Lanna-Cap6
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Lanna-Cap6


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poderá ser considerada. Uma questão que se coloca é se
essa lei tem efeitos para fins da cobrança no Estado, e deverá ser respondida por análises jurídicas. Uma
terceira alternativa será a adoção de um custo incremental médio de oferta da água ou da capacidade de
assimilação
Finalmente existe a questão, que não pode ser ignorada, da ocorrência de anos extremamente se-
cos, quando políticas mais rigorosas de racionamento e controle da poluição deverão ser adotadas. Os es-
quemas de racionamento por cotas e por preços deverão ser analisados criteriosamente quanto às vanta-
gens e viabilidades de introdução. Particularmente no que diz respeito à irrigação, o racionamento por
preços, através de mercado induzido e controlado pelo poder público, aparece como alternativa para per-
mitir a racionalização da produção agrícola quando não existe água suficiente para exploração de toda área
irrigável. No que diz respeito ainda a racionamento de água, não se poderia deixar de comentar a possibi-
lidade de racionalização do consumo. Racionalização pode ser definida como um tipo de racionamento
preventivo em que o usuário se prepara antecipadamente para enfrentar a carência de água com mínimo
prejuízo. Em certas situações ele pode inclusive controlar desperdícios de água sem praticamente nenhum
prejuízo ao usuário. A alternativas de racionalização que serão fatalmente estimulada pela adoção da co-
brança deverão ser sinalizadas aos usuários pelo projeto. Nesse sentido, deverão ser divulgadas práticas
adequadas para a região, envolvendo métodos de irrigação, dimensionamento de estruturas, calendários
agrícolas e decisões sobre o uso de água atreladas a previsões hidrológicas de médio ou longo prazo.
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
1. A cobrança pode ser implementada como instrumento de estímulo à eficiência econômica do uso da
água ou como fator de viabilização financeira dos investimentos pretendidos na bacia. Quais as vanta-
gens e desvantagens de cada motivação e quais as dificuldades que suas implementações podem apre-
sentar?
2. As seguintes objeções podem ser levantadas em relação à cobrança pela emissão de poluição, como
forma de estabelecer seu controle:
a) por parte dos poluidores: trata-se de um duplo encargo, uma vez que devem pagar pela polui-
ção, além de arcarem com os custos de instalação e operação de equipamentos de tratamento;
b) por parte dos consumidores: o setor produtivo deverá repassar as tarifas aos preços dos pro-
dutos e no final quem deverá pagar pelo controle da poluição será, como sempre, única e ex-
clusivamente, o consumidor;
c) por parte dos ambientalistas: a cobrança significa uma "licença para poluir"; os poluidores, exi-
bindo dinheiro, se reservarão o direito de degradar o ambiente, como se fosse suas proprieda-
des.
Apresente argumentos para refutar cada objeção.
3. Subsídios são sempre um estímulo à ineficiência econômica; no entanto, às vezes são inevitáveis para
atender a outros objetivos não econômicos. Quais os limites que deveriam ser colocados às suas con-
cessões? Quais as vantagens e desvantagens dos subsídios diretos sobre os cruzados?
A. Eduardo Lanna (1999) Gestão das Águas
Capítulo 6 - Instrumentos de gestão das águas: cobrança
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4. Como resolver a situação de aumento de consumo de água em uma bacia devido ao seu desenvolvi-
mento em conjunto com o esgotamento do recurso hídrico aplicando-se os instrumentos de outorga e
cobrança? Quais as vantagens do uso exclusivo de um ou outro? E de ambos?
5. Aos Comitês de Gerenciamento de Bacia Hidrográfica são asseguradas diversas atribuições deliberati-
vas relacionadas ao instrumento de cobrança pelo uso da água. Quais dificuldades existem para que os
Comitês as exerçam? Quais as alternativas para facilitar as suas execuções?
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