Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
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modo, a medida cautelar de suspensão do 
exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira (art. 319, VI, 
do CPP) pode ser detraída da pena restritiva de proibição do exercício de cargo, função ou 
atividade pública (art. 47, I, do CP). 
Não se deve admitir, por outro lado, a detração da monitoração eletrônica (art. 319, IX, do 
CPP), pois as hipóteses que autorizam o uso do equipamento eletrônico na fase da execução penal 
têm por objetivo permitir ao juiz o controle do apenado nas situações previstas no art. 146-B da Lei 
7.210/1984 \u2013 saída temporária no regime semiaberto e cumprimento de pena em prisão domiciliar. 
Do mesmo modo, absolutamente despropositado falar-se em detração da fiança (art. 319, VIII, do 
CPP), mesmo porque esta consiste em garantia que ou é restituída ao apenado após os descontos 
legais (arts. 336 e 347 do CPP) ou é julgada perdida na hipótese de não se apresentar o condenado 
para cumprimento da pena definitivamente imposta (art. 344 do CPP). 
Por  fim,  também não são passíveis de detração as medidas de comparecimento obrigatório 
em juízo (art. 319, I, do CPP), de proibição de contato com pessoa determinada (art. 319, III, 
do CPP), de proibição de ausentar\u2010se da Comarca (art. 319, IV) e de proibição de ausentar\u2010se 
do  País,  primeiro  em  razão  da  ausência  de  uma  pena  restritiva  de  direitos  que  possa  ser 
considerada da mesma espécie ou  simétrica a estas  cautelares; e,  segundo, por oferecerem 
grau  reduzido de  restrição à  liberdade do  indivíduo em comparação com outras medidas de 
maior caráter restritivo (v.g., internação e recolhimento domiciliar). 
 
 
Capítulo 13, item 13.5.2.2 \u2013 substituir o item inteiro pelo que segue: 
13.5.2.2 Efeitos extrapenais da sentença condenatória 
Classificam-se em efeitos obrigatórios e genéricos e em efeitos específicos. 
Os efeitos extrapenais obrigatórios e genéricos da sentença condenatória encontram-se 
previstos no art. 91 do Código Penal. Operam-se ex lege, e independem de declaração e de 
motivação pelo juiz. Como o próprio nome sugere (efeitos obrigatórios), tais efeitos são 
vinculativos, não podendo o réu deles se eximir. Logo, a única condição para que se cumpram é o 
trânsito em julgado da sentença condenatória. Consistem em: 
 
1. Obrigação de reparar o dano (art. 91, I, do CP): a sentença condenatória vincula o juízo 
cível. Dessa forma, uma vez transitada em julgado a condenação, assume a sentença a 
característica de título executivo judicial (art. 475-N, II, do CPC), podendo ser executada pela 
vítima ou seus herdeiros (art. 63 do CPP), independentemente de prévia ação de indenização. 
Trata-se, pois, de exceção à regra da independência entre as responsabilidades civil e a penal. 
Observe-se que a Lei 11.719, de 20 de junho de 2008, ao conferir nova redação ao art. 387, IV, do 
CPP, estabeleceu que, na sentença condenatória, o juiz fixará o valor mínimo para reparação dos 
danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. Este 
arbitramento do quantum indenizatório realizado no juízo criminal, conquanto não impeça a 
vítima de apurar, no juízo cível, o prejuízo efetivamente sofrido, faz com que a sentença penal 
assuma, desde logo, a característica de título líquido, possibilitando ao ofendido ajuizar, 
imediatamente após o seu trânsito em julgado, a ação de execução ex delicto prevista no art. 63, 
caput, do CPP. 
 
2. Perda, em favor da União, dos instrumentos utilizados na prática do crime, desde que 
consistam em objetos que estejam em situação de ilegalidade nos instantes que antecederam a 
prática da infração (art. 91, II, \u201ca\u201d, do CP) cuida-se do confisco, incidente apenas sobre os 
objetos proibidos ou que se encontram em situação de ilegalidade no momento da prática da conduta 
típica, e não sobre qualquer instrumento utilizado na prática da infração penal. Observe-se que o art. 
91, II, \u201ca\u201d, do CP, é taxativo quando condiciona a proibição de restituição a que sejam coisas cujo 
fabrico, alienação, porte, uso ou detenção constituam fatos ilícitos. 
A título de ilustração, imaginem-se as seguintes situações: 
Exemplo 1: Certa pessoa, utilizando-se de arma de fogo de uso restrito, mata 
alguém, sendo condenado por sentença transitada em julgado. Ora, tratando-se o 
objeto do crime de instrumento proibido, deverá ser confiscado, não podendo ser 
restituído ao agente, mesmo depois de cumprida sua pena. 
Exemplo 2: Considere-se, agora, que o agente tenha sido condenado pelo crime de 
falsificação de documentos, o qual praticou com o uso de sua impressora particular. 
Apreendido esse equipamento, poderá ser restituído a ele, inclusive antes do trânsito 
em julgado da sentença, pois não se trata de objeto de uso ou porte proibido. 
Exemplo 3: Suponha-se, porém, que um indivíduo venha a matar um desafeto, 
atropelando-o, dolosamente, na direção de veículo furtado de terceiro de boa-fé. 
Nesse caso, prefalado automóvel encontrava-se em situação de ilegalidade quando 
praticado o atropelamento, pois foi furtado. Não obstante, tratando-se de bem 
pertencente a outrem, poderá ser restituído ao legítimo titular, pois o art. 91, II, do CP, 
ressalva do confisco a hipótese em que o instrumento do crime pertença a terceiro de 
boa-fé. 
 
3. Perda, em favor da União, do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que 
constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso (art. 91, II, \u201cb\u201d, do 
CP): Como produto do crime compreendem-se os bens diretamente obtidos a partir da prática 
criminosa. É o caso do carro furtado, da droga apreendida, do dinheiro roubado etc. Como regra, a 
medida cabível nestes casos é apreensão, normalmente executada pela autoridade policial, em 
obediência às regras dos arts. 240 a 250 do Código de Processo Penal. Efetuada esta apreensão, se o 
produto do crime não for reclamado por eventual interessado no prazo de 90 dias com a 
comprovação de seu direito, decretará o juiz a perda, ordenando a venda em leilão. O dinheiro 
apurado reverterá em favor da União, o que não couber à vítima do crime ou a terceiro de boa-fé 
(art. 122 do CPP). 
Por outro lado, também estão sujeitos ao confisco os bens ou valores que constituam proveito 
auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. Enquadram-se aqui os bens adquiridos pelo 
agente com o proveito da infração penal, como o imóvel comprado com o valor subtraído de um 
banco e o dinheiro angariado com a venda de um carro furtado. Esses bens estão sujeitos à medida 
assecuratória de sequestro, disciplinada nos arts. 125 a 133 do Código de Processo Penal, que pode 
ser decretada tanto no curso do processo como na fase anterior ao ajuizamento da denúncia ou da 
queixa. A menos que seja comprovada a origem lícita dos bens sequestrados, com o trânsito em 
julgado sentença condenatória, serão eles avaliados e vendidos em leilão, revertendo o valor apurado 
para a União, sempre ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé (art. 133 do CPP). 
Em razão das dificuldades por vezes existentes para encontrar ou rastrear o produto e os 
proventos do crime, estabelece o art. 91, § 1.º, do Código Penal (acrescentado pela Lei 12.694, de 
24.07.2012, com vacatio legis de 90 dias) que o juiz poderá decretar a perda em favor da União de 
bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime, quando estes não forem encontrados 
ou quando se localizarem no exterior. Ao inserir esta possibilidade no Código Penal, seguiu o 
legislador a tendência do direito internacional relativa à necessidade de possibilitar o confisco, não 
apenas dos bens obtidos com a prática criminosa (\u201cobject confiscation\u201d), mas também dos valores 
equivalentes (\u201cvalue confiscation\u201d), já que é bastante comum, principalmente nas hipóteses que 
envolvem lavagem de dinheiro e crime organizado, a adoção pelos criminosos de estratégias e 
mecanismos visando à ocultação dos proventos do crime. Nestas situações, portanto, o confisco 
poderá recair em qualquer outro bem ou