Atualização-Proc penal Esquem-4-5ed
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sob uso e custódia dos órgãos e entidades 
mencionados, os demais que tiverem sido utilizados para a prática de crimes previstos na Lei de 
Drogas (veículos, embarcações, maquinários, instrumentos etc.) poderão ser alienados 
antecipadamente, em caráter cautelar, para evitar sua deterioração. Esta alienação apenas pode ser 
realizada após instaurada a ação penal, devendo ser requerida pelo Ministério Público ao juiz 
mediante petição autônoma, que terá tramitação independente do processo criminal. Autuada em 
apartado esta petição, serão os autos conclusos ao juiz para verificação do nexo de instrumentalidade 
entre os bens apreendidos e o delito imputado, bem como a efetiva possibilidade de depreciação de 
seu valor econômico pelo decurso do tempo. Constatadas estas circunstâncias, os bens serão 
avaliados e submetidos a leilão, permanecendo o valor auferido depositado em conta judicial até o 
final da ação penal (art. 62, §§ 4.º a 9.º, da Lei 11.343/2006). 
 
 
 
 
 
Capítulo 10, item 10.17 \u2013 substituir o item inteiro pelo que segue: 
10.17 SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (ART. 89 DA 
LEI 9.099/1995) 
10.17.1 A proposta de suspensão: condições, prazo e legitimidade 
Estabelece o art. 89 da Lei 9.099/1995 que, se a pena mínima cominada ao crime for igual ou 
inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do 
processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha 
sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão 
condicional da pena (art. 77 do Código Penal). 
Como se vê, são os seguintes os requisitos para a suspensão: 
1) Pena mínima cominada ao crime não superior a um ano: Releva, neste enfoque, apenas 
o apenamento mínimo não superior a um ano de prisão, sendo indiferentes aspectos relativos à 
natureza do crime (doloso ou culposo), à espécie da pena cominada (reclusão ou detenção), bem 
como à circunstância de tratar-se ou não de infração sujeita a procedimento especial. Note-se, 
ademais, que por uma questão de coerência e de analogia in bonam partem, a despeito da referência 
a crime, nada impede a aplicação da benesse em sede de contravenções penais, já que constitui 
infração penal de menor gravidade que o crime propriamente dito. 
2) Não esteja o acusado sendo processado por outro crime: Parte da doutrina considera 
inconstitucional esta exigência, sob o fundamento de que a proibição do benefício pelo fato de estar 
sendo processado o agente implicaria violação do princípio da presunção de inocência. Não obstante 
esta orientação, é certo que os Tribunais Superiores têm agasalhado posição oposta, inclinando-se no 
sentido da inadmissibilidade da suspensão condicional do processo em relação ao agente que está 
sendo processado pela prática de outro delito, mesmo que não haja condenação. Parte-se do princípio 
de que a suspensão condicional do processo consiste em exceção à regra da indisponibilidade da 
ação penal pública, sendo facultado ao legislador, portanto, o estabelecimento de critérios para o seu 
deferimento5-6. 
E quando se tratar de agente que esteja sendo processado pela prática de contravenção penal? 
Não se impede a suspensão. Ora, se o art. 89, § 4.º, da Lei 9.099/1995, apenas faculta (não obriga) a 
revogação da suspensão quando o agente vem a ser processado, no seu curso, por contravenção, é 
evidente que o fato de já estar sendo processado por essa ordem de infração não tem força para obstar a 
benesse legal. 
3) Não tenha sido o acusado condenado por outro crime: Também sob a ótica deste 
requisito existe controvérsia, entendendo muitos que se o novo crime foi praticado após o decurso do 
prazo da reincidência, vale dizer, depois dos cinco anos subsequentes ao término da pena cominada 
em face do crime anterior, não há óbice à suspensão. Neste sentido, já decidiu o Supremo Tribunal 
Federal, compreendendo que a melhor interpretação do art. 89 da Lei 9.099/1995 é aquela que faz 
associar a esse diploma normativo a regra do inciso I do art. 64 do Código Penal, de modo a 
viabilizar a concessão da suspensão condicional do processo a todos aqueles acusados que, mesmo 
já condenados em feito criminal anterior, não podem mais ser havidos como reincidentes, dada a 
consumação do lapso de cinco anos do cumprimento da respectiva pena7. Em sentido oposto, 
contudo, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça, observando que não faz jus à suspensão 
condicional do processo o agente que possui condenação anterior, independente da sua data 
ultrapassar os cinco anos anteriores ao novo fato8. 
E quando se tratar de agente condenado anteriormente pela prática de contravenção penal? 
Também aqui compreendemos que esta ordem de condenação não obsta a proposta de suspensão, 
tendo em vista que a lei é expressa ao referir que a vedação existe na hipótese de condenação anterior 
pela prática de crime. Ora, estender a proibição, também, em relação às contravenções penais 
implicara, a nosso ver, interpretação in malam partem, o que não se pode admitir. Além do mais, 
quando foi intenção do legislador referir-se a contravenções, estipulou a terminologia própria. Basta 
atentar ao que dispõe o art. 89, § 4.º, da Lei 9.099/1995, facultando a revogação da suspensão quando, 
no seu curso, for o indivíduo processado por contravenção. 
4) Presença dos requisitos exigidos pelo art. 77 do Código Penal para a suspensão 
condicional da pena: Trata-se, em verdade, dos requisitos gerais exigidos para o deferimento da 
suspensão condicional da pena, previstos no art. 77, II, do Código Penal, quais sejam, a 
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e 
as circunstâncias da infração. Quanto à previsão do art. 77, I, do CP (não se tratar de reincidente em 
 
5 \u201cÉ firme o entendimento desta Corte Superior quanto à inadmissibilidade da suspensão condicional do processo \u2013 nos termos do art. 
89 da Lei 9.099/1995 \u2013 se o paciente estava sendo processado pela prática de outro delito\u201d (STJ, HC 115.815/RJ, 5.ª Turma, Rel. 
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJ 18.05.2011). 
 
6 \u201cNos termos do art. 89 da L. 9.099/1995 \u2013 cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo plenário, em 16.12.99, no RHC 79.460, 
Nelson Jobim, DJ 18.05.2001 \u2013 não cabe a suspensão condicional do processo quando o acusado esteja sendo processado ou já 
tiver sido condenado por outro crime\u201d (STF, HC 85.106/SP, 1.ª Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 04.03.2005). 
 
7 STF, HC 88.157/SP, 1.ª Turma, Rel. Min. Carlos Britto, DJ 30.03.2007. 
 
8 STJ, RHC 21.294/SC, 5.ª Turma, Rel. Min. Jane Silva, DJ 1.º.10.2007. 
 
crime doloso), resta, em tese, prejudicada sua aplicação, já que, nos termos do art. 89 da Lei 
9.099/1995, basta, para impedir a suspensão, que esteja o agente respondendo ou tenha sido 
condenado por outro crime. E, por fim, também afastado o pressuposto do art. 77, III, do CP 
(impossibilidade de substituição por pena restritiva de direitos), tendo em vista que, suspenso o 
processo, não há falar-se, obviamente, em aplicação de pena que possa ou não ser substituída por 
outra. 
Note-se que, na concepção dos Tribunais Superiores, a proposta de suspensão condicional do 
processo não é, propriamente, um direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-dever inerente ao 
Ministério Público, a ser exercido quando presentes os pressupostos legais9-10. Compreendendo não ser 
hipótese que autorize o benefício, impõe-se ao Ministério Público aduzir em manifestação acostada à 
denúncia quais são os fundamentos pelos quais assim entende. O silêncio do Ministério Público a 
respeito dos motivos que o levam, eventualmente, a não propor a suspensão condicional do processo é 
causa de nulidade processual, que, entretanto, é apenas relativa e, assim, sujeita à preclusão caso não 
arguida oportunamente no curso do processo penal11. 
Eventualmente, pode ocorrer de o Ministério Público deixar