Lanna-Cap6
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praticados (2 a 3 l/s/ha) e, portanto, suben-
tendem a situação de uso eficiente da água que será induzido pela cobrança.
As Tabela 14 a Tabela 16 apresentam os resultados da análise econômica considerando 6 perío-
dos de análise, entre 5 e 30 anos, e dois critérios: o da rentabilidade, ou seja, da taxa interna de retorno, e o
dos benefícios líquidos, que são apresentados em duas versões: a do valor presente e a do valor equiva-
lente anual. Adotou-se a taxa de desconto 12% ao ano nesses casos. Uma terceira coluna apresenta os va-
lores que interessam à presente análise: o valor da anuidade equivalente por mil m3. Ele representa o que
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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poderia ser considerada como uma estimativa da disposição a pagar do agricultor pelo fator água. Caso o
valor apresentado seja cobrado os benefícios líquidos, e portanto a rentabilidade, serão nulos.
Tabela 14 - Índices econômicos para irrigação do arroz por inundação, energia diesel, por hectare
Benefícios líquidos (US$)Períodos de
análise
(anos)
Rentabilidades
(%) Valor presente Anuidade
equivalente
Anuidade /
mil m3
5 7,1 -108,6 -30,1 <0
10 11,9 -2,8 -0,5 <0
15 12,6 25,3 3,7 0,25
20 13,3 61,6 8,2 0,55
25 13,5 71,0 9,0 0,61
30 13,7 84,2 10,4 0,70
Tabela 15 - Índices econômicos para irrigação do arroz por inundação, energia elétrica, por hectare
Benefícios líquidos (US$)Períodos de
análise
(anos)
Rentabilidades
(%) valor presente Anuidade
equivalente
anuidade /
mil m3
5 18,9 186,3 51,7 3,5
10 23,9 490,5 86,8 5,9
15 24,5 626,3 91,9 6,2
20 24,8 718,4 96,2 6,5
25 24,9 763,9 97,4 6,6
30 25,0 793,6 98.5 6,7
Tabela 16 - Índices econômicos para irrigação do arroz por inundação por gravidade, por hectare
Benefícios líquidos (US$)Períodos de
análise
(anos)
Rentabilidades
(%) Valor pre-
sente
Anuidade equi-
valente
Anuidade /
mil m3
5 43,6 861,7 239 16,2
10 47,0 1.525,7 270 18,3
15 47,2 1.875,2 275 18,6
20 47,2 2.097,1 281 19,0
25 47,3 2.214,3 282 19,1
30 47,3 2.228,4 276 18,7
Nota-se que o uso de moto-bomba a diesel exige largo período para que as rentabilidades atinjam
valores aceitáveis. Mesmo na situação mais favorável, em que a água é aduzida por gravidade, as rentabili-
dades tornar-se-ão reduzidas caso o fator água seja cobrado na faixa de US$ 16 a 18 por mil m3, valores de
custo de oferta de mil m3 de água na bacia do rio Vacacaí. Isso mostra a pequena disposição a pagar pelo
fator água nas culturas de arroz irrigado, devido ao excessivo consumo desse fator.
Irrigação de soja e milho por aspersão
Para a soja e milho, plantados no mesmo plano agrícola anual, com duas safras, dois métodos de
irrigação foram considerados como mais prováveis de serem utilizados: a aspersão convencional, em 25
hectares, e o pivot central, em 100 hectares. Foi suposto que a área a ser irrigada dispõem de fonte hídrica
à distância de 500 m, onde faz a captação por bombeamento eletro-mecânico ao fio de água. Apenas a uti-
lização de energia elétrica no ponto de captação foi prevista já que no caso do arroz havia sido verificada a
baixa eficiência econômica do uso de motores a diesel (Tabela 14).
O consumo anual de água esperado por hectare, calculado por balanço hídrico, foi de 2.990 m3 ao
ano, sendo 170 m3 na safra de verão e 2.820 m3 na safra de inverno, o que resulta o valor de 0,33 l/s/ha
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Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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de necessidade na safra de inverno, que é a estação seca. Trata-se, como no caso do arroz, de um uso efi-
ciente da água, supostamente induzido pela sua cobrança, já que os valores usualmente adotados são da
ordem de 0,5 a 1 l/s/ha.
As Tabela 17 e Tabela 18 apresentam os mesmos índices econômicos calculados para o arroz.
Nota-se, particularmente quando se adota o método de irrigação por aspersão com pivô central, disposi-
ções de pagamento que permitem a adoção da cobrança pelo fator água, com os custos de oferta do rio
Vacacaí ou, até mesmo, do Curú.
Tabela 17 - Índices econômicos para irrigação por aspersão convencional de soja e milho, por hectare
Valor presente dos benefícios líquidos
(US$)
Períodos de
análise
(anos)
Rentabilidades
(%)
Total Anuidade
equivalente
Anuidade /
mil m3
5 14,9 199,1 55,2 18,5
10 17,7 585,8 104 34,7
15 18,9 873,7 128 42,9
20 19,0 962,7 129 43,1
25 19,1 1.048,3 134 44,7
30 19,2 1.093,1 136 45,4
Tabela 18 - Índices econômicos para irrigação por pivô central de soja e milho, por hectare
Benefícios líquidos
(US$)
Períodos de
análise
(anos)
Rentabilidades
(%)
Valor pre-
sente
Anuidade
equivalente
Anuidade /
mil m3
5 20,4 505,0 140 46,8
10 23,2 1.005,1 178 59,5
15 24,1 1.325,3 194 65,1
20 24,2 1.463,3 196 65,5
25 24,3 1.568,3 200 66,8
30 24,3 1.619,7 201 67,2
Uso de água para irrigação no Sudeste de Santa Catarina
Esta é uma região temperada úmida com solos de várzeas aptos à irrigação do arroz por inunda-
ção, com cerca de 100.000 ha já desenvolvidos. A maior restrições para expansão da área cultivada é a ca-
rência de água.
A disposição a pagar do agricultor pela água é calculada tendo por base um levantamento dos
custos de produção realizado por BECK (1995), resumido na Tabela 19. Supôs-se que a produtividade é
de 110 sacos de arroz por hectare, ou 5.500 kg/ha. Este é um valor médio para a região, havendo produ-
tores que obtêm 130 sacos ou mais. A tabela apresenta 3 situações em que o preço de mercado do saco de
arroz varia de US$ 10 a US$ 20. As rentabilidades mostram-se atraentes em qualquer situação, nesta situa-
ção em que a água bruta não é cobrada.
O custo do arrendamento existe quando o agricultor não é proprietário da terra que cultiva. Se ele
for proprietária haveria que se considerar o capital imobilizado neste ativo, para cálculo da rentabilidade.
Os juros são aplicados sobre as despesas de custeio quando o agricultor opta por financiá-las. O fator
água não é cobrado. Os 3 sacos por hectare são devidos à Cooperativa de Irrigantes para ressarcimento
dos custos de operação e manutenção da rede de canais de adução.
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Tabela 19 - Custos de produção em 1 hectare de arroz (Sul de Sta. Catarina)
Item Unidade Quantidade Preço Unitário Preço Total
Insumos
Semente saco 2,50 20,00 50,00
Clor. Pot. kg 66,00 0,19 12,54
Sup. F. Trip. kg 100,00 0,24 24,00
Uréia kg 100,00 0,28 28,00
Herbicida A kg 0,40 69,00 27,60
Herbicida B litro 0,06 108,00 6,48
Inseticida A kg 1,80 2,21 3,98
Inseticida B litro 0,06 16,60 1,00
TOTAL 1: 153,59
Preparo do solo
Aração horas 2,00 17,20 34,40
Gradagem horas 2,50 17,85 44,63
Rotativagem horas 2,00 20,83 41,66
Alisamento horas 0,50 17,00 8,50
TOTAL 2: 129,19
Tratamentos
Mão de obra dias 6,00 10,00 60,00
Água6 sacos 3,00 10,00 30,00
TOTAL 3: 90,00
Outros7
Colheita % safra 11,00 121,00
Transporte % safra 1,00 11,00
Secagem % safra 6,00 66,00
Armazenagem % safra 1,00 11,00
Arrendamento % safra 25,00 275,00
TOTAL 4: 484,00
Insumos 153,59
Preparo do solo 129,19
Tratamentos 90,00
Outros 484,00
Juros: 14,5% de (1+2+3) 54,05
Proagro e Ass. Técnica: 6,6% de (1+2+3) 24,60
Funrural: 2,5% de (1+2+3) 9,32
RESUMO
TOTAL GLOBAL: 944,75
RESULTADOS US$ 10/saco US$ 15/saco US$ 20/saco
Renda bruta:
Renda líquida:
Rentabilidade:
US$1.100,00
US$ 155,25
16,4 %
US$ 1.650,00
US$ 705,25
74,6 %
US$ 2.200,00
US$ 1255,25
132,9 %
Suposição: Produtividade (sacos de arroz/ha): 110
Estes resultados permitem concluir, novamente, que a margem bruta é insuficiente para cobrir
custos incrementais de oferta da água De fato, um consumo de água normal de 1,5 l/s/ha resultará em
cerca de 1300 m3 por safra. A cobrança deste volume de água bruta aos custos de disponibilização incre-
 
6 Pagamento da água (preço 1) fornecida pela cooperativa de irrigantes: base de 3 sacos de arroz por ha irrigado.
7 Valores em porcentagem da safra colhida. O custo do arrendamento é o praticado