Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
26 pág.

Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed


DisciplinaDireito Processual Civil I45.899 materiais808.921 seguidores
Pré-visualização15 páginas
O indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações 
conflitantes entre si 
 
Não é impossível que o indiciado apresente ou que sejam localizados em seu poder documentos 
que contenham dados pessoais diferentes, não apenas acerca de seu prenome e nome, mas também 
com relação à data do nascimento, naturalidade e filiação. Nestes casos, é evidente a necessidade de 
identificação criminal do indiciado, assegurando-se que a pessoa em relação à qual eventual 
processo criminal será movido e que, no caso de condenação, sofrerá o jus puniendi do Estado será, 
realmente, aquela que foi investigada e indiciada pela autoridade policial no inquérito que deu 
embasamento à denúncia ou à queixa-crime. 
 
IV \u2013 A identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo 
despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou 
mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da 
defesa 
 
 
É importante não perder de vista que, neste caso, a identificação criminal exige prévia ordem 
judicial (ex officio ou mediante provocação do delegado de polícia, do Ministério Público ou da 
defesa), não ficando, portanto, a cargo da autoridade policial sua determinação. 
Como exemplo, ilustre-se a hipótese em que, pelo documento de identificação civil apresentado, 
constate a autoridade policial tratar-se o investigado de indivíduo que possui irmão gêmeo. Nada 
mais razoável, nesse caso, do que ser exigida a sua identificação criminal, com o objetivo de evitar 
possíveis equívocos em futuro indiciamento e também na ação penal que venha a ser instaurada, já 
que, na prática, não é incomum pessoas investigadas apresentarem documentos de parentes com os 
quais guardam semelhança física para se furtarem à responsabilização criminal. 
Veja-se que, apesar da nomenclatura utilizada no dispositivo quanto à natureza da decisão 
judicial \u2013 despacho \u2013, tal deliberação, na verdade, possui natureza de decisão interlocutória, que 
deve estar amparada em elementos de convicção suficientes para demonstrar a incidência da 
hipótese prevista no art. 3.º, IV, sendo, ainda, devidamente fundamentada (art. 93, IX, da CF). 
Outro aspecto a atentar respeita à impropriedade legislativa ao se referir, no dispositivo em 
análise, à \u201crepresentação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa\u201d como formas de 
provocar a deliberação judicial. Na verdade, o termo representação apresenta-se correto apenas em 
relação à postulação da autoridade policial, pois, em se tratando de pedido elaborado pelo Ministério 
Público ou pela defesa, este assumirá a forma de requerimento. 
E quando se tratar de crime de ação penal privada? Poderá, nesse caso, o ofendido que 
requereu a instauração do inquérito policial postular ao juízo a identificação criminal do 
investigado sob o fundamento da imprescindibilidade às investigações policiais? A lei é silente a 
respeito. Entretanto, não temos a menor dúvida de que a mesma faculdade deve ser assegurada ao 
ofendido ou seu representante legal nos crimes de ação penal privada. Afinal, mesmo nessa ordem 
de crimes, a instauração do inquérito, quando requerida pelo respectivo legitimado, tem por fim 
embasar posterior queixa-crime a ser ajuizada contra o autor do fato. Neste contexto, a 
imprescindibilidade para as investigações policiais é conceito que reflete diretamente no interesse do 
ofendido, pois a falta de êxito do inquérito na apuração de indícios da autoria do crime poderá ter 
como consequência a impossibilidade de ajuizamento da queixa. 
Cabe recurso contra a decisão judicial que defere ou indefere a identificação criminal no caso 
do inciso IV? Não, pois não há previsão legal que possibilite o enquadramento dessas hipóteses. 
Contudo, viável, em ambas as situações, o manejo de ações autônomas de impugnação, tais como o 
habeas corpus, o mandado de segurança e a correição parcial. 
Outro aspecto a ser considerado quando se trata da identificação criminal fundada na 
essencialidade para as investigações policiais é que, neste caso, além das identificações 
datiloscópica e fotográfica, o processo de identificação poderá incluir, também, a coleta de material 
biológico para a obtenção do perfil genético do indivíduo (art. 5.º, parágrafo único, da Lei 
12.037/2009, acrescido pela Lei 12.654/2012). Neste caso, os dados coletados deverão ser 
armazenados em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia 
criminal (art. 5.º-A da Lei 12.037/2009), não podendo revelar traços somáticos ou comportamentais 
das pessoas a que se referem, exceto no que concerne à determinação genética de gênero, tudo 
conforme as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e 
dados genéticos (art. 5.º-A, § 1.º, da Lei 12.037/2009). O banco de dados de perfis genéticos terá 
caráter sigiloso, respondendo civil, penal e administrativamente aquele que promover sua utilização 
para fins diversos dos previstos em lei ou em decisão judicial (art. 5.º-A, § 2.º, da Lei 12.037/2009). 
Uma vez constatada a coincidência do perfil genético do indivíduo investigado com o constante em 
banco de dados, tal situação deverá ser materializada em laudo pericial, firmado por perito oficial 
devidamente habilitado (art. 5.º-A, § 3.º, da Lei 12.037/2009). 
Na verdade, ao incluir o perfil genético no âmbito da investigação criminal, objetivou o 
legislador colocar a genética forense à disposição da Justiça, partindo do pressuposto de que a 
identificação humana a partir do seu código genético é única e inconfundível, não podendo ser 
apagada ou modificada. Levou-se em conta ainda que é bastante comum serem encontrados, nas 
cenas de crimes, vestígios capazes de permitir a identificação a partir da comparação de DNA, tais 
como sangue, sêmen, fios de cabelo, saliva etc. 
Perceba-se que a coleta de perfil genético não é obrigatória. Trata-se, enfim, de uma faculdade 
que assiste ao juiz em determiná-la ou não, o que poderá fazer de ofício ou mediante provocação do 
delegado, do Ministério Público ou da defesa (art. 3.º, IV, da Lei 12.037/2009). Este caráter 
facultativo é constatado a partir da própria redação do art. 5.º, parágrafo único, da Lei 12.037/2009, 
ao estatuir que a identificação criminal poderá (e não \u201cdeverá\u201d) incluir a coleta de material 
biológico para a obtenção do perfil genético. 
Uma vez obtida a identificação do perfil genético e armazenada esta em banco de dados, sua 
exclusão deverá ocorrer no término do prazo estabelecido em lei para a prescrição do crime que 
motivou a identificação criminal (art. 7.º-A da Lei 12.037/2009). 
 
 
V \u2013 Constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes 
qualificações 
 
 
Hipótese muito comum, em especial nas situações de flagrante, é a de identificar-se o indivíduo 
com o nome de terceiros, muitas vezes apresentando documentos pertencentes a irmãos ou outros 
parentes, objetivando, com isso, a impunidade pelo fato praticado. Pois bem, havendo nos registros 
policiais a referência de que o indiciado, em outras situações, já se apresentou com nomes diferentes 
ou forneceu dados qualificativos distintos, poderá o delegado de polícia exigir a sua identificação 
criminal, procedimento este que, diante do histórico do investigado, motiva-se na suspeita natural de 
que, mais uma vez, possa ele estar atribuindo a si uma falsa identidade. 
 
VI \u2013 O estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da 
expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação 
dos caracteres essenciais 
 
 
Com frequência, são apresentados em sede policial documentos em péssimo estado de 
conservação, impedindo a detecção segura quanto aos dados a eles incorporados. Neste caso, não 
sendo possível, pela distância da localidade em que expedido o documento, obter-se a comprovação 
imediata da autenticidade, faculta a lei que seja realizada a identificação criminal do indivíduo. 
Igual procedimento deverá ser adotado