Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
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Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed


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Estudo Esquematizado 
PROCESSO PENAL 
Norberto Avena 
4.ª para 5.ª edição, 2012 
   
 
Capítulo 4, item 4.5.1 \u2013 substituir o item inteiro pelo que segue: 
4.5.1 Identificação criminal do indiciado (Lei 12.037/2009) 
4.5.1.1 Abrangência 
A Lei 12.037, de 1.º de outubro de 2009, revogando expressamente a normatização ditada pela 
Lei 10.054/2000, disciplina, na atualidade, o procedimento da identificação criminal. A exemplo do 
que já previa a legislação anterior, o seu art. 5.º consagrou a identificação criminal como um gênero, 
da qual são espécies a identificação datiloscópica e a identificação fotográfica. Além disso, por 
força de alteração imposta pela Lei 12.654, publicada em 29.05.2012, com vacatio legis de 180 dias, 
o mesmo art. 5.º, agora em seu parágrafo único, passou a determinar que a identificação criminal, 
quando fundada na essencialidade às investigações policiais, assim reconhecido por decisão judicial 
(art. 3.º, IV, da Lei 12.037/2009), inclua, também, a coleta de material biológico para a obtenção do 
perfil genético do indivíduo. 
Não se ignora o fato de que, nos tempos modernos, outros métodos de identificação biométrica 
estão sendo aperfeiçoados, tais como a identificação por voz, a identificação através da íris, da 
retina, da face, entre outros. Nesse contexto, é de se indagar se, diante dos limites impostos pelo art. 
5.º, LVIII, da CF (\u201csalvo nas hipóteses previstas em lei\u201d) e em face da contemplação restritiva do art. 
5.º da Lei 12.037/2009 (identificação criminal = identificação datiloscópica + identificação 
fotográfica + identificação do perfil genético), aquelas outras formas de identificação poderão ser 
realizadas sem que impliquem constrangimento ilegal ao indivíduo. Em que pese a existência de 
algumas opiniões considerando que devam ser permitidos estes outros meios de identificação 
criminal, compreendemos em sentido oposto. Isso porque o art. 5.º, LVIII, da CF é peremptório 
quando proíbe a identificação criminal do indivíduo civilmente identificado, salvo nas hipóteses 
previstas em lei. Ora, a lei, no caso, é a Lei 12.037/2009, que limita a identificação criminal à 
identificação datiloscópica, à fotográfica e, quando fundada na imprescindibilidade, à investigação 
policial, à coleta do perfil genético. Logo, a aceitação de outros métodos de identificação, segundo 
pensamos, exige modificação e ampliação da regra incorporada ao art. 5.º da Lei 12.037/2009, sob 
pena de implicar o procedimento em violação de garantia constitucionalmente assegurada ao 
indivíduo. Não é por menos que este dispositivo, que contemplava a investigação criminal apenas 
sob a forma datiloscópica e fotográfica, foi alterado pela Lei 12.654/2012, recebendo o acréscimo de 
parágrafo único onde prevista a possibilidade da identificação do perfil genético na hipótese que 
estabelece. Não fosse esta previsão, também esta última forma de identificação criminal estaria 
vedada. 
4.5.1.2 Pessoa civilmente identificada para efeitos da Lei 12.037/2009 
O art. 2.º da Lei 12.037 estabeleceu o rol de documentos que, se apresentados, importam em 
considerar a pessoa como civilmente identificada, impedindo, em consequência, a exigência de 
identificação criminal. Trata-se da carteira de identidade, da carteira de trabalho, da carteira 
profissional, do passaporte, da carteira de identificação funcional ou outro documento público 
que permita a identificação do indiciado. Ainda, equiparou a documentos de identificação civil os 
documentos de identificação militar (art. 2.º, parágrafo único). 
Sem embargo dessa disciplina legal, a doutrina tem criticado a excessiva abrangência da 
hipótese prevista no art. 2.º, inciso VI, contemplando como forma de identificação civil outro 
documento público que permita a identificação do indiciado. Assevera-se, neste caso, que essa 
previsão poderá dar margem a conclusões equivocadas, como a consideração de que uma simples 
certidão de nascimento, que não possui fotografia, possa coibir a identificação criminal. Mais uma 
vez discordamos. Basta ver que, apesar de o mencionado inciso VI ser, de fato, bastante genérico, o 
art. 3.º, II, permite à autoridade policial restringir o seu alcance ao dispor que, embora apresentado 
documento de identificação civil, poderá ocorrer identificação criminal quando o documento 
apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado, como é o caso da certidão de 
nascimento. Portanto, afigura-nos positiva essa flexibilidade permitida pelo art. 2.º, VI, da Lei 
12.037, já que, se por um lado pode embasar manifestação de recusa à identificação criminal 
mediante a apresentação de documento inidôneo à comprovação da identidade, por outro, o art. 3.º, 
II, propicia à autoridade policial base jurídica para não aceitar essa recusa caso constate a 
precariedade do documento apresentado a título de identificação civil. A propósito, devido a esta 
flexibilidade permitida pelo referido inciso VI é que há a possibilidade de se considerar como 
identificado civilmente o portador de Carteira Nacional de Habilitação (carteira de motorista), 
documento este que, muito embora não previsto em qualquer dos incisos do art. 2.º, possui, em seu 
atual layout, plena aptidão para identificar cabalmente a pessoa que com ela se apresente. 
4.5.1.3 Permissivos da identificação criminal 
A Lei 12.037/2009 estabelece em seu art. 1.º que \u201co civilmente identificado não será submetido 
a identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta lei\u201d. Considerando que esta disposição da 
Lei 12.037/2009 limitou a identificação criminal aos casos nela previstos, detecta-se que ficaram 
tacitamente revogados o art. 5.º da Lei 9.034/1995, que permite a identificação criminal dos 
indivíduos envolvidos em organizações criminosas, bem como o art. 109 da Lei 8.069/1990 
(Estatuto da Criança e do Adolescente), ao dispor que o adolescente civilmente identificado poderá 
ser submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, para efeito 
de confrontação, havendo dúvida fundada. 
Não obstante, em 29.05.2012, sobreveio a publicação da Lei 12.654 (com vacatio legis de 180 
dias), acrescentando parágrafo único ao art. 5.º da Lei 12.037/2009, e neste contemplando a 
possibilidade de coleta de material biológico para fins de formação de perfil genético do indivíduo, 
no caso de identificação criminal fundamentada na imprescindibilidade às investigações policiais. E 
mais: a referida Lei 12.654/2012, ainda, acrescentou à Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) o art. 
9.º-A, estabelecendo a obrigatória identificação do perfil genético dos condenados pela prática de 
crimes cometidos com violência grave contra a pessoa e por crimes hediondos. 
Com isto, depreende-se que, no atual regramento, as situações que autorizam a identificação 
criminal de quem já esteja civilmente identificado são, unicamente, aquelas previstas no art. 3.º da 
Lei 12.037/2009 e no art. 9.º-A da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal). 
4.5.1.3.1 Permissivos da identificação criminal previstos no art. 3.º da Lei 12.037/2009 
O art. 3.º da Lei 12.037/2009 arrola as situações que facultam a identificação criminal do 
indivíduo, ainda que já se encontre civilmente identificado. Consistem: 
 
I \u2013 O documento (identidade civil) apresentar rasura ou tiver indício de 
falsificação 
 
 
É evidente que a presença de rasuras ou de qualquer outro indicativo de que o documento 
apresentado possa não ser autêntico faculta a identificação criminal do indivíduo. 
 
II \u2013 O documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o 
indiciado 
 
 
Esta hipótese, conforme mencionamos antes, importa para viabilizar à autoridade policial exigir 
a identificação criminal do indivíduo que apresentar documento que, conquanto oficial, não seja 
idôneo para identificar com segurança a pessoa que com ele se apresentar. É o caso de documentos 
que não possuam fotografia, como a certidão de nascimento, a certidão de casamento etc. 
 
III \u2013