Lanna-Cap5
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Lanna-Cap5


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uso de água
Simulação hidrológica e análise
de resultados
Atende às
expectativas?
SIM
Implementa e
monitora
Não
Não, mas
priorização
está correta
Discretização da bacia e
definição de pontos
característicos
Reavalia
prioridades
 Figura 2 - Sistemática de outorga do uso de água
III - Avaliação das disponibilidades hídricas naturais
Trata-se da aplicação de técnicas hidrológicas convencionais para estimativa das disponibilidades
naturais de água em cada PC, ao longo do tempo. Deverão ser considerados os registros de vazões em
postos fluviométricos da bacia, como ponto de partida. Na ausência ou insuficiência temporal dos regis-
tros, modelos de transformação de chuva em vazão, ajustados à bacia ou a bacias vizinhas e similares po-
derão gerar as séries de vazões necessárias. Extrapolações espaciais deverão estimar as vazões nos PC's,
em um mesmo período temporal. Para efeito de balanço hídrico haverá necessidade de se estimar as con-
tribuições hídricas geradas nas bacias incrementais afluentes a cada PC. O intervalo temporal das vazões
deve ser o mesmo com o qual as demandas foram estimadas.
IV - Projeção de usos e de demandas de água
Os usos e demandas deverão ser projetados em um horizonte temporal adequado, geralmente o
adotado pelo Plano de Bacia Hidrográfica. Objetivo é conhecer cenários futuros possíveis usos e de de-
mandas de água na bacia de forma que intervenções adequadas possam ser analisadas, projetadas e im-
plementadas, incluindo o critério de outorga de uso.
V - Priorização de usos e de demandas de água
Esta etapa deverá ser realizada integradamente com o estabelecimento do critério de outorga. De-
pendendo do critério, as quantidades de uso ou a expressão econômica de demandas com mesma natureza
poderão determinar categorias distintas, conforme analisado previamente nos critérios A.2 e A.3. O esta-
belecimento de prioridades deve ser subsidiado por estudos técnicos mas é uma decisão política a ser to-
mada nas instâncias apropriadas. O Plano Estadual de Recursos Hídricos e o Plano de Bacia Hidrográfica
deverão conter elementos para orientação desta etapa.
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Caítulo 5 - Instrumentos de Gestão das Águas: Outorgas
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VI - Estabelecimento do critério de outorga de uso de água
Os critérios previamente analisados são algumas das alternativas disponíveis. Dependendo do se-
lecionado algumas orientações específicas devem ser adotadas. Elas são consideradas a seguir.
a) Critério da vazão referencial
Esta sistemática apresenta maior facilidade de implantação o que pode explicar a sua popularidade
apesar das desvantagens em relação à alternativa da priorização das demandas. A sistemática analítica para
a sua implementação é apresentada na Figura 3.
Os dados necessários para subsidiar o procedimento de análise da outorga são os Pontos Caracte-
rísticos j, em número de N e suas interrelações espaciais; as vazões referenciais em cada um, Qref(j); as va-
zões que contribuem a cada PC a partir da bacia incremental, q(j); e as demandas prioritárias, Xp(j), e não
prioritária, ou secundária, Xs(j), e seus respectivos retornos.
O procedimento de outorga inicia de montante para jusante. Em cada PC calcula-se as vazões
afluentes, Q(j) , resultantes da soma das vazões remanescentes e dos retornos dos suprimentos realizados
nos PC's a montante, com a vazão de contribuição da bacia incremental do PC em análise. No fluxograma
j são os PC a jusante do PC hipotético j em análise. A vazão remanescente deste PC, após terem sido su-
pridas as demandas prioritária e secundária é dado por Qrem(j), igual à afluência subtraída das demandas
mencionadas. Outros níveis de prioridade (terciário, etc) poderão ser incorporados à análise, com a devida
alteração na operacionalização.
Se esta vazão for não negativa, o balanço hídrico está fisicamente viabilizado até este PC. Caso
contrário, os suprimentos globais, deste PC até os de montante, estão além das disponibilidades hídricas.
Para viabilizar o balanço os suprimentos deverão ser reduzidos neste PC e nos de montante. Alguma ori-
entação deverá ser estabelecida para isto. A lógica é que inicialmente se reduzam os suprimentos das de-
mandas secundárias. Poderá ser adotada uma regra linear, em que elas sejam reduzidas em proporções
idênticas, ou outra qualquer. Isto poderá ser insuficiente em casos de extrema escassez, quando as deman-
das prioritárias deverão ser igualmente reduzidas, de acordo com alguma orientação específica. Uma vez
viabilizado o balanço no PC passa-se ao seguinte até que se atinja a foz do rio principal da bacia, quando o
relatórios de resultados deverão ser gerados e as outorgas implementadas. Para operacionalizar estas análi-
ses haverá necessidade de implantação de um modelo de simulação hidrológica da bacia que, em situações
menos complexas, pode ser efetivada por planilhas eletrônicas de cálculo.
Uma orientação simplificada tem sido adotado para outorga pelo critério da vazão referencial, em
algumas bacias, como a do Rio Grande no Oeste do estado da Bahia. Em cada PC a vazão referencial, e
portanto a outorga a todas as demandas, deverá ser a vazão de contribuição da bacia incremental. A Figura
4 ilustra a aplicação desta orientação e seus resultados. Suponha que a linha superior represente as vazões
que ocorrem ao longo de um curso de água. Para efeito de análise, suponha que esta vazão é a referencial,
eventualmente a 7Q10 e que, portanto, esta situação de estiagem ocorra simultaneamente ao longo de todo
o trecho fluvial, sendo arbitrariamente proporcional à distância entre a seção fluvial dada, ou PC, e a nas-
cente. A vazão ecológica, dada por um percentual fixo da vazão referencial é também apresentada na figu-
ra, pela linha inferior. Em um PC a jusante esta vazão é dada pela que provém da seção a montante soma-
da àquela formada na bacia incremental entre os PC's .
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Caítulo 5 - Instrumentos de Gestão das Águas: Outorgas
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Qref(j), q(j);Xp(j),Xs(j),
retornos
Para j = 1 a N
Q(j) = SQrem(j) +
S retornos(j) + q(j)
Qrem(j) = Q(j) - Xp(j) - Xs(j)
Qrem(j)>0? Não
Sim
Final: informe e
guarde resultados
Inicia o procedimento lendo, para cada PC j,
j = 1,...,N, as vazões referenciais,Qref(j), as
vazões contribuintes da bacia incremental, q(j),
as demandas prioritárias, Xp(j), e secundárias,
Xs(j), e seus retornos
Início do ciclo de suprimento às demandas de
montante para jusante
Calcula vazão afluente total ao PC j, como a
soma da vazão remanescente Qrem(j) e dos
retornos dos PCs imediatamente a montante,
com a vazão contribuinte da bacia incremental
(q(j) Calcula vazão remanescen-
te do PC j após suprir de-
mandas prioritária e secun-
dária Verifica
se vazão
remanes-
cente é
positiva;
se não,
reduz as
deman-
das e re-
calcula
Prossegue a computação nos próximos PC'sPróximo j
Imprime e armazena resultados para a bacia
hidrográfica e providencia as outorgas; encerra
computações.
Reduzir inicialmente
Xs(j) neste PC ou a
montante;
Se insuficiente, reduza
também Xp(j) neste PC
ou a montante
Figura 3 - Fluxograma de operacionalização da outorga pelo critério da vazão referencial
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Vazão referencial
Va
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lóg
ica
Vazão ecológica no PC 1
Vazão ecológica no PC 2
Vazão
outorgável
proveniente do
PC 1
Vazão outorgável da bacia
incremental entre os PC 1 e 2
Vazão outorgável no PC 1
Vazão outorgável no PC 2
Vazão ecológica do PC 1
Vazão ecológica da bacia incremental
entre os PC 1 e 2
Figura 4 - Representação da orientação simplificada da outorga: vazão referencial é a vazão de contribui-
ção da bacia incremental
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Caítulo 5 - Instrumentos de Gestão das Águas: Outorgas
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Na primeira seção, ou ponto característico 1 (PC 1), está marcada a vazão outorgável para os de-
mais usos além da proteção à natureza, dada pela diferença entre a vazão referencial e a vazão ecológica.
Na