010se  de  processo  criminal  ajuizado  pelo  Ministério  Público  contra  João  de  Tal,  por 
incurso no art. 157 do Código Penal. 
Recebida a denúncia, logrou o juízo determinar a suspensão do processo criminal na forma 
do art. 366 do CPP, pois o acusado, citado por edital, não  se  fez presente nos autos e nem 
constituiu defensor. 
Diante dessa constatação, faz\u2010se necessária a decretação da sua prisão preventiva, eis que 
presentes os pressupostos autorizadores dessa medida, a saber: 
1) Existência  do  crime  e  indícios  suficientes  de  autoria,  pois  do  contrário  a  denúncia 
sequer teria sido recebida. Tais elementos encontram\u2010se claramente demonstrados a 
partir da prova oral incorporada ao inquérito policial, bem como do auto de exame de 
corpo de delito realizado na vítima. (A decisão deve mencionar o teor dos depoimentos 
nos quais se fundamenta). 
2) A  hipótese  é  de  crime  doloso  \u2013  roubo  \u2013  punido  com  pena  privativa  de  liberdade 
máxima superior a 4 (quatro) anos, atendendo\u2010se, destarte, ao que dispõe o art. 313, I, 
do CPP, com a alteração da Lei 12.403/2011.  
3) A  não  localização  do  acusado,  em  que  pese  tivesse  conhecimento  da  apuração  do 
crime, pois ouvido na fase das  investigações policiais, sugere tenha ele se evadido do 
distrito  da  culpa.  Logo,  a  custódia  fundamenta\u2010se  na  necessidade  de  assegurar  a 
aplicação da lei penal (art. 312 do CPP). 
4) A  circunstância de  se encontrar  foragido o  réu  impede  a  aplicação de qualquer das 
medidas cautelares diversas da prisão, preeenchendo\u2010se, desse modo, a supletividade 
da  segregação  cautelar  imposta  pelo  art.  282,  §  6.º,  do  CPP,  modificado  pela  Lei 
12.403/2011. 
5) Em derradeiro, ainda que não estivesse foragido o réu, a gravidade do crime externada 
não  apenas  pela  sua  natureza,  mas  também  pelo  modus  operandi  do  agente 
(subjugando a vítima com violência física e com grave ameaça consistente em apontar a 
ela arma de fogo) não permitiram que outras medidas sejam determinadas no lugar da 
prisão. 
 
ANTE O EXPOSTO,  com  fundamento nos arts. 311, 312 e 313,  I,  todos do CPP, decreto a 
PRISÃO PREVENTIVA de João de Tal, devendo ser expedido o competente mandado de prisão. 
 
      Data... 
 
      Subscrição do Juiz 
 
 
P. 170 \u2013 Modificar a redação do item d pelo texto abaixo: 
 
d) Auto de prisão em flagrante: apesar de não mencionado, expressamente, no art. 5.º 
do CPP, o auto de prisão em flagrante (APF) é forma inequívoca de instauração de inquérito 
policial,  dispensando  a  portaria  subscrita  pelo  delegado  de  polícia.  Tanto  é  que,  em  se 
tratando de auto de prisão em flagrante presidido pela autoridade policial, dispõe o art. 304, 
§  1º,  do  CPP  que  se  dos  depoimentos  colhidos  resultar  fundada  a  suspeita  contra  o 
conduzido,  a  autoridade mandará  recolhê\u2010lo  à prisão e prosseguirá nos atos do  inquérito. 
Neste  contexto,  é  equivocada  a praxe  adotada  em  algumas delegacias no  sentido de não 
procederem à  instauração do  inquérito policial quando se  tratar de hipótese de  flagrância. 
Considerando  que  o  auto  de  prisão  em  flagrante  é  procedimento  célere,  formalizando  o 
mínimo de elementos de  convicção, ainda que possa o Ministério Público,  com base nele, 
oferecer denúncia, mesmo assim deverá o  inquérito  ser  realizado pela autoridade policial, 
aprofundando as investigações