Apo - aula Introdução à Adm da Produção e Operação
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Apo - aula Introdução à Adm da Produção e Operação


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Decisões sobre Capacidade 
 
 Os estudos de mercado e a previsão da demanda a longo prazo alimentam as decisões sobre 
a capacidade necessária no futuro para a unidade de produção. Essas decisões sobre capacidade 
influenciam diretamente no planejamento das instalações produtivas e, conseqüentemente, no 
planejamento das necessidades de mão-de-obra e equipamentos. Desta forma, o efeito das decisões 
tomadas no presente sobre a capacidade acabam por se fazer sentir por muito tempo no 
futuro, ou seja, no longo prazo. Derivamos daí uma primeira razão para a importância das 
decisões sobre a capacidade: elas têm um impacto potencial sobre a habilidade da empresa em 
atender a demanda futura: a capacidade planejada dá o limite de atendimento possível. Além 
disso, existe o compromisso dos recursos a longo prazo: modificações drásticas na capacidade 
dificilmente são viáveis sem que se incorra em novos custos, forçosamente substanciais. 
 Uma segunda razão diz respeito à relação entre capacidade e custos operacionais. Se, a cada 
momento, a capacidade igualar a demanda, não haverá excesso de custos. Esse excesso acontece 
quando a capacidade supera ou fica abaixo da demanda, que varia no curto prazo devido aos 
fatores sazonais (ver o Capo 11: Previsão da Demanda) e no longo prazo devido às condições 
gerais dos negócios, às quais se dá a designação genérica de ciclos de negócios. Essas necessidades 
de adaptação são inevitáveis, sem dúvida, mas existem limites ditados por decisões adequadas 
sobre a capacidade. Operar muito tempo com uma capacidade excessivamente acima ou abaixo 
das necessidades do mercado irá aumentar inutilmente os custos operacionais, o que poderia 
eventualmente ter sido evitado através de uma análise mais criteriosa das necessidades de 
capacidade das instalações e de um plano racional de expansão. 
 Uma terceira razão - o alto custo inicial que se segue às decisões sobre a capacidade - 
também justifica a importância de um estudo bem feito da capacidade. Essa razão interliga-se às 
demais, sendo que uma acaba reforçando a outra. Em síntese, as decisões sobre capacidade 
merecem muita atenção pelo seu caráter essencialmente estratégico, que se reflete no envolvimento 
de grandes somas de dinheiro, na imobilização forçada de recursos, nas dificuldades posteriores 
de mudança e no grande impacto sobre os custos de operação. 
 
3. Medida da Capacidade 
 
Existem duas formas de se medir a capacidade de uma unidade produtiva: 
- através da produção 
- através dos insumos 
 
3.1. Medida Através da Produção 
 
 Nesse caso, as unidades de medida devem ser comuns ao tipo de produto produzido. Em 
outras palavras, é impraticável misturar medidas, tais como metros com toneladas e assim por 
diante. Pode-se perceber que, se existe um só produto, ou produtos semelhantes, não há problema 
algum em se medir a capacidade pela produção. É o caso, por exemplo, de uma usina de álcool, 
cuja capacidade pode ser medida em litros por mês (ou por dia, semana, etc.). Se existirem vários 
produtos, as necessidades e recursos produtivos são diferentes para as diversas combinações 
desses produtos. Para exemplificar, imagine-se que as capacidades de montagem de rádios e 
televisores em uma companhia sejam expressas individualmente por 1000 rádios ou 600 televisores 
por dia. Se trabalharmos apenas com as unidades, e supondo que os recursos possam se 
distribuir linearmente entre rádios e televisores, então a capacidade de montagem pode ser, por 
exemplo, de 800 unidades (500 rádios e 300 televisores) ou então 900 unidades, formadas por 
750 rádios e 150 televisores, e por aí afora. Mudando a composição dos produtos, muda então a 
capacidade em termos de unidades. No caso de se possuir vários produtos, uma forma alternativa 
de se expressar a capacidade pode ser através dos insumos utilizados para a produção dos bens 
ou prestação dos serviços. 
 
3.2. Medida Através dos Insumos 
 
 Em organizações de serviços, freqüentemente a maneira mais viável de se medir a 
capacidade é por meio dos insumos utilizados, já que existe dificuldade, em muitos casos, de se 
identificar o que seja a produção e conseqüentemente de medi-Ia. É fácil de entender o que 
queremos dizer considerando a medida da capacidade de um hospital, por exemplo. Dada a 
variedade de serviços médicos que aí são prestados, e dada a dificuldade de se medir esses serviços 
de forma isolada da qualidade que os acompanha, há mais sentido em se referir a capacidade ao 
número de leitos disponíveis. Em geral, quando se trata de serviços puros, prescinde-se, na medida 
da capacidade, da referência a um determinado período. Voltando ao hospital, teria pouco sentido 
falar em 500 leitos/mês, digamos, dada a variabilidade do tempo de permanência de cada paciente. 
 
4. Expansão da Capacidade 
 
 Ao longo do tempo, à medida em que a demanda apresenta um padrão de crescimento, a 
empresa provavelmente necessitará ir acrescendo alguma capacidade àquela já existente. Em 
geral, esse acréscimo de capacidade não se dá de forma contínua, mas sim "aos saltos", que 
podem ser maiores ou menores, dependendo de fatores específicos do momento. Claro está que 
esses saltos de capacidade podem ter um limite muito definido, obrigando finalmente a empresa 
procurar instalações completamente novas ou acomodar a necessidade extra de capacidade em 
outro local. Ainda mesmo no projeto inicial da capacidade, quando as instalações ainda vão ser 
construídas ou adquiridas, já se deve pensar em formas possíveis de se expandir a capacidade no 
futuro. Em projetos de plantas industriais, é comum deixar-se uma área destinada a expansões. 
Assim fazendo, o custo de se obter capacidade extra é provavelmente menor do que remodelar 
toda uma estrutura sem essa provisão. 
 Outra forma de se obter alguma capacidade a mais é através de uma reorganização do 
arranjo físico de equipamentos, escritórios, áreas de circulação, etc. Como já foi dito, um bom 
arranjo físico influencia de perto a capacidade. Ainda outras maneiras de se aumentar a capacidade 
seriam as seguintes: 
 
a) utilizar a capacidade ociosa dos equipamentos, ou substituí-los por outros mais modernos 
e de maior capacidade, embora sem ocupar proporcionalmente maior espaço; 
 
b) utilizar técnicas de programação e controle da produção ou das operações que possam, sem 
grandes alterações nos equipamentos e no arranjo físico, aumentar a produção; 
 
c) aproveitar melhor os espaços por meio da redução de estoques de produtos, matérias-primas 
ou materiais semi processados. 
 
 Em geral, é relativamente difícil promover mudanças radicais da capacidade a curto e a 
médio prazo. Na indústria, determinadas necessidades de capacidade, principalmente devidas à 
sazonalidade (aumento ou queda da demanda em épocas bem definidas), podem ser acomodadas 
por meio de certos recursos, tais como manter a fábrica funcionando normalmente nas épocas de 
baixa demanda e estocar o excedente, contratar mão-de-obra temporária, operar em horas extras, 
subcontratar operações, etc. Comentários mais detalhados sobre essas possibilidades serão vistos 
no Capo 12, dedicado ao Planejamento Agregado. Em atividades de serviços, a estocagem não é 
possível, mas alguns outros recursos podem ser usados. Assim, por exemplo, para acomodar a 
elevação da demanda, as lojas contratam funcionários temporários na época do Natal, acontecendo 
o mesmo com as livrarias ao início das aulas. De maneira geral, porém, nem sempre isso é 
possível, o que acaba respondendo por cenas comuns em serviços, como as filas nos bancos ou 
os restaurantes lotados em dias de grande movimento. 
 
AULA 09 - AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE ALTERNATIVAS DE CAPACIDADE 
 
 Das técnicas disponíveis para o estudo de alternativas de capacidade, iremos nos restringir à 
chamada análise custo - volume ou análise do ponto de equilíbrio. A análise do ponto de equilíbrio 
estabelece uma relação entre