Lanna-Cap5
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Lanna-Cap5


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a outorga de instalação de atividades potencialmente poluidoras,
tipo de outorga mais geral, que deveria incluir a de lançamento;
2. a outorga de lançamentos que alterem as características qualitativas dos corpos de água;
3. e a outorga de uso de água, incluindo as retiradas mas também usos não consuntivos e locais.
Os três tipos serão analisados a seguir, sendo apontadas, quando adequado, as suas articulações.
OUTORGA DE INSTALAÇÃO DE ATIVIDADES POTENCIAL-
MENTE POLUIDORAS: LICENCIAMENTO AMBIENTAL
No Brasil, este instrumento de gestão é regulado pela Resolução 237 de 1997 do Conselho Naci-
onal de Meio Ambiente (CONAMA). Os tipos de licença ambiental são apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 \u2013 Licenças ambientais
Tipo Características
Prévia
(LP)
Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando
sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos
básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação;
De Insta-
lação (LI)
Autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações
constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle
ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante;
De Ope-
ração
(LO)
Autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cum-
primento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e
condicionantes determinados para a operação.
Estes licenciamentos visam a evitar que empreendimentos incompatíveis com as exigências ambi-
entais sejam implantados. Por isto, ele deve agir desde a fase de planejamento, para que possa haver uma tri-
agem de empreendimento compatíveis e incompatíveis com o meio. Na fase de instalação os empreendi-
mentos que se mostraram aptos são avaliados de forma a que sejam propostas alternativas tecnológicas e lo-
cacionais para suas implantações e medidas mitigadoras de impactos ambientais. Na fase de operação deve
ser verificado se as propostas foram implementadas e são avaliados os sistemas de monitoramento e de con-
trole ambiental.
A Licença Prévia (LP) não autoriza o início de qualquer obra ou serviço - ela meramente estabelece
condições que o empreendedor deva atender para prosseguir com a elaboração do projeto. A Licença de
Instalação (LI) é concedida após análise e aprovação do projeto executivo e de outros estudos que especifi-
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Caítulo 5 - Instrumentos de Gestão das Águas: Outorgas
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cam os dispositivos de controle ambiental, e tem prazo determinado. A Licença de Operação (LO) é conce-
dida após a vistoria e a confirmação do funcionamento dos sistemas de controle ambiental especificados e
acordados nas fases da LP e LI. Ela autoriza o início do funcionamento do empreendimento, tendo também
prazo de validade e condicionantes tais como a apresentação dos resultados do monitoramento ambiental.
OUTORGA DE LANÇAMENTOS DE EFLUENTES EM CORPOS
HÍDRICOS
Neste caso, busca-se a ordenação do uso do meio hídrico para destinação final dos resíduos de
atividades antrópicas, onde eles serão diluídos, afastados e depurados. Este uso deverá ser realizado tendo
em vista a classe de enquadramento qualitativo do corpo de água, para evitar que a qualidade da água seja
comprometida em relação aos usos aos quais ela se destina.
Nas situações em que o meio hídrico ainda tem capacidade de assimilação de poluentes, este tipo
de outorga deverá gerenciar esta capacidade. Problema mais crítico, e mais comum, ocorre quando a capa-
cidade de assimilação já foi superada. Neste caso, o corpo de água estará com a qualidade inadequada aos
usos aos quais se destina e programas de despoluição deverão ser implementados.
Esta situação, a rigor, determina que nenhuma outorga de lançamento deveria ser concedida. No
entanto, aspectos políticos e econômicos acabam por determinar que, na melhor das hipóteses, o progra-
ma de despoluição acomode as intenções de lançamentos, e se possa gradualmente levar o corpo de água à
qualidade requerida, sem as constranger e, com isto, refrear as possibilidades de crescimento econômico.
Estas são limitações relativas, pois podem ser mais ou menos restritivas conforme o estado quali-
tativo das águas do corpo receptor do lançamento e seu objetivo de qualidade, que é estabelecido pelo en-
quadramento. Existem restrições absolutas, que se referem ao padrão de qualidade dos efluentes. Elas são,
no Brasil, dispostas na Resolução 20 de 1986 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Pela constituição
brasileira, os estados podem legislar sobre o ambiente concorrentemente à União. Diante disto, os estados
podem estabelecer padrões mais restritivos. A Tabela 2 ilustra a situação em alguns estados brasileiros,
para alguns parâmetros de qualidade de água.
Tabela 2 - Padrões de lançamento de acordo com legislação federal de alguns Estados (von Sperling, 1998)
Parâmetro CONAMA
20/86
Rio Gran-
de do Sul
São Paulo Minas
Gerais
Rio de
Janeiro
Cor --- ausente --- --- Ausente
Odor --- livre --- --- ---
DBO5 5 a 9 6 a 8,5 5 a 9 6 a 9 5 a 9
DQO --- --- --- 60 ---
Minerais 20 10 20 20 30Óleos e graxas
Vegetais e animais 50 30 50 50 30
Sólidos em suspensão --- --- --- 60 ---
Alumínio --- 10 --- --- 3
Arsênio 0,5 0,1 0,2 0,1 0,1
Uma alternativa que têm sido concebida na regulamentação da legislação brasileira sobre outorgas
de lançamento é associá-la a um uso de água para diluição dos poluentes. Suponha que na classe em que o
corpo de água se acha enquadrado o limite de concentração de dado poluente é Cm. Como concentração
de uma substância é dada pelo quociente entre sua quantidade (K) e o volume de diluição (V), para que
uma concentração Cm seja atingida no meio hídrico, a carga K deverá ser diluída por um volume de água
igual a V = µ.K/Cm, sendo µ uma constante de transformação de unidades. Esta é a água que é usada
pelo usuário, para diluir sua carga.
Se, como é mais comum, o usuário lança um efluente com uma vazão Qe (l/s) com uma concen-
tração Ce (mg/l) de dada substância ele estará usando uma vazão de diluição e não um volume. Neste caso
o cálculo será:
a) vazão lançada da substância: Qk = Ce . Qe (mg/s)
b) vazão total para diluição: Q = Qk/Cm = Ce.Qe/Cm (l/s)
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Caítulo 5 - Instrumentos de Gestão das Águas: Outorgas
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Como a vazão do efluente é Qe a vazão adicional a ser utilizada do curso de água será Q - Qe.
Quando Qe for muito pequeno em relação a Q esta subtração não modificará os resultados de forma
substancial..
No procedimento de outorga de lançamentos a vazão Q seria aquela que estaria sendo outorgada
para uso na diluição. Com isto o usuário teria que solicitar duas outorgas: uma de lançamento e a outra de
derivação, ambas em unidades de vazão.
OUTORGA DE USO DE ÁGUA
Os tipos de outorga que têm sido adotados nos Brasil são:
1. Concessão de uso: concedida em todos os casos de utilidade pública. A outorga das concessões é
dada pelo prazo de 10 a 35 anos, ficando sem efeito se, durante um número pré-determinado de anos
consecutivos, geralmente 3, o concedido deixar de fazer uso privativo das águas;
2. Licença de uso: quando não se verificar a utilidade pública. É o caso do uso para fins de indústria,
agricultura, comércio e piscicultura. As licenças são outorgadas pelo prazo de 5 a 10 anos, podendo ser
revogadas a qualquer tempo, independentemente de indenização, desde que o interesse público assim
o exija e ficando sem efeito se durante um número pré-determinado de anos consecutivos, geralmente
de 1 a 3, o licenciado deixar de fazer uso das águas;
3. Autorização ou permissão de uso: são geralmente outorgadas em caráter precário podendo a qual-
quer momento serem revogadas, independentemente de indenização, desde que o interesse público
assim o exigir. Se durante períodos que vão de 1 a 2 anos o autorizado deixar de fazer uso das águas,
fica a respectiva autorização ou permissão sem efeito. Atendem