Lanna-Cap1
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Lanna-Cap1


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utilização do potencial hidrelétrico, desenvolvimentos da
agricultura, inclusive a irrigada, da indústria, e da exploração de outros recursos, implantação do sistema de transportes e comunicações
e de infra-estrutura de saúde e educação. Implantação de diversos projetos, de pequeno e grande porte, incluindo a barragem de Três
Marias, em 1961. Estudo de nova barragem de Sobradinho. No terceiro plano quinquenal (1961/1965) prioridade à construção de
Sobradinho, implantação de sistemas de irrigação no Médio e Sub-Médio São Francisco, recuperação das várzeas no Baixo curso e a
organização da navegação fluvial.
\u2022 Companhia de Na-
vegação do São Francisco
\u2013 FRANAVE
\u2022 Constituída pela fusão de quatro empresas de navegação que operavam no Vale.
\u2022 Superintendência de
Desenvolvimento do
Nordeste, 1959
\u2022 Execução do mapeamento dos solos irrigáveis do Sub-Médio São Francisco, implantação de laboratório de solos e de duas estações
experimentais de irrigação (Petrolina e Juazeiro). Implantação do projeto de irrigação do Bebedouro.
\u2022 Estudo do U.S. Bureau
of Reclamation, 1964-67
\u2022 Reconhecimento de Recursos Hidráulicos e Solos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (U.S. BUREAU of RECLAMATION,
1970) : reconhecimento geral dos recursos hídricos e de solos, com destaque para a irrigação e o uso múltiplo da água. Identificados 3
milhões de hectares potencialmente irrigáveis e de 12.500 MW de potencial hidroelétrico. Sugestão para reestruturação da Companhia
do Vale do São Francisco
Fonte: CODEVASF/OEA (1989)
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo1 - Aspectos conceituais da Gestão das Águas
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Fase 3 \u2013 Modelo Econômico-Financeiro: de 1967 a 1974
A SUVALE apresentou os problemas característicos deste modelo: excesso de centralização,
hipertrofia, conflitos intersetoriais e dificuldades de lidar com as diversas pressões e reivindicações sociais
e políticas voltadas à obtenção de recursos e projetos. Isto determinou o início da Fase 4 de transição do
modelo econômico-financeiro para o sistêmico de integração participativa, onde buscou-se maior agilidade
administrativa e maior articulação entre as intervenções públicas e privadas na bacia.
Tabela 5 - Ações governamentais, Fase 3 - Modelo econômico-financeiro: de 1966 a 1974
Iniciativa, ano Objetivos, ações
\u2022 SUVALE: Autarquia do Ministério do Interior, criada em 1967, com programas vinculados ao
planejamento geral da SUDENE. Instituiu 9 áreas-programa, buscando a concentração de esforços. Mais
do que órgão executivo, era voltado ao preparo de planos diretores, estudos de viabilidade, e projetos
executivos, segundo critérios de entidades internacionais de fomento.
\u2022 Grupo Executivo de Irrigação para o
Desenvolvimento Agrícola \u2013 GEIDA e
Plano Plurianual de Irrigação
\u2022 Criado para realizar o planejamento da SUVALE
\u2022 Programa Especial para o Vale do São
Francisco \u2013 PROVALE, 1972
\u2022 Instituído visando a complementação dos programas já
em execução, sobretudo em áreas menos assistidas;
atribuiu recursos à CHESF para a reconstrução da
barragem-eclusa de Sobradinho.
\u2022 Development and Resources Corporation,
1972-74
\u2022 Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do São
Francisco (DEVELOPMENT AND RESOURCES
CORPORATION, 1974) : Contratada para realizar um
novo reconhecimento geral do Vale e estudar e
recomendar reformulações da SUVALE
Fonte: CODEVASF/OEA (1989)
Fase 4 \u2013 Transição para o Modelo Sistêmico de Integração Participativa: de 1974 a 1988;
Na bacia do rio São Francisco a Fase 4 de transição para este modelo é caracterizada pela criação
de diversas instituições ainda hoje existentes e da realização de um primeiro plano integrado da bacia. Ela
é iniciada com a criação da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco - CODEVASF em
1974. Buscou-se uma entidade com características de empresa pública capaz de executar atividades
próprias de uma agência de desenvolvimento de bacia, articulando as ações governamentais entre si e estas
com as da iniciativa privada. O objetivo da CODEVASF é aproveitar, para fins agrícolas, agropecuários e
agroindustriais, os recursos de água e solo da bacia, diretamente, ou através de empresas públicas e
privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos
agroindustriais e agropecuários. Nota-se uma espécie de recuo da ação pública que agora é direcionada
especificamente à agricultura, embora ocorram, quando necessário, ações em saneamento, transporte e
eletrificação, sempre associadas ao desenvolvimento agrícola. A CODEVASF, agindo como companhia,
teria maior possibilidade de articulação com outras entidades públicas e privadas atuantes na bacia. Inicia-
se aí, possivelmente, a fixação do conceito de descentralização administrativa e decisória.
Este conceito foi levado mais longe com a criação do Comitê Executivo de Estudos Integrados
da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - CEEIVASF, em 1979. Isto ocorreu no âmbito do processo
de aperfeiçoamento institucional inaugurado com o estabelecimento do Comitê Especial de Estudos
Integrados de Bacia Hidrográfica - CEEIBH que iniciou a tentativa de articular a atuação dos Ministérios
do Interior e de Minas e Energia nas bacias hidrográficas brasileiras. O CEEIVASF foi a primeira entidade
a promover a articulação interinstitucional e a negociação social para o planejamento da bacia. Faltava-lhe
porém, situação que até hoje se mantém, as necessárias instrumentalizações legal e financeira, dentro de
um processo de fortalecimento institucional.
Outro marco relevante foi o preparo do Plano Diretor para o Desenvolvimento do Vale do São
Francisco \u2013 1989/2000 - PLANVASF, pela CODEVASF e OEA, que pode ser considerado como o
primeiro plano verdadeiramente integrado da bacia. A Tabela 6 resume as principais ações desta Fase 4.
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo1 - Aspectos conceituais da Gestão das Águas
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Fase 5 \u2013 Implantação do Modelo Sistêmico de Integração Participativa
A última fase, atual, em que se busca concretizar a implantação do modelo sistêmico, é iniciada
com a instituição do Sistema Nacional de Recursos Hídricos pela Constituição de 1988, e pela aprovação
de leis das Políticas e Sistemas Estaduais de Recursos Hídricos. Esta fase está sendo caracterizada pela
análise de alternativas para uma gestão descentralizada e participativa da bacia hidrográfica, com iniciativas
estaduais, na forma de Planos Diretores Recursos Hídricos de bacias de rios sob seus domínios e
iniciativas federais, sintetizadas na criação de uma Secretaria de Recursos Hídricos no Ministério do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e na aprovação da lei 9.433 da Política Nacional de
Recursos Hídricos em 8 de Janeiro de 1997. O Sistema Nacional de Recursos Hídricos oferece uma
oportunidade ímpar de que uso, controle e proteção das águas da bacia do rio São Francisco sejam
realizados de forma efetiva e eficiente. A Tabela 7 resume as principais ações desta fase, que ainda se acha
em desenvolvimento, já agora sob o escopo da lei 9.433, e das políticas estaduais correlatas.
Resumo e conclusão parcial
A evolução apresentada mostra que desde 1946 existem interesses relacionados aos recursos
hídricos da bacia. Inicialmente foi a navegação, depois a geração de energia elétrica e finalmente irrigação.
Paralelamente a eles houve a evolução correlata do uso da água para abastecimento e como receptor de
efluentes. Em um primeiro momento, por força de dispositivo constitucional e espelhando o exemplo do
TVA americano, houve uma preocupação com o desenvolvimento integral da bacia, com caráter multi-
setorial (Fases 2 e 3). No entanto havia uma grande centralização de poderes em uma entidade pública
federal, o que a fragilizou. Além disto o caráter multi-setorial nunca foi totalmente adotado devido a
existência da CHESF e CEMIG que levaram adiante os planos de geração de energia elétrica sem muita
integração com os planos dos demais setores.
Isto levou gradualmente a uma situação de planejamento por setores, que