Lanna-Cap1
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Lanna-Cap1


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privilegiou o elétrico e a
irrigação, tendo quase que completamente abandonado o de transporte hidroviário. As Fases 4 e 5 foram
resposta ao surgimento de conflitos, que gradualmente foram se agravando, entre estes setores. Busca-se
um planejamento integrado, e portanto multi-setorial, mas com as dificuldades de existência de entidades
setoriais consolidadas que estrutural e tradicionalmente estão preparadas para atuar em outro ambiente
institucional, distinto daquele que o modelo sistêmico de integração participativa busca implementar. Este
é o caso da CHESF, da CEMIG e da CODEVASF.
No entanto, este modelo foi bem sucedido em países como a França exatamente por não
promover grandes mudanças institucionais. A sua ênfase é que as entidades mantenham a maior parte de
suas atribuições desde atuem em sintonia com planos de intervenção integrados e multi-setoriais. Estes
serão preparados no âmbito de uma entidade colegiada, como é o caso do CEEIVASF, da qual participem
todos os interesses setoriais e outras demandas dos agentes (stakeholders). Esta concepção foi traduzida
no Brasil pela Lei 9.433 de 8 de Janeiro de 1997, da Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabelece
as orientações para o fortalecimento institucional pretendido e para implantação de um processo de
planejamento integrado e multi-setorial de recursos hídricos.
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo1 - Aspectos conceituais da Gestão das Águas
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Tabela 6 - Ações governamentais, Fase 4 - Transição ao modelo sistêmico de integração participativa: de 1974 a 1988
Iniciativa, ano Objetivos, ações
\u2022 Caracterizada pela existência de uma empresa pública de desenvolvimento regional (CODEVASF), por uma entidade de planejamento participativo (CEEIVASF),
pelo Programa de Irrigação do Nordeste (PROINE) e pelo início da implantação de Sistemas Estaduais e Nacional de Recursos Hídricos.
\u2022 Companhia de Desenvolvimento
do Vale do São Francisco \u2013 CO-
DEVASF, 1974
\u2022 Órgão do Governo Federal, com características de empresa pública, e de agência regional de desenvolvimento, articulando as
ações públicas com as iniciativas privadas, visando a implementação de obras de infra-estrutura, em especial de captação de
água para irrigação, e o Plano Diretor de Desenvolvimento Regional, com caráter participativo.
\u2022 Comissão Interministerial de
Estudos para Controle das En-
chentes do Rio São Francisco, 1979
\u2022 Resposta às enchentes de 1979. Coordenado pelo DNOS, com participação da CODEVASF, SUDENE, SEMA, DNAEE,
PORTOBRÁS, SUDEPE, SEPLAN-PR, ELETROBRÁS e governos de MG, BA, PE, AL e SE. Indicou volumes de espera
para barragens de Três Marias e Sobradinho e construção de novas barragens. Incluído também interesse na redução da
erosão e sedimentação na bacia, de uma legislação ambiental específica para a bacia.
\u2022 Comitê Executivo de Estudos
Integrados a Bacia Hidrográfica do
Rio São Francisco \u2013 CEEIVASF,
1979
\u2022 Origem no sistema do Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas (CEEIBH), tendo por finalidade a
realização de estudos integrados e o acompanhamento da utilização dos recursos hídricos. Não tinha atribuição deliberativa,
mas de aconselhamento. Após a extinção do CEEIBH continuou suas atividades, aguardando a implantação do Sistema
Nacional de Recursos Hídricos.
\u2022 Planos e programas relacionados
aos recursos hídricos do Nordeste,
1980
\u2022 Programa de Aproveitamento de Recursos Hídricos do Nordeste, 1979.
\u2022 Plano de Aproveitamento Integrado dos Recursos Hídricos do Nordeste do Brasil - PLIRHINE, 1980: Amplo estudo sobre
os recursos hídricos do Nordeste, que previu um déficit de água na virada do século.
Projeto Nordeste, 1982.
\u2022 Plano Diretor para o Desenvol-
vimento do Vale do São Francisco
\u2013 PLANVASF, 1989-2000
\u2022 Visou ao aproveitamento integrado dos recursos hídricos voltado ao aumento da produção de alimentos e matérias primas
agrícolas, mediante a irrigação, incentivando o beneficiamento agro-industrial, aproveitamento do potencial hidrelétrico,
proteção contra as enchentes, desenvolvimento de infra-estrutura de transporte, com ênfase na navegação fluvial, apoio ao
saneamento básico e à proteção do meio ambiente e execução de ações necessárias ao desenvolvimento integrado.
\u2022 Programa Nacional de Irrigação -
PRONI e de Irrigação do Nordeste
- PROINE, 1985/1986
\u2022 Voltado ao desenvolvimento da agricultura irrigada, ao qual a CODEVASF passou a se vincular. Adiante foi transformado
no Ministério Extraordinário da Irrigação.
\u2022 Programa de Cooperação Nipo-
Brasileiro para Desenvolvimento
do Cerrado - PRODECER, 1978
\u2022 Criada em 1978 a Companhia de Promoção Agrícola - CAMPO para viabilizar a implementação do PRODECER, com
impactos relevantes nos Cerrados do Oeste da Bahia, margem esquerda do rio São Francisco.
Fonte: CODEVASF/OEA (1989) e SENADO FEDERAL (1995)
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo1 - Aspectos conceituais da Gestão das Águas
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Tabela 7 - Ações governamentais, Fase 5 - Modelo sistêmico de integração participativa: a partir de 1988
Iniciativa, ano Objetivos, ações
\u2022 Iniciada com a promulgação da Constituição de 1988, que instituiu o Sistema Nacional de Recursos Hídricos e publicizou as águas, distribuindo seu domínio entre a União e os
Estados
\u2022 Enquadramento dos corpos de água em classes de uso
preponderante, 1989
\u2022 Enquadramento realizado de acordo com Resolução CONAMA 20/86 através de Portaria do presidente do IBAMA.
\u2022 Leis Estaduais de Recursos Hídricos, a partir de 1993 \u2022 Aprovação das leis das políticas e sistemas estaduais de recursos hídricos no Distrito Federal (1993) e em Minas Gerais
(1994), Bahia (1995), Sergipe (1995); demais Estados possuem projetos de lei em diversos estágios de tramitação.
\u2022 Planos Diretores de Bacias Hidrográficas de Rios
Estaduais, a partir de 1993
\u2022 Planos realizados a partir de 1993, no Estado da Bahia e Minas Gerais, cobrindo todos os afluentes do Rio São
Francisco. Contém análise de disponibilidades de demandas de água, e indicam orientações para compatibilizá-las, de
caráter estrutural e não-estrutural.
\u2022 Lei da Política e Sistema Nacional de Recursos Hídri-
cos, 1997
\u2022 Lei 9.433/97, com a Política e o Sistema Nacional de Recursos Hídricos e diretrizes para o planejamento de recursos
hídricos e aplicação dos instrumentos de gestão destes recursos.
\u2022 Comissão Interestadual Parlamentar para o Desenvol-
vimento Sustentado do São Francisco.
\u2022 Constituída pelos presidentes das Assembléias Legislativas de cinco Estados da bacia (MG, BA, PE, AL e SE), tendo
como função principal tratar dos aspetos organizacionais relacionados à bacia.
\u2022 União das Prefeituras do Vale do São Francisco \u2022 Agrupa todos os municípios do vale, sendo constituídas por vice-presidências temáticas nas seguintes áreas: energia,
irrigação, saneamento e habitação, turismo e lazer, navegação, educação e cultura e preservação ambiental.
\u2022 Secretaria de Recursos Hídricos do MMA, 1996 \ufffd\ufffd\ufffd Criada em 1995, no Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, passou a atuar na área
de gestão de águas públicas federais e no preparo de planos e projetos, incluindo o Plano Nacional de Recursos Hídricos
e projetos de irrigação.
\u2022 Comissão Especial para o Desenvolvimento do Vale do
São Francisco, 1995
\u2022 Criada no Senado Federal, recomendou em seu relatório final a agilização do processo de concessão de uso da água, a
realização de estudos finais de avaliação do projeto de transposição de águas do São Francisco, elaboração e execução de
um amplo Programa de Recuperação e Preservação Ambiental da bacia e a criação de um Conselho Regional de
Coordenação das Ações no Vale do São Francisco e recuperar conceitual e operacionalmente o papel da CODEVASF.
\u2022 Projeto Áridas - uma estratégia de desenvolvimento
sustentável para o Nordeste, 1994
\u2022 Estudo detalhado dos problemas de recursos hídricos do Nordeste com propostas de intervenção, inclusive na bacia
do rio São Francisco.
\u2022 Plano de Desenvolvimento do Setor de Recursos Hí-
dricos para o Semi-Árido Brasileiro,