Lanna-Cap6
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Lanna-Cap6


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uso da água bruta (preço 3).............................................................................. 161
Critério para cobrança pelo lançamento de efluentes (preço 4) .................................................................. 161
Aplicação dos critérios de cobrança à bacia do rio dos Sinos...................................................................... 164
Resultados da cobrança pelo uso da água bruta (preço 1) .......................................................................................... 164
Avaliação dos impactos econômicos da cobrança na bacia do rio dos Sinos ....................................................... 169
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES SOBRE A COBRANÇA PELO
USO DA ÁGUA NO BRASIL .................................................................... 173
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO .............................................................. 174
REFERÊNCIAS ........................................................................................... 175
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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INTRODUÇÃO: FUNDAMENTOS DA COBRANÇA PELO USO DA
ÁGUA
A cobrança faz parte dos instrumentos econômicos de Gestão das Águas. Sua localização no pro-
cesso de planejamento acha-se representada na Figura 1.
- o uso dos recursos hídricos;
- o controle das águas;
- a proteção das águas.
Medidas estruturais para :
MEIO TÉCNICO
Metas de uso, contro le e
proteção da água :
- enquadramento qualitativo;
- enquadramento quantitativo.
MEIO DECISÓRIO
MEIO SOCIAL E POLÍTICO
C e n á r i o s a l t e r n a t i v o s d e
demandas setoriais:
Políticas, planos ou intenções
setoriais de uso ou controle
dos recursos hídricos :
Políticas, planos ou intenções
re lac ionadas à proteção
ambiental
Indicadores para análise:
- abastecimento público;
- uso industrial;
- agricultura (irrigação);
- transporte (navegação);
- uso energético;
- controle de cheias;
- recreação e lazer;
- outros.
- econômicos;
- de impactos ambientais;
- de impactos sociais;
- de viabilidade política;
- de risco.
Demandas sócio-econômicas Diretrizes político-administrativas
USUÁRIOS DE
ÁGUA
OUTRAS
ENTIDADES
INDICADAS PELA
SRH/BA
SUPERINTENDÊNCIA DE
RECURSOS HÍDRICOS
PLANO DE RECURSOS HÍDRICOS
APROVA INTERVENÇÕES
Análise Multi-Objetivo
SOLICITA
NOVAS
ANÁLISES
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Intervenções :
Instrumentos de
Gestão :
- Cobrança
Figura 1 - Inserção da cobrança no processo de planejamento
Nesta primeira parte do capítulo serão analisados os fundamentos econômicos deste instrumento,
sob a ótica de duas abordagens de análise de projeto: a análise custo-benefício e a análise custo-
efetividade. Serão considerados os dois tipos de uso da água bruta, ou seja, disponível naturalmente no
ambiente:
1. para consumo ou como fator de produção, e
2. como corpo receptor de efluentes.
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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O texto é baseado em CÁNEPA, PEREIRA e LANNA (1999).
Quando se trata da cobrança pelo uso da água é comum se ouvir a alegação de que a água já é
paga pelo consumidor. A resposta a essa objeção levará à conceituação dos 4 preços da água. Numa gran-
de cidade típica um consumidor urbano paga 2 preços pela água potável que consome:
1. preço correspondente à captação, potabilização e distribuição da água tratada;
2. preço correspondente ao esgotamento sanitário, i. é, o transporte da água residuária de volta ao curso
d'água.
Nesse esquema, o rio - quer como fonte do recurso, quer como fossa do resíduo - é de livre aces-
so, gratuito. Nos primórdios do desenvolvimento e da urbanização, com baixa renda per capita e baixa
densidade populacional, esses dois preços cobrados pela água são perfeitamente funcionais, cobrindo os
custos que a sociedade tem na provisão do serviço de abastecimento e esgotamento sanitário. A gratuida-
de do rio é possível, pois sendo ele abundante relativamente às necessidades, todos os demais usos (tomar
banho, pescar, navegar, etc.) são viáveis, não sofrendo interferência do uso urbano - a capacidade de su-
porte e de assimilação do rio são suficientes para todos os usos, a preço zero. Entretanto, à medida que o
desenvolvimento econômico se processa, a crescente renda per capita, bem como o crescimento popula-
cional da cidade, fazem com que, num estágio inicial, o despejo de esgotos cloacais de volta ao rio, ao
exceder a capacidade de autodepuração do mesmo, provoque uma degradação de qualidade do rio de tal
ordem que desapareça a balneabilidade e a pesca, e o próprio abastecimento de água potável seja encareci-
do, via aumentos de custos de tratamento. Num estágio mais avançado, se a retirada de água for excessiva
em relação à capacidade de suporte, problemas quantitativos também podem ocorrer. Seja como for, o
fato é que o rio se tornou escasso, a totalidade dos usos, com livre acesso e a preço zero, não é mais pos-
sível.
É nesta situação que a sociedade pode decidir pela intervenção do Poder Público - no limite, es-
tabelecendo a propriedade estatal do recurso, que passa a não ser mais de livre acesso - no sentido de ra-
cionar e racionalizar os usos. Aqui, por sua vez, surge o Princípio-Usuário-Pagador como instrumento
desse racionamento e racionalização, implicando mais dois preços para a água:
3. um preço correspondente à retirada, que será acrescido à conta de água tratada, no sentido de frear o
consumo, viabilizando inclusive o investimento em dispositivos poupadores ou que aumentam a
oferta de água; e
4. um preço correspondente ao despejo de esgotos no rio (o mais conhecido Princípio-Poluidor-
Pagador), e que acompanhará a tarifa de esgoto, no sentido, também, de refrear o seu lançamento1 e
viabilizando investimentos em, por exemplo, estações de tratamento.
Os preços 3 e 4 integram o chamado Princípio-Usuário-Pagador (PUP) e constituem um instru-
mento crescentemente utilizado no sentido de viabilizar os diversos uso de um curso d'água que se tornou
escasso. Evidentemente, toda esta análise dos 4 preços, com as devidas adaptações, pode ser estendida aos
demais usuários.
Análise de projetos
Dois tipos de análise existem na avaliação de projetos que determinam adaptações importantes
aos dois princípios enunciados (PUP e PPP): a análise custo-benefício e a análise custo-efetiviidade. Elas
serão analisadas a seguir, considerando o uso da água como fator de produção ou consumo, ou para dilui-
ção de despejos.
 
1 Se a tarifa, por unidade despejo, for suficientemente alta, custará menos ao munícipe tratar ponderável parcela do es-
goto e pagar pela poluição residual, do que pagar pelo despejo total do esgoto gerado
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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Diluição de Despejos
Neste caso a água é usada para diluição, afastamento e depuração de resíduos das atividade hu-
manas. A cobrança deste uso acha-se sob a ótica do Princípio-Poluidor-Pagador.
Abordagem Custo-Benefício (ACB)
Seja o caso de uma bacia hidrográfica hipotética e um poluente hídrico qualquer - DBO, por
exemplo - cujo montante de emissões totaliza uma certa quantidade de toneladas/ano. Considere-se, ago-
ra, a possibilidade de cotejar os custos e os benefícios de vários níveis possíveis de abatimento das emis-
sões, variando entre 0% e 100% do total. Quanto mais níveis (pontos) puderem ser estimados, tanto me-
lhor será a aproximação das curvas contínuas da Figura 2.
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Abatimento da poluição (%)
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A B
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Figura 2 - Custos e benefícios totais e marginais de controle
A curva CT, Custos Totais de Controle, é uma curva que registra