Atualização Proc Penal Esq-Avena-4ed
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Atualização Proc Penal Esq-Avena-4ed


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Estudo Esquematizado 
PROCESSO PENAL 
Norberto Avena 
4.ª edição, 2012 
 
10.6.2 Atos que compõem o procedimento 
Na  apuração  dos  crimes  de  responsabilidade  dos  funcionários  públicos,  estabelece  o 
Código  de  Processo  Penal  procedimento  diferenciado  conforme  o  caráter  inafiançável  ou 
afiançável do delito.  
Tratando\u2010se, com efeito, de crime inafiançável, o rito previsto é praticamente idêntico ao 
procedimento comum ordinário, dele  se diferenciando apenas em  razão do que prevê o art. 
513  do  CPP,  no  sentido  de  que  a  queixa  ou  a  denúncia  será  instruída  com  documento  ou 
justificação que  façam presumir a existência do delito ou com declaração  fundamentada da 
impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas,  sugerindo esta última parte do 
dispositivo  a  possibilidade  de  oferecimento  da  inicial  sem  a  prova  pré\u2010constituída  da 
materialidade do crime.   
Por outro  lado,  sendo hipótese de  crime afiançável, estabelece o  art. 514 do CPP que, 
antes do  recebimento da  inicial, deve o acusado ser notificado para apresentação de defesa 
preliminar, seguindo\u2010se, de resto, a disciplina do procedimento comum ordinário. 
Na  atualidade,  porém,  tendo  em  vista  a  nova  disciplina  introduzida  pela  Lei  n.º 
12.403/2011 ao Código de Processo Penal, tal distinção perdeu completamente a relevância.  
Isto porque, nos termos do art. 323 do CPP alterado pela referida lei, são inafiançáveis apenas 
os  crimes  de  racismo,  tortura,  tráfico  ilícito  de  entorpecentes  e  drogas  afins,  terrorismo,  os 
crimes definidos como hediondos e aqueles cometidos por grupos armados, civis ou militares, 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Considerando que, neste rol, não está 
inserido qualquer dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, infere\u2010se que tais 
delitos, agora, são todos afiançáveis.  
Sendo  assim,  independente  de  qual  tenha  sido  o  crime  praticado  para  definição  do 
procedimento, deve\u2010se conciliar o procedimento ditado pelos arts. 514 a 518 do CPP com o 
estabelecido no art. 394, § 4.º (redação da Lei 11.719/2008) do mesmo Código, ao prever que 
as  disposições  dos  arts.  395  a  398  aplicam\u2010se  a  todos  os  procedimentos  de  primeiro  grau. 
Lembre\u2010se que o art. 395 respeita às causas que autorizam a rejeição  liminar da denúncia ou 
da queixa; o art. 396, ao prazo de dez dias para que o acusado possa responder à acusação; o 
art. 396\u2010A, ao teor dessa resposta; e o art. 397, aos motivos que permitem ao julgador decidir 
antecipadamente pela absolvição do réu, antes mesmo de iniciar\u2010se a fase instrutória. Quanto 
ao art. 398, sua referência é imprópria, pois se trata de disposição revogada.   
Neste contexto, infere\u2010se que, na atual concepção legislativa, o procedimento de apuração 
dos  crimes de  responsabilidade dos  funcionários públicos  compõe\u2010se da  seguinte ordem de 
atos: 
 
a) Oferecimento da denúncia e da queixa\u2010crime: a inicial deverá observar os requisitos do 
art. 41 do CPP,  instruída, ainda,  com os documentos ou  justificações que  façam presumir a 
existência  do  crime  ou  declaração  fundamentada  quanto  à  impossibilidade  de  fazê\u2010lo  (art. 
513). Não previsto número diferenciado de testemunhas, poderão ser arroladas até o máximo 
de oito (descontadas as não compromissadas), o que se conflui não apenas pela simetria deste 
procedimento com o rito ordinário (a diferença está, unicamente, na fase de defesa preliminar 
que  antecede  ao  recebimento  da  denúncia),  como  em  razão  da  aplicação  subsidiária  do 
procedimento ordinário aos procedimentos especiais determinada pelo art. 394, § 5.º. 
 
b) Autuação e notificação para  resposta preliminar em 15  (quinze) dias  (art. 514): não 
 
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Norberto Avena 
4.ª edição, 2012 
 
sendo o caso de rejeição  liminar com fundamento no art. 395 do CPP, determinará o  juízo a 
notificação do acusado para responder à acusação. Segundo a norma do art. 514 do CPP, essa 
notificação  deverá  ser  pessoal  ao  acusado,  e,  se  não  localizado  ou  residente  em  comarca 
distinta,  deve  o  magistrado  proceder  à  nomeação  de  defensor  dativo  para  apresentá\u2010la. 
Perceba\u2010se  que,  a  despeito  da  explicitude  do  art.  514,  parágrafo  único,  determinando  a 
nomeação de defensor dativo para oferecer a defesa quando se encontrar o acusado fora da 
jurisdição do juiz, há forte tendência doutrinária em aceitar que a notificação seja feita sim por 
meio de carta precatória, compreendendo\u2010se, pois, descabida a vedação legal. 
 
c)  Deliberação  quanto  ao  recebimento  ou  rejeição  da  inicial:  apresentada  a  defesa 
preliminar, os autos serão conclusos ao magistrado, que terá duas opções: 
 
\u2022  Rejeitar a denúncia ou a queixa, se verificar a ocorrência de qualquer das hipóteses 
do  art.  395  do  CPP  ou  se  concluir  no  sentido  da  inexistência  do  crime  ou  da 
improcedência da ação (art. 516 do CPP). 
\u2022  Receber a exordial acusatória, ordenando, então, a citação do acusado para, em dez 
dias,  responder à acusação com base no art. 396 do CPP, ocasião em que poderá o 
advogado  arguir  preliminares  e  alegar  tudo  o  que  interessa  à  sua  defesa,  oferecer 
documentos e  justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar  testemunhas, 
qualificando\u2010as e requerendo sua intimação, quando necessário (art. 396\u2010A). 
 
d) Prosseguimento  segundo  os  termos do  rito  ordinário  (art.  518 do CPP):  recebida  a 
exordial, ordenada a citação do réu e apresentada a resposta do acusado (arts. 396 e 396\u2010A), 
determinará o magistrado o prosseguimento do processo nos exatos termos previstos para o 
procedimento  ordinário.  Isto  significa  que,  a  partir  deste  momento,  caberá  ao  magistrado 
analisar  a  possibilidade  de  absolvição  sumária  do  acusado  com  base  em  qualquer  das 
hipóteses referidas no art. 397 do CPP. 
Não sendo o caso, porém, de absolvição sumária nesta etapa, aprazará o juiz audiência de 
instrução  e  julgamento\ufffd\ufffd para  daí  a  no  máximo  60  dias  (art.  400,  caput).  Em  audiência, 
produzida  a  prova  oral  segundo  a  ordem  legal  (art.  400,  caput),  facultará  o  magistrado  às 
partes requererem diligências (art. 402). Não requeridas diligências ou sendo estas indeferidas 
pelo juízo, as partes apresentarão alegações orais e, após, será proferida decisão, sem prejuízo 
da possibilidade de o magistrado,  considerando  a  complexidade dos  fatos ou o número de 
acusados,  substituir  tais alegações por memoriais escritos e proferir, após,  sentença em dez 
dias  (art.  403,  §  3.º).  Sendo,  opostamente,  requeridas  e  deferidas  diligências,  após  o 
cumprimento  destas,  as  partes  serão  notificadas  para  apresentarem  memoriais  escritos, 
sendo, depois, proferida a sentença (art. 404, parágrafo único).