Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
26 pág.

Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed


DisciplinaDireito Processual Civil I42.820 materiais741.560 seguidores
Pré-visualização15 páginas
a 
inconstitucionalidade desta previsão, reputamos perfeitamente possível atribuir caráter sigiloso às 
reuniões quando presente o motivo legal. Afinal, na prática forense, as decisões costumam ser 
tomadas pelos juízes dentro de seus gabinetes, obtendo publicidade apenas quando juntadas ao 
processo. Em segundo lugar, deve-se atentar que as reuniões do colegiado não se equiparam às 
sessões realizadas no âmbito dos tribunais, em que assegurados às partes o direito à prévia intimação 
e a participação ativa mediante sustentação oral. Por fim, deve-se observar que a efetividade das 
decisões judiciais atende ao interesse social e o art. 5.º, LX, da Constituição Federal estabelece que a 
lei poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando o interesse social o exigir. 
Harmonizando-se com a disciplina do art. 93, IX, da Constituição Federal, estabelece a Lei 
12.694/2012 que todas as decisões do colegiado deverão estar devidamente fundamentadas, sendo, 
ainda, firmadas por todos os juízes que o compõem (art. 1.º, § 6.º, 1.ª parte). 
Outra questão importante que emerge da disciplina legal respeita à proibição de que, na 
publicação das decisões, haja referência a eventual voto divergente de qualquer dos membros do 
colegiado (art. 1.º, § 6.º, 2.ª parte). A partir desta regra, conclui-se que a decisão externada pelo 
órgão julgador será apenas aquela que representar o entendimento da maioria dos juízes, muito 
embora, repita-se, deva estar firmada por todos os integrantes, inclusive pelo autor do voto 
divergente. Com este regramento, mais uma vez objetivou o legislador impedir a influência de 
organizações criminosas sobre os membros do colegiado, evitando que se tornem alvo de ameaças 
ou de pressões de qualquer natureza. 
Não se pode perder de vista que, nos termos do art. 1.º da Lei 12.694/2012, a instauração do 
colegiado somente é possível nos processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes praticados 
por organização criminosa, assim compreendida a associação definida no art. 2.º da mesma lei. Sem 
embargo desta exigência legal, é certo que a lei não impõe como condição para a instauração do 
colegiado que todos os integrantes da organização criminosa sejam conhecidos e tampouco que 
figurem como réus no mesmo processo. Logo, basta que esteja evidenciado tratar-se de crime 
organizado praticado por organização estruturada nos termos legalmente previstos. 
Por fim, deve-se ressaltar que, no âmbito doutrinário, tem sido muito discutida a 
constitucionalidade dos colegiados de primeiro grau, entendendo alguns que as únicas situações que 
viabilizam a sua instituição ocorrem em relação aos julgamentos pelo tribunal do júri e no âmbito da 
justiça militar, conforme autorizam os arts. 5.º, XXXVIII, e 125, § 3.º, da Constituição Federal, 
respectivamente. Além disso, a atuação de outros juízes implicaria violação ao princípio do juiz 
natural. Não obstante esta orientação, compreendemos no sentido da possibilidade jurídica de 
instituição dos referidos colegiados, pois não existe qualquer norma constitucional estabelecendo que o 
exercício da jurisdição em primeiro grau seja, necessariamente, reservado ao juiz monocrático. 
Consideramos, além disso, que a formação dos colegiados traz garantias adicionais ao acusado ou 
condenado, pois há menor risco de erro judicial nas decisões tomadas por vários juízes em conjunto do 
que naquelas proferidas por apenas um magistrado. Este último entendimento \u2013 constitucionalidade 
dos colegiados \u2013 foi, inclusive, agasalhado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação 
Direta de Inconstitucionalidade 4.414/AL (j. 31.05.2012), ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem 
dos Advogados do Brasil, contra a Lei 6.806/2007, do Estado de Alagoas, que, ao criar Vara Criminal 
Especializada para processar e julgar delitos praticados por organizações criminosas, atribuiu a 
titularidade coletiva de vários juízes. Por outro lado, quanto ao princípio do juiz natural, também não 
vislumbramos violação. Afinal, este postulado decorre do art. 5.º, LIII, da Constituição Federal e tem 
por objetivo assegurar ao acusado o direito de ser submetido a processo e julgamento por órgão do 
Poder Judiciário regularmente investido, imparcial e previamente conhecido segundo regras objetivas 
de competência. Em consequência, fica proibida a criação de tribunais ou juízos de exceção, assim 
como a designação de magistrado para atuar em um caso específico e determinado. Estas situações, 
porém, não se confundem com os colegiados de primeiro grau previstos no art. 1.º da Lei 12.694/2012 
em que o juiz originário do processo continua atuando mesmo após convocado o colegiado e, quanto 
aos demais integrantes, não serão indicados ou designados a partir de critérios políticos (o que 
efetivamente enfraqueceria a instituição e afastaria a garantia constitucional do juiz natural), mas sim 
escolhidos abstratamente por meio de sorteio eletrônico entre juízes que exerçam a jurisdição criminal. 
 
 
Capítulo 11, item 11.3.5 \u2013 substituir o item inteiro pelo que segue: 
11.3.5 Detração 
Tratando-se de prisão provisória, assim compreendida toda a forma de prisão que ocorra antes 
do trânsito em julgado da sentença condenatória (englobando, portanto, a prisão preventiva e a 
prisão temporária), é certo que o respectivo tempo deve ser abatido da pena privativa de liberdade, 
ex vi do art. 42 do Código Penal. 
Dúvidas, porém, existem em relação à possibilidade de detração das medidas cautelares diversas 
da prisão estipuladas nos arts. 319 e 320 do CPP, já que a Lei 12.403/2011, ao modificar o Código de 
Processo Penal, nada estabeleceu a respeito. 
Ora, a detração apenas pode ocorrer entre penas da mesma espécie. Sendo assim, 
compreendemos que, na ausência de uma disciplina legal expressa, não é aceitável que medidas 
cautelares que não impliquem privação da liberdade possam implicar abatimento da pena de prisão 
imposta ao réu condenado. 
Na verdade, é preciso ver caso a caso. 
Assim, a internação provisória do acusado (art. 319, VII, do CPP), evidentemente, deve 
permitir a detração, a partir, inclusive, do que dispõe o próprio art. 42 do Código Penal quando 
refere que se computa na pena privativa de liberdade e na medida de segurança o tempo de 
internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou outro estabelecimento adequado. 
Tocante ao recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga (art. 319, V, do 
CPP), consideramos que o respectivo período poderá ser objeto de detração apenas na hipótese em 
que fixado o regime inicial aberto, isto mesmo a partir de cálculo proporcional que deverá levar em 
conta o tempo efetivo no qual o apenado esteve submetido à restrição cautelar. Previsão semelhante, 
aliás, existe no texto do Projeto de Lei do Senado 156/2009, que reforma o Código de Processo 
Penal (atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados sob o n.º PL 8.045/2010), estabelecendo 
o seu art. 607 que \u201co tempo de recolhimento domiciliar será computado no cumprimento da pena 
privativa de liberdade, na hipótese de fixação inicial do regime aberto na sentença condenatória\u201d. 
No que concerne às demais medidas cautelares restritivas estabelecidas no art. 319 do CPP, 
pensamos que a possibilidade de detração deve ser condicionada à observância de dois fatores: 
 
\u2022 Primeiro, que tenha sido a pena privativa de liberdade imposta ao condenado substituída por 
restritiva de direitos; e 
\u2022 Segundo, que a pena restritiva de direitos aplicada apresente identidade ou, ao menos, 
compatibilidade lógica com a medida cautelar restritiva a que submetido o réu no curso da 
investigação ou do processo. 
 
Levando em conta estes critérios, pode-se admitir, por exemplo, a detração da providência 
cautelar de proibição de acesso ou frequência a determinados lugares (art. 319, II, do CPP) em 
relação à pena restritiva de interdição temporária de direitos consistente na proibição de frequentar 
determinados lugares (art. 47, IV, do CP); do mesmo