Atualização Proc Penal Esq-Avena-3-4ed
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Atualização Proc Penal Esq-Avena-3-4ed


DisciplinaDireito Processual Civil I45.580 materiais802.310 seguidores
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dolo, e não a 
de culpa. Outro não é o sentido que se extrai da finalidade de garantir a execução das 
medidas  protetivas  de  urgência  aplicadas  em  razão  da  prática  destes  delitos, 
subentendendo\u2010se  daí  a  necessidade  de  imposição  da  prisão  cautelar  em  face  dos 
indicativos existentes no caso concreto quanto à intenção do agente (dolo, portanto) 
em descumprir aquelas medidas.  
 
b) O inciso III do art. 313 da Lei Adjetiva Penal pode abranger qualquer espécie de crime 
doloso,  independentemente da pena  (detenção ou  reclusão) de aspectos  subjetivos 
do criminoso ou da pena máxima cominada ao crime. Em  suma, não  incide, aqui, a 
restrição existente no art. 313,  I, do CPP, que condiciona a decretação da custódia a 
que  seja  a  pena  cominada  superior  a  quatro  anos  de  prisão,  bastando  que  seja 
perpetrado  mediante  violência  doméstica  e  familiar  contra  a  mulher  e  que  se 
configurem  as  situações  mencionadas  nos  arts.  5.º  e  7.º  da  Lei  11.340/2006,  que 
definem o que se deva entender por violência doméstica e familiar sujeita aos termos 
da lei em pauta e estabelecendo as formas dessa violência. 
c)  O  decreto  de  prisão  preventiva,  tratando\u2010se  de  violência  doméstica  e  familiar 
perpetrada contra a mulher, será admitido: 
c.1)  Para assegurar a eficácia das medidas protetivas de urgência previstas nos arts. 
22, 23 e 24 da Lei 11.340/2006. Logo, é preciso que fique demonstrado que, se 
não for decretada a prisão, tais medidas, por si, serão ineficazes para a garantia 
da mulher.  Note\u2010se,  porém,  que  não  basta  o  potencial  descumprimento  das 
medidas  de  proteção  para  justificar  a  segregação  do  agente,  sendo 
indispensável  a  observância  dos  fundamentos  autorizadores  estipulados  nos 
arts. 311 e 312 do CPP. 
c.2)  Quando,  mesmo  não  ocorrendo  a  situação  anterior  (risco  de  ineficácia  das 
medidas protetivas), estiverem presentes as demais condições estabelecidas nos 
arts. 311, 312 e 313, I a II. 
 
Questão  que  chegou  a  causar  polêmica  refere\u2010se  ao  fato  de  que  o  art.  20  da  Lei 
11.340/2006, ao contrário do que ocorre com o art. 311 do CPP, não previu a legitimidade do 
querelante para  requerer a prisão preventiva ao  juiz. A partir daí passou\u2010se a questionar se, 
nos delitos abrangidos pela lei em exame, seria possível o decreto da custódia quando se tratar 
de crime de ação penal privada. 
Pedindo  vênia  aos  adeptos  da  posição  oposta,  aderimos  à  orientação majoritária,  qual 
seja, a de que, efetivamente, é possível tal decretação, pois não haveria sentido algum excluir 
da Lei Maria da Penha, que tem natureza eminentemente protetiva da mulher, a possibilidade 
de prisão preventiva nos crimes de ação penal privada.  
De resto, para evitar tautologia, remetemos o Leitor ao Capítulo 11, item 11.7.8.3, em que 
abordado,  com  a  necessária  profundidade,  o  instituto  da  prisão  preventiva  nos  crimes  que 
envolvam violência doméstica e  familiar não apenas  contra a mulher,  como  também  contra 
criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa portadora de deficiência. 
 
 
P. 867 \u2013 Conferir em nosso site o material suplementar sobre a Lei nº 12.403/2011, que traz 
uma síntese do Capítulo 11 reformulado. 
 
 
P. 1022\u20101023 \u2013 Substituir as hipóteses a e b do item 13.5.2.1: 
 
a)  Tocante  às  penas  não  privativas  da  liberdade  \u2013  pena  de  multa  ou  restritivas  de 
direitos \u2013, se  for  interposta apelação da sentença,  inexiste controvérsia, pois  ficarão 
suspensas enquanto não  for  julgado aquele  recurso. Logo, não poderá ser exigido o 
respectivo  cumprimento enquanto  isso não ocorrer. Trata\u2010se, enfim, da exegese do 
art.  597  do  CPP,  ao  dispor  que  a  apelação  da  sentença  condenatória  terá  efeito 
suspensivo.  Por  outro  lado,  relativamente  às  condenações  às  penas  privativas  da 
liberdade,  estabelecia o  art. 393,  I, do CPP,  como  efeito da  sentença  condenatória 
recorrível  ser  o  réu  preso  ou  conservado  na  prisão,  salvo  se,  afiançável  o  delito, 
prestasse  ele  fiança.  Este  dispositivo  harmonizava\u2010se  com  o  art.  594  do  mesmo 
Código,  o  qual  dispunha  que  o  réu  condenado  não  poderia  apelar  em  liberdade, 
exceto se primário e de bons antecedentes, ou se prestasse fiança, ou se condenado 
por  crime  do  qual  se  livrasse  solto10.  Todavia,  com  o  advento  da  Lei  11.719/2008, 
esta, em seu art. 3.º, revogou expressamente o art. 594 do CPP. Além disso, o art. 387, 
parágrafo único, do CPP, passou a dispor que, ao proferir sentença condenatória, \u201co 
juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso,  imposição 
de prisão preventiva\u201d. Mais recentemente, a Lei 12.403/2011 revogou expressamente 
a  integralidade  do  art.  393  do  CPP.  Destarte,  em  consequência  deste  novo 
regramento,  ficou  referendado  em  nível  de  legislação  infraconstitucional  o 
entendimento que já vinha sendo adotado pela jurisprudência dominante há bastante 
tempo,  qual  seja,  o  de  que  a  segregação  provisória  consectária  da  sentença 
condenatória  recorrível exige a decretação da prisão preventiva, esta  condicionada, 
logicamente,  à  presença  dos  respectivos  pressupostos.  \u201cConforme  reiterada 
jurisprudência  desta  Corte  Superior  de  Justiça,  toda  custódia  imposta  antes  do 
trânsito em  julgado da sentença penal condenatória exige concreta  fundamentação, 
nos termos do disposto no art. 312 do Código de Processo Penal\u201d (STJ, RHC 22.027/SP, 
DJ 22.02.2010).  
b) Quanto à inclusão do nome do réu no rol dos culpados, trata\u2010se do registro efetivado 
no livro cartorário destinado ao nome do condenado, à sua qualificação e à referência 
ao  processo  em  que  se  operou  a  condenação.  Embora  esse  registro  seja  uma 
decorrência obrigatória da sentença condenatória, deverá ser feito apenas depois do 
trânsito  em  julgado  da  condenação,  em  atenção  ao  princípio  constitucional  da 
presunção de inocência rotulado no art. 5.º, LVII, da Carta Política. Veja\u2010se que o art. 
393, II, do CPP, dispunha que a inclusão do nome do réu no rol dos culpados constituía 
efeito  da  sentença  condenatória  recorrível  (não  transitada  em  julgado,  portanto). 
Precitado  dispositivo,  a  toda  evidência,  afrontava  o  princípio  constitucional  da 
presunção  de  inocência,  sendo,  portanto,  adequada  a  sua  revogação  pela  Lei 
12.403/2011. 
 
 
P. 1134\u20101135 \u2013 Substituir toda a redação do item V, 1ª parte, a partir de Comentários: 
 
10 Antes da vigência da Lei 12.403/2011, compreendiam-se como crimes de que se livre solto aqueles previstos na redação pretérita 
do art. 321 do CPP: crimes não punidos com pena de prisão e aqueles a que cominada no tipo penal incriminador pena máxima de 
até três meses. Com a entrada em vigor das alterações impostas pela Lei 12.403, foi conferida nova redação ao mencionado art. 
321, passando este a disciplinar a liberdade provisória quando ausentes os requisitos da prisão preventiva. Logo, na atualidade, o 
ordenamento jurídico não mais contempla a definição dos chamados crimes de que se livre solto, prevista na disciplina anterior. 
 
A  disciplina  do  Código  de  Processo  Penal  anterior  às  alterações  da  Lei  12.403/2011 
estabelecida como afiançáveis os delitos punidos com detenção e os crimes sujeitos a pena de 
reclusão quando pena mínima  cominada  fosse  igual ou  inferior a dois anos. Todavia,  com a 
vigência das modificações determinadas pela referida Lei 12.403, os parâmetros quantidade e 
natureza da pena deixaram de ser vetores para a definição de uma  infração como afiançável 
ou  não,  depreendendo\u2010se  do  sistema  processual  atual  que,  como  regra,  os  crimes  serão 
afiançáveis,  ressalvadas apenas as  situações em que a  lei ou a Constituição, expressamente, 
determinarem a  impossibilidade de concessão de fiança. Tais situações (de  inafiançabilidade) 
concernem