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da contestação, sem consentimento do reclamado. Depois da citação, o autor (reclamante) só poderá aditar a inicial com o consentimento do réu (reclamado). A Lei nº 8.718, de 14/10/93, ao modificar a redação do art. 294 do CPC, deixou claro que até a citação o autor poderia aditar o pedido. Os arts. 264 e 294 do CPC dizem o seguinte:
"Art. 264 - Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o consentimento do réu, mantendo-se as mesmas partes, salvo as substituições permitidas por lei.
	Parágrafo único - A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma hipótese será permitida após o saneamento do processo".
"Art. 294 - Antes da citação, o autor poderá aditar o pedido, correndo à sua conta as custas acrescidas em razão dessa iniciativa".
JUS POSTULANDI
44 - Jus postulandi (direito de postular) é a faculdade outorgada pela lei (CLT, arts. 791 e 843, § 1º) à parte (reclamante ou reclamado) de exercer a sua capacidade postulatória. Ou seja: para propor ação na Justiça do Trabalho, ou para defender-se, a parte não precisa estar, necessariamente, assistida por advogado. Este entendimento não é pacífico na doutrina ou na jurisprudência. O art. 133 da CF/88 está assim redigido:
"Art. 133 - O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei".
45 - Há quem diga que o enunciado se compõe de duas orações coordenadas:
1ª	o advogado é indispensável à administração da justiça, nos limites da lei;
2ª	o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites da lei. Ou seja: onde a lei disser que o advogado será indispensável, será; onde não o disser, não o será. Nas ações de alimentos, nas acidentárias, no habeas corpus, no Juizado Especial de Pequenas Causas e na Justiça do Trabalho, entre outros, sua presença, embora importante, é dispensável.
46 - Por conta disso, honorários de advogado só são cabíveis na Justiça do Trabalho se a parte estiver assistida por sindicato da categoria e se o autor (reclamante) receber, na data do ajuizamento da ação, menos de dois salários mínimos por mês, ou, se auferir mais do que isso, provar que não pode litigar sem prejuízo de seu sustento, ou de sua família. É esse o entendimento dominante no C. TST. O E. 219/TST diz:
	"Honorários advocatícios - Hipótese de cabimento" - Na Justiça do Trabalho, a condenação em honorários advocatícios, nunca superiores a 15%, não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do mínimo legal, ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família".
47 - O E. TRT/1ª Região também é da mesma opinião, como se vê destes arestos:
"Indevidos honorários advocatícios porque não preenchidos os pressupostos previstos na Lei 5.584/70 (E. 329/TST)".
RO - 13.761/92 - Rel. Juíza AMÉLIA VALADÃO LOPES, DO/RJ. 27/10/94, p. 213.
"Honorários advocatícios. Art. 133 da Carta Magna. O art. 791 consolidado não foi revogado pelo art. 133 da Constituição de 1.988. Subsiste o jus postulandi da parte nesta Justiça Especializada, onde só são devidos honorários de advogado na hipótese prevista na Lei 5.584/70. Este é o entendimento cristalizado no E. 219 da Súmula do E. TST".
RO - 20.991/92 - Rel. Juíza DONASE XAVIER BEZERRA, DO/RJ., 16/12/94, p. 59.
"Honorários advocatícios. Indevidos porque inobservado o disposto na Lei nº 5.584/70".
RO. 10.090/90 - Rel. Juíza EMMA BUARQUE DE AMORIM, DO/RJ. 27/11/92.
48 - Os estagiários podem praticar atos judiciais não privativos do advogado e exercer o procuratório extrajudicial; só podem receber procuração em conjunto com o advogado e somente para atuar no Estado ou na circunscrição da Faculdade onde matriculados. Não pode participar de audiência desacompanhado de advogado.
49 - São atos privativos de advogado, entre outros, elaborar e subscrever petições iniciais, contestações, réplicas, memoriais, razões e contra-razões, minutas e contraminutas, bem assim defesas em qualquer foro ou instância.
50 - Há provimento da OAB proibindo a cumulação da figura do preposto à do advogado.
51 - O art. 791/CLT diz que os empregados e empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final. Isso tem suscitado dúvida na doutrina e na jurisprudência sobre se o jus postulandi pode ser exercido também em grau de agravo ou de recurso. Parte da doutrina entende que não há qualquer limitação na lei, e que o exercício do jus postulandi é possível nos recursos e, também, na ação rescisória, no habeas corpus, no habeas data, no mandado de segurança, na ação de consignação em pagamento, nas possessórias, nas monitórias e em todos os demais tipos de ação. Outra corrente igualmente respeitável informa que o exercício do jus postulandi só é possível em primeira instância, porque a CLT (art. 791) fala em reclamação, querendo referir-se aos dissídios individuais aforados perante as Juntas. Não há qualquer fundamento legal na doutrina que limita o exercício do jus postulandi apenas às ações trabalhistas propostas perante as Juntas. Essas questões são, porém, extremamente discutíveis, e não há consenso na doutrina ou na jurisprudência.
52 - CARRION observa com razão que se admitir a sobrevivência do jus postulandi mesmo após o advento da CF/88, se deve admitir a presença do terceiro, nos embargos, sem advogado, pelas mesmas razões.
INQUÉRITO
53 - Inquérito Judicial, Inquérito Administrativo, Inquérito para apuração de Falta Grave ou Inquérito para Dispensa de Empregado Estável são o nomem juris que se dá a um tipo de ação proposta pelo empregador em face do empregado estável (CLT, art. 652, b).
54 - No inquérito o empregador (autor) é chamado requerente e o empregado (réu), requerido.
55 - O inquérito será, necessariamente, escrito (CLT, art. 853). A lei não transige. No entanto, não será impossível a redução a termo do inquérito ajuizado verbalmente, mas isso é condição excepcionalíssima, a critério de cada juiz.
56 - No inquérito, cada parte apresenta até seis (6) testemunhas (CLT, art. 821).
57 - As custas são pagas antecipadamente pelo autor do inquérito (empregador), até o julgamento da ação, e são calculadas sobre seis (6) vezes o valor do salário do empregado ou dos empregados (CLT, art. 789, § 3º, d, e, § 4º).
58 - Segundo GIGLIO, o inquérito é admissível na dispensa do empregado estável, de qualquer origem (legal, normativa, convencional ou contratual), seja dirigente sindical (CLT, art. 543, § 3º), integrante da CIPA (CLT, art. 165, parágrafo único) ou diretor de cooperativa (Lei nº 5.764, art. 55), mas há forte corrente jurisprudencial e doutrinária que sustenta que o inquérito só é admissível na dispensa do estável de que trata o art. 492/CLT. Nos demais casos não há estabilidade, mas mera garantia de emprego. O art. 492/CLT está assim escrito:
"Art. 492 - O empregado que contar mais de 10 anos de serviço na mesma empresa, não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovados".
59 - Se houver motivo de força maior, não será necessário o inquérito para a dispensa do estável e esse empregado poderá ser dispensado sem prévia autorização judicial (CLT, art. 492, parte final). Força maior é o caso fortuito (imprevisto e imprevisível) e a força maior em sentido estrito (fato previsto ou previsível). A força maior pode consistir em fenômenos naturais (terremoto, inundação, incêndio etc.), atos humanos privados, leis novas ou atos do poder público.
60 - Não será necessário inquérito:
1º	Se houver força maior;
2º	Na extinção da empresa (CLT, art. 497);
3º	No fechamento de estabelecimento, filial ou agência (CLT, art. 498), sem existência de força maior.
61 - É preciso observar que:
1º	Força maior não se confunde com risco do negócio;
2º	Não será