Atualização Proc Penal Esq-Avena-3-4ed
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Atualização Proc Penal Esq-Avena-3-4ed


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pelo prazo de 60 dias. 
Expulsão:  Trata\u2010se  do  ato  administrativo  que  obriga  o  estrangeiro  a  sair  do  território 
nacional e o proíbe de retornar. Dá\u2010se em relação ao estrangeiro que, no Brasil, atentar 
contra a  segurança nacional, a ordem política ou  social, a  tranquilidade ou moralidade 
pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos 
interesses  nacionais,  ou,  ainda,  no  caso  de  condenação  por  tráfico  ilícito  de  drogas. 
Segundo preceitua o art. 69 da Lei 6.815/1980, o Ministro da Justiça, a qualquer tempo, 
poderá  determinar  a  prisão,  por  90    dias,  do  estrangeiro  submetido  a  processo  de 
expulsão e, para concluir o inquérito ou assegurar a execução da medida, prorrogá\u2010la por 
igual prazo. 
Extradição:  Incide quando o governo de um País solicita a outro que entregue à sua 
Justiça  pessoa  que  se  encontra  no  território  brasileiro,  para  que  lá  seja  processada, 
julgada e  cumpra  sua pena. Nos  termos do art. 81 da  Lei 6.815/1980, o Ministério das 
Relações Exteriores remeterá o pedido ao Ministério da Justiça, que ordenará a prisão do 
extraditando colocando\u2010o à disposição do Supremo Tribunal Federal. 
 
Observa\u2010se,  pois,  que  os  arts.  61,  69  e  81  da  Lei  6.815/1980  (pertinentes, 
respectivamente,  aos  processos  de  deportação,  expulsão  e  extradição)  consagram  a 
competência  do  Ministro  da  Justiça  para  a  decretação  da  custódia.  Ora,  essa  faculdade, 
evidentemente, conflita com o art. 5.º, LXI, da CF, ao prever que ninguém será preso senão em 
flagrante delito ou por ordem  escrita  e  fundamentada de autoridade  judiciária  competente, 
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei. Neste 
contexto,  é  inequívoco  que  a  legalidade  das  segregações  nos  procedimentos  mencionados 
condiciona\u2010se a que sejam determinadas por autoridade judiciária, sendo vedado ao Ministro 
da  Justiça ordená\u2010las. O Ministro da  Justiça,  com  efeito, poderá  tão  somente  representar  à 
autoridade  judiciária  para  que  expeça  o  competente  mandado  de  prisão.  Sendo  assim, 
compreendemos  que  a  natureza  puramente  administrativa  das  prisões  contempladas  nos 
referidos arts. 61, 69 e 81 do Estatuto do Estrangeiro cede espaço a um caráter administrativo\u2010
jurisdicional: administrativo, porque decretada na esfera administrativa  visando a  tutelar os 
interesses  nacionais;  e  jurisdicional,  porque  apenas  pode  ser  decretada  por  autoridades 
judiciárias, quais sejam, um juiz federal, no caso de deportação ou de expulsão e um Ministro\u2010
Relator no STF, na hipótese de extradição. 
Pois  bem.  Na  medida  em  que  as  prisões  relativas  aos  procedimentos  de  deportação, 
expulsão  e  extradição,  se  ordenadas  por  autoridade  judiciária,  podem  ser  consideradas 
constitucionais,  conclui\u2010se  que  a  pertinência  do  habeas  corpus  nesses  casos  sujeita\u2010se  à 
ocorrência de constrangimento ilegal lato sensu na respectiva decretação, o que abarca tanto 
razões  relacionadas ao excesso de prazo na prisão  como à  ilegalidade do procedimento e à 
própria incompetência da autoridade judiciária que a tenha determinado.