Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
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própria, segundo as garantias constitucionalmente asseguradas. Enfim, salvo se a 
hipótese concreta subsumir-se à previsão do art. 92, I, do CP, não poderá o juiz criminal, ao condenar o 
réu pela prática de delito previsto na Lei 8.666/1993, determinar a perda de cargo, função ou emprego 
públicos, ou do mandato político, como efeito automático ou específico da condenação, sendo isto 
atribuição da administração pública por meio de procedimento instaurado para esse fim. 
\u2022 Hipótese do art. 16 da Lei 7.716/1989 (crimes resultantes de preconceito de raça e cor), 
estabelecendo, como efeito da condenação, a perda de cargo ou função pública (acrescentamos, 
também, o emprego público). Nesta hipótese, o efeito não será automático, impondo-se ao juiz 
criminal fundamentar, na sentença, a pertinência de sua aplicação e a incompatibilidade entre a 
prática delituosa pela qual operada a condenação e o exercício da atividade pública pelo servidor 
condenado (art. 18). 
\u2022 Situação do art. 1.º, § 5.º, da Lei 9.455/1997 (Lei de Tortura), estabelecendo-se que a condenação 
\u201cacarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para o seu exercício pelo dobro 
do prazo da pena aplicada\u201d. Em que pese haja divergências, tem-se compreendido que a perda ocorrerá 
em relação ao cargo, função ou emprego dos quais tenha se utilizado o agente para cometer o crime, 
enquanto a interdição refere-se a outro cargo, função ou emprego por ele exercidos. Pois bem, seja 
perda ou interdição, tendo em vista os termos cogentes do art. 1.º, § 5.º (\u201cacarretará a perda [...] e a 
interdição [...]), reputamos que, uma vez declarados na sentença, bastará à administração pública, após o 
 
21 STF, HC 93.515/PR, DJ 01.07.2009. 
 
22 STJ, RMS 22.570/SP, DJ 19.05.2008. 
 
trânsito em julgado da condenação, executar o ato de exclusão ou afastamento do servidor. Logo, tem-
se, na espécie, um efeito da condenação, automático e obrigatório. \u201cA perda do cargo público é efeito 
automático e obrigatório da condenação pela prática do crime de tortura (art. 1.º, § 5.º, da Lei 
9.455/1997), prescindindo inclusive de fundamentação\u201d23. 
\u2022 Previsão do art. 7.º, II, da Lei 9.613/1998 (Lavagem de Dinheiro), disciplinando como efeito da 
condenação criminal, automático, obrigatório e não exigente de fundamentação, a interdição do 
exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza pelo dobro do tempo da pena privativa de 
liberdade aplicada. 
 
Outro aspecto relevante diz respeito ao que estabelece o art. 93, parágrafo único, do Código 
Penal, no sentido de que a reabilitação criminal atingirá também os efeitos do art. 92 do mesmo 
diploma, vedada a reintegração na situação anterior nos casos dos incisos I e II. Isto não quer 
dizer que o indivíduo que tenha perdido seu cargo, função ou emprego público, bem como seu 
mandato eletivo, esteja definitivamente privado da possibilidade de voltar ao serviço público ou de 
exercer cargo de natureza política. Significa, isto sim, que a reabilitação não reintegra, 
automaticamente, o condenado à atividade pública ou política da qual foi afastado, nada impedindo, 
porém, que venha novamente a exercer função pública ou a ocupar cargo político, desde que por 
meio de uma nova investidura (concurso público ou eleição). 
 
2. Incapacidade para o exercício de pátrio poder (poder familiar), tutela e curatela, no 
caso de condenação por crime doloso, punido com reclusão, contra filho, tutelado e curatelado 
(art. 92, II, do CP): A incapacidade, prevista no art. 92, II, do CP, como efeito da sentença 
condenatória, independe da quantidade de pena aplicada, sendo o bastante que se trate de crime 
doloso, punido com reclusão e que, por sua natureza, reiteração ou modo de execução, revele-se 
incompatível com o exercício de poder familiar, tutela ou curatela. É o caso, por exemplo, do pai 
condenado por estupro contra uma de suas filhas. 
Note-se que a declaração de incapacidade para o exercício do poder familiar, como efeito da 
sentença criminal condenatória, alcança tanto o filho contra o qual foi praticada a infração penal, 
como os demais, desde que a eles tenha sido estendido o gravame. Ressalte-se, porém, que, se 
quanto àquele que foi vítima do delito o efeito é permanente, com relação aos outros é possível a 
reversão, com retomada do poder familiar caso o condenado venha a ser beneficiado com a 
reabilitação criminal. Esta, inclusive, é a interpretação consagrada pela jurisprudência sobre o art. 
93, parágrafo único, do Código Penal, quando preceitua que a reabilitação poderá atingir os efeitos 
do art. 92, vedada a reintegração na situação anterior nos casos dos incisos I e II. \u201cA declaração de 
incapacidade para o exercício do pátrio poder, como efeito da sentença criminal condenatória, tem 
caráter permanente com relação ao filho contra o qual foi praticada a infração penal, e também 
permanente para os demais, desde que a eles tenha sido estendida o gravame, sujeita, no entanto, 
quanto a estes, a suspensão, ditada pela reabilitação (art. 93 do CP)\u201d24. 
Exemplo: 
 Considere-se que determinado indivíduo seja condenado por estupro contra uma de suas filhas. 
Sobrevindo sentença condenatória e sendo tal efeito motivadamente declarado no decisum, ficará o 
dito genitor privado do exercício do poder familiar, não apenas em relação à filha violentada, mas 
também relativamente a todos os demais filhos que porventura tiver. Contudo, em referência a estes 
últimos, será possível o restabelecimento da situação anterior na hipótese de, cumprida a pena 
imposta, vir a ser deferida a reabilitação criminal do condenado após o cumprimento da pena imposta 
(art. 93, parágrafo único, do CP). 
 
Frise-se que o efeito é próprio da condenação pela prática de crime doloso, não se estendendo, 
assim, aos delitos culposos e às contravenções penais. Ademais, tratando-se de efeito específico, sua 
aplicação fica restrita aos casos em que a declaração da incapacidade seja necessária e conveniente, 
nos termos de exaustiva fundamentação do magistrado no corpo da sentença condenatória. 
Parcela doutrinária defende o entendimento de que este efeito teria sido revogado pelo Estatuto 
da Criança e do Adolescente, em vigor desde 1990, quando estatuiu que a perda e a suspensão do 
 
23 STJ, HC 134.218/GO, DJ 08.09.2009. 
 
24 TJPR, Acórdão 7.299, j. 15.06.2000. 
 
poder familiar dependerão de ação própria, respeitado o contraditório (art. 24 da Lei 8.069/1990). 
Seguindo a posição dominante, filiamo-nos à corrente oposta, vale dizer, no sentido de que não há 
repercussão da Lei 8.069/1990 sobre a aludida previsão do Código Penal. Isso porque, aqui, tem-se a 
perda do poder familiar como efeito extrapenal de uma sentença condenatória, diferentemente da 
previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente, em que a perda ou suspensão é prevista em 
decorrência do descumprimento dos deveres atinentes ao exercício do poder familiar, quando tal não 
importa em prática criminosa dolosa com a consequente condenação transitada em julgado. 
3. Inabilitação para dirigir veículo quando utilizado como meio para a prática de crime 
doloso (art. 92, III, do CP): Trata-se de efeito aplicável na hipótese de constituir o automóvel um 
meio utilizado para a prática de crime intencional. Exemplo: indivíduo que, utilizando-se de seu 
veículo, atropela e mata dolosamente um desafeto. Não importa se o agente dirigia automóvel seu, 
de terceiro, furtado, roubado, receptado etc. Também é irrelevante se já possuía habilitação. Não se 
tratando de pessoa habilitada a conduzir automóvel, pelo período da inabilitação, ficará impedido de 
retirar Carteira Nacional de Habilitação. Evidentemente, refere-se o art. 92, III, do CP, a veículos 
automotores ou elétricos, não se podendo impor a interdição quanto a veículos de propulsão humana, 
tração animal ou outros para os quais não é exigida autorização ou habilitação. 
Não se confunde