Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
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Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed


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tutelar o objetivo maior do processo criminal, que é a 
busca da verdade real, bem como assegurar que se cumpram os efeitos da condenação previstos no art. 
91, II, \u201ca\u201d e \u201cb\u201d, do Código Penal (confisco do produto do crime e dos instrumentos ilícitos 
empregados na prática da infração penal) e no art. 7.º, I, da Lei 9.613/1998 (perda dos bens, direitos e 
valores relacionados à prática dos crimes de lavagem) como consequência da sentença condenatória 
transitada em julgado. 
Por outro lado, quanto ao proveito obtido pelo agente com a prática dos crimes relacionados à 
lavagem de dinheiro, também mencionado no art. 4.º da Lei 9.613/1998, é sujeito à medida 
assecuratória de sequestro, pois esta é a providência cautelar que, nos termos dos arts. 125 e 133 do 
CPP, destina-se aos bens adquiridos com os proventos da infração penal. 
Note-se que, ao se referir a instrumento, produto ou proveito de crimes passíveis de apreensão 
ou sequestro, o art. 4.º da Lei 9.613/1998 deixa claro que tanto podem ser os decorrentes dos crimes 
definidos na Lei da Lavagem de dinheiro, como os relacionados às infrações penais antecedentes, 
assim entendidas aquelas que produzem os bens, direitos e valores a serem lavados. 
A apreensão e o sequestro poderão ser determinados tanto no curso da investigação criminal 
como durante o andamento da ação penal, agindo o Juiz, ex officio ou a requerimento do Ministério 
Público, ou mediante representação do delegado de polícia. Para tanto, basta que haja indícios 
suficientes da ocorrência de infração penal prevista na Lei 9.613/1998 ou das infrações penais 
antecedentes (art. 4.º, caput, da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 12.683/2012). Evidentemente, em 
se tratando da medida assecuratória do sequestro, ainda será necessário demonstrar a existência de 
indícios suficientes de que os bens, direitos ou valores foram obtidos com os proventos do crime. 
Outro aspecto a ser considerado é o de que, para a decretação destas medidas, é indiferente se os 
bens, direitos ou valores pertencem ao próprio agente ou a terceiros, pois a lei refere-se a \u201cbens, 
direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas\u201d (art. 
4.º, caput, da Lei. 9.613/1998, alterado pela Lei 12.683/2012). 
De acordo com o art. 4.º, § 2.º, da Lei 9.613/1998 (alterado pela Lei 12.683/2012), o juiz 
determinará a liberação total ou parcial dos bens, direitos e valores apreendidos ou sequestrados 
quando comprovada a licitude de sua origem, podendo, contudo, manter a constrição daqueles que 
forem necessários e suficientes à reparação dos danos e ao pagamento de prestações pecuniárias, 
multas e custas decorrentes da infração penal. Em relação a esta última parte do dispositivo, apesar do 
automatismo sugerido pela sua redação, pensamos que a manutenção da constrição condicione-se à 
determinação concomitante de hipoteca legal (para bens imóveis lícitos) ou de arresto (para bens 
móveis lícitos), lembrando-se ainda que estas medidas dependem de requerimento do ofendido (art. 
134 do CPP) ou, nos casos autorizados pelo art. 142 do CPP, de provocação pelo Ministério Público, 
não podendo ser ordenadas ex officio. 
Sem embargo da previsão de liberação de bens, direitos e valores quando comprovada sua 
licitude, dispõe o art. 4.º, § 3.º, da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 12.683/2012, que nenhum 
pedido de liberação de bens será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado ou da 
interposta pessoa a que pertençam os bens apreendidos ou sequestrados. Referido dispositivo visa a 
evitar que outras pessoas compareçam a juízo para buscar objetos apreendidos e que sejam passíveis 
de liberação. Tratando-se de bem pertencente ao acusado, a previsão legal tem por objetivo, ainda, 
dificultar a ocorrência de revelia na tramitação dos processos pelos crimes de lavagem de capitais, 
muito especialmente diante do que dispõe o art. 2.º, § 2.º, da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 
12.683/2012, no sentido de que \u201cno processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto 
no art. 366 do Decreto-Lei n.º 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal)...\u201d. 
Lembre-se de que o art. 366 do CPP determina a suspensão do processo e do prazo prescricional no 
caso de réu citado por edital que não comparece e não constitui defensor. Tal regra, pois, não se 
aplica ao processo dos crimes de lavagem, que poderá ter prosseguimento normal mesmo no caso de 
revelia do acusado citado por edital, nomeando o juiz defensor dativo para a defesa do acusado. 
Importante referência, existente na Lei da Lavagem e ausente no Código de Processo Penal, 
respeita à possibilidade de suspensão, pelo magistrado, das medidas assecuratórias incidentes sobre 
bens, direitos ou valores \u2013 sempre ouvido o Ministério Público \u2013 caso possam comprometer as 
investigações (art. 4.º-B da Lei 9.613/1998, acrescentado pela Lei 12.683/2012). Note-se que este 
permissivo não se confunde com levantamento das medidas assecuratórias. Nestas últimas, as 
medidas são decretadas e circunstâncias legais autorizam sua revogação (v.g., a sentença absolutória 
transitada em julgado, conforme prevê o art. 131, III, do CPP). Na suspensão, o que ocorre é a 
protelação legal da medida cautelar (à semelhança do que se faz nas hipóteses de flagrante 
retardado), visando a não prejudicar a descoberta de outros autores ou de outros bens, direitos e 
valores ilicitamente ocultos. 
Prevê, ademais, o art. 5.º da Lei 9.613/1998 (alterado pela Lei 12.683/2012) que, \u201cquando as 
circunstâncias o aconselharem, o juiz, ouvido o Ministério Público, nomeará pessoa física ou jurídica 
qualificada para a administração dos bens, direitos ou valores sujeitos a medidas assecuratórias, 
mediante termo de compromisso\u201d. Trata-se de figura de maior amplitude do que a do simples 
depositário, pois detém poderes legais de administração, justificando-se a sua nomeação, 
principalmente, no intuito de evitar o perecimento ou depreciação dos bens, direitos ou valores objeto 
de medidas assecuratórias. Como referido em lei, a nomeação do administrador pode recair sobre 
pessoa física ou jurídica, que fará jus a uma remuneração, judicialmente fixada, a ser satisfeita com o 
produto dos bens objeto da administração. A atuação do administrador será fiscalizada pelo Ministério 
Público, cabendo-lhe, ainda, periodicamente, informar ao juiz a situação dos bens administrados, bem 
como explicar e detalhar os investimentos realizados (art. 6.º da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 
12.683/2012). 
Considerando que o art. 17-A da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 12.683/2012, determina que 
se apliquem, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal, conclui-se que, 
respeitadas as particularidades previstas na lei da lavagem, o procedimento a ser observado pelo juiz 
na decretação das medidas assecuratórias é o mesmo previsto no CPP, inclusive quanto à autuação 
em apartado, à possibilidade de defesa, prestação de caução, leilão de bens etc. 
A L. 9.613/1998 faculta a alienação antecipada dos bens que tiverem sido apreendidos ou 
sequestrados, com vista à preservação do respectivo valor ou quando houver dificuldade para sua 
manutenção (arts. 4.º, § 1.º, e 4.º-A da Lei 9.613/1998, alterados pela Lei 12.683/2012). Esta 
alienação poderá ser decretada pelo juiz ex officio, a requerimento do Ministério Público ou da parte 
interessada, por meio de petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão 
tramitação em separado do processo principal. A venda antecipada será realizada por meio de leilão 
ou pregão, preferencialmente eletrônico, por valor não inferior a setenta e cinco por cento da 
avaliação, sendo a quantia apurada depositada em conta judicial remunerada (art. 4.º-A, §§ 3.º e 4.º, 
da Lei 9.613/1998, alterado pela Lei 12.683/2012). 
Por fim, deve-se considerar que, embora apenas a busca e apreensão (para os instrumentos e 
produtos de crime) e o sequestro (para os proveitos obtidos com a prática de crime) estejam