Lanna-Cap4
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Lanna-Cap4


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por base dados de literatura, de projetos no Estado e no país. A
Tabela 10 apresenta os custos de investimento, operação e manutenção, e totais anuais, em dólares ameri-
canos referidos ao ano 1995 e os percentuais do custo total na mesma coluna. Para efeito de cálculo das
anuidades foi adotado um período de amortização de 20 anos e uma taxa de juros de 12% ao ano. As
fontes de poluição foram ordenadas em função dos custos anuais totais. A Figura 12 ilustra a distribuição
dos custos de tratamento entre as diferentes fontes de poluição. Nota-se que o tratamento de esgotos in-
dustriais, já tratados até o nível secundário, responde pelo maior montante de custos totais anuais, seguido
pela drenagem pluvial urbana. Ambos resultam em praticamente 90% dos custos totais anuais.
Tabela 9 - Eficiências esperadas de remoção da solução técnica preconizada
Parâmetro Eficiência esperada
(%)
Eficiência adotada
(%)
Demanda Química de Oxigênio 60 a 70 65
Demanda Bioquímica de Oxigênio 75 a 90 80
Sólidos em suspensão 60 a 70 65
Nitrogênio total 20 a 50 40
Fósforo total 20 a 50 40
Coliformes totais (sem desinfecção) 90 a 95 90
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 4 - Diretrizes de Gestão das Águas
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Tabela 10 - Custos de investimento, operação e manutenção e total anual (US$).
Custo de Investi-
mento
Custo de O&M
anual
Custo anual totalFontes de
Poluição
US$ % US$ % US$ %
EI 89 783 290 34,68 43 390 285 88,77 55 410 362 66,32
DPU 110 411 871 42,65 4 287 097 8,77 19 068 904 22,82
EDU 40 073 435 15,48 1 187 782 2,43 6 552 765 7,84
FDR 14 722 596 5,69 0 0,00 1 971 043 2,36
EDR 2 372 817 0,92 0 0,00 317 670 0,38
RSD 944 203 0,36 13 338 0,03 139 747 0,17
ACA 599 359 0,23 3 451 0,01 83 693 0,10
IRR --- --- --- --- --- ---
Total 258 907 571 100,00 48 881 954 100,00 83 544 183 100,00
O modelo de qualidade de água QUAL II - E UNCAS foi usado para testar os resultados da ado-
ção da solução técnica preconizada, em termos de melhoria da qualidade das águas da bacia. As simulações
mostraram que a solução falha no atendimento das duas metas de despoluição estabelecidas pelas classes
da Resolução 20/86 do CONAMA. A Tabela 11 detalha estes resultados mostrando as classes estipuladas
em cada trecho fluvial do rio dos Sinos nos Objetivos 1 e 2, e as classes em que cada parâmetro se encon-
traria no ano 2007, na ocorrência de vazões médias ou de vazões de estiagem com 7 dias de duração e 10
anos de retorno, sendo implantado e operado o sistema de tratamento preconizado. As simulações com o
modelo de qualidade de água mostraram que a solução técnica preconizada é insuficiente para atender aos
objetivos estabelecidos. Verificou-se também que as classes de uso preponderante da Resolução 20/86 do
CONAMA são demasiadamente rígidas para serem adotadas como referência de programas de despolui-
ção de bacias com altos níveis de degradação. Nota-se que a solução técnica preconizada diminui dramati-
camente a carga de poluentes lançados na bacia. A despeito disto, não há melhorias em termos de \u201cpro-
moção\u201d de classes da Resolução 20/86, o que poderá dificultar o entendimento e a aprovação política de
investimentos para recuperação gradual da qualidade de água de bacias altamente impactadas.
A despeito da insuficiência da solução técnica preconizada para atingir os objetivos de qualidade 2 e
3 verificou-se que os custos desta solução podem ser considerados substanciais. Para efeito de comparação,
projeto similar, como o PRÓ-GUAÍBA, na sua primeira fase, contratada em 1995, apresentou custos de in-
vestimento da mesma ordem de grandeza, e que serão pagos por todo o Estado do Rio Grande do Sul, não
unicamente pela bacia do Guaíba. Isto poderia levar à conclusão da inviabilidade econômica e financeira de
implementar-se a solução técnica preconizada.
A bacia apresentava em 1992 um Produto Interno Bruto de US$ 7.949.204.000,00. Os
investimentos demandados, iguais a US$ 258.907.571,00 seriam equivalentes a 3,25% desse PIB. Sendo
amortizados em 20 anos a juros de 12% ao ano, ao serem somados aos custos de operação e manutenção,
comprometeriam, ao ano, US$ 83.544.183,00 ou seja, 1% do PIB da bacia ao ano. Finalmente, rateando-se
este valor anual entre a população atual da bacia, de cerca de 1.600.000 de habitantes chegar-se-ia a um
comprometimento anual de US$ 52/per capita ou menos de US$ 4,50/per capita/mês. Como comparação,
o sistema francês arrecada anualmente 0,3% do valor do PIB para aplicação nas bacias, em que pese a renda
per capita ser bastante superior à da bacia do rio dos Sinos.
Estes dados permitem concluir que o processo de enquadramento deve ser realizado em paralelo
a uma avaliação dos custos e consequências econômicas e financeiras de sua promoção. Ele deve ser en-
tendido como um instrumento de planejamento estratégico, ou seja, de longo prazo, cujo atendimento
será realizado de forma gradual, no ritmo possível, e aprovado pelo Comitê de Gerenciamento de Bacia
Hidrográfica respectivo. Será portanto uma diretriz básica a ser adotada no planejamento da bacia e em
seus programas de despoluição, e não propriamente uma meta a ser alcançada em prazos pré-fixados.
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 4 - Diretrizes de Gestão das Águas
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Custo de Investimento
EI
DPU
EDU
FDR
EDR
RSD
Custo de O&M anual
EI
DPU
EDU
Custo anual total
EI DPU
EDU
FDR
Figura 12 - Distribuição dos custos de tratamento entre as fontes de poluição
Tabela 11 - Qualidade das águas do rio dos Sinos: situação 2007 com tratamento preconizado das cargas
poluentes.
Regime de vazões
7Q10 Qméd
Parâmetros Parâmetros
Seções da Rede Integrada de Monitoramento do
Rio dos Sinos
Enqua-
dra-
mento
pro-
posto
C
ol
i f
ec
ai
s
Fó
sf
or
o
D
B
O
5
N
itr
og
ên
io
C
ol
i f
ec
ai
s
Fó
sf
or
o
D
B
O
5
N
itr
og
ên
io
5 SI-11: \u201cPonto branco\u201d 2 4 4 2 1 1 4 1 1
7 SI-10: Jusante da foz do rio Rolante 2 4 4 2 1 1 4 1 1
11 SI-09: Captação de Taquara 2 4 4 1 1 1 4 1 1
17 SI-8: Seção de monitoramento no rio dos Sinos 2 4 4 1 1 1 4 1 1
18 SI-7: Captação Sapiranga/Campo Bom 2 4 4 1 1 2 4 1 1
19 SI-6: Seção de monitoramento no rio dos Sinos 2 4 4 1 1 2 4 1 1
20 SI-5: Captação Novo Hamburgo 2 4 4 2 1 2 4 1 1
21 SI-4: Captação São Leopoldo 3 4 4 2 1 2 4 1 1
22 SI-3: Jusante de trecho com alta concentração industrial 3 4 4 2 1 2 4 1 1
23 SI-2: Captação Esteio 3 4 4 2 1 2 4 1 1
24 SI-1: Ponte da BR 386 3 4 4 2 1 3 4 1 1
25 Foz do rio dos Sinos 3 4 4 2 1 3 4 1 1
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Capítulo 4 - Diretrizes de Gestão das Águas
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REFERÊNCIAS
CONSELHO DE RECURSOS HÍDRICOS DO RIO GRANDE DO SUL (1996). Simulação de uma
proposta de gerenciamento de recursos hídricos na bacia do rio dos Sinos. Relatório Final de Es-
tudo desenvolvido pela MAGNA Engenharia Ltda e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da
UFRGS. Conselho de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul.
GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA (1997)
LANNA, A.E., PEREIRA, J. S. E DE LUCCA, S. J. (1996). Simulação de uma proposta de gerencia-
mento de recursos hídricos na bacia do rio dos Sinos, RS. Simpósio Ítalo-Brasileiro de Engenharia
Sanitária e Ambiental, Anais. Gramado.
Figura 13 - Proposta de enquadramento dos rios da bacia do rio dos Sinos