Apo - aula Introdução à Adm da Produção e Operação
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Apo - aula Introdução à Adm da Produção e Operação


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volume de recursos, isto é, sem aumentar o número 
de máquinas ou operários. A produtividade pode ser elevada por meio da racionalização, de novas 
tecnologias, da mecanização, do treinamento do pessoal, da melhor organização do trabalho etc. É a 
produtividade que permite a competitividade da empresa. Uma empresa é competitiva em relação às 
outras quando consegue gerar produtos de melhor qualidade, maior utilidade e com custos menores. 
A competitividade é a melhor arma para a empresa lidar com seus concorrentes e sobressair-se no 
mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 06 - PROJETO E MEDIDA DO TRABALHO 
 
 
1. Introdução 
 
 É sem dúvida um truísmo dizer que as organizações dependem de seus funcionários. 
Ninguém duvida que empregados bem motivados, entrosados com os objetivos da organização e 
preocupados com a produtividade, sejam um fator tão importante que pode até mesmo influir 
decisivamente na competitividade da organização. Todos sabem também que há uma zona de 
conflito potencial entre o elemento humano e a organização. Os objetivos e as necessidades 
individuais não necessariamente são concordes com os objetivos da empresa. Muitas vezes, os 
métodos de trabalho que conduzem à maior produtividade são exatamente aqueles que mais 
desagradam às pessoas. Certos objetivos, como a redução de custos, são claramente contrários a 
outros, como o aumento salarial, por exemplo. Mesmo que sejam eliminadas outras fontes de 
atrito, ainda assim o empregado pode não gostar do que faz, ou da maneira como o faz. Há cerca 
de duas décadas, um relatório ficou famoso nos Estados Unidos. Elaborado por uma força tarefa 
da Secretaria da Saúde, Educação e Bem-Estar daquele país, o relatório recebeu o nome de Work 
in America e foi publicado em 1973 pelo Upjohn Institute for Employement Research. A grande 
conclusão era a de que os trabalhadores estavam insatisfeitos com o seu trabalho, no sentido de 
que ele era cansativo, monótono e desinteressante. Isso acontecia mais especialmente, como seria 
de se esperar, com os operários das linhas de montagem - sobre a qual conta-se que Henry Ford 
teria dito ser uma bênção dos céus para os trabalhadores com pouco cérebro. Além disso, o 
relatório apontava que os empregados apreciariam possuir uma maior autonomia de decisão sobre 
o seu próprio trabalho, ou seja, gostariam de poder opinar como fazê-lo ou como modificá-lo. 
 Fica claro que não podem ser comparados diretamente os problemas de operários norte-
americanos e brasileiros. O relatório retrata a situação e os problemas de operários que têm um 
padrão de vida muito superior em relação aos nossos, o que faz com que suas necessidades sejam 
simplesmente diferentes, ou antes, a prioridade colocada sobre certos elementos é diferente. O 
problema fundamental do operário brasileiro, como classe, é o salarial. Relativamente pouca 
atenção tem sido dada a questões como conforto e segurança no trabalho (a esse respeito, ver 
Gozzi, 1991). Deixar de lado tais problemas de adequação ao trabalho apenas porque existem 
outros talvez mais imediatos seria porém um erro. O problema homem - trabalho deve ser 
atacado dentro de uma companhia antes mesmo que se torne crítico, até mesmo antes que se 
manifeste, em nível preventivo. Não é inteligente acrescentar à eventual insatisfação salarial, e ao 
despreparo técnico, mais uma fonte de problemas ligados à insatisfação com o trabalho em si. 
 
1.1. Conceito de Projeto do Trabalho 
 
 A palavra trabalho tem vários sentidos e até agora a usamos de forma vaga, significando 
"aquilo que o indivíduo faz dentro de uma organização". De uma forma mais restrita, entendemos 
como trabalho o conjunto específico de tarefas de cada empregado. Essas tarefas estão ligadas 
geralmente por uma certa similaridade, embora possa acontecer de alguém desempenhar grupos de 
tarefas radicalmente diferentes, caso em que estaria desempenhando dois ou mais "trabalhos" 
diferentes. Supondo que essa seja a exceção e não a regra, associaremos a cada indivíduo um 
conjunto específico de tarefas, às quais damos o nome de trabalho. Por outro lado, vários indivíduos 
em uma mesma organização podem ser responsabilizados por trabalhos idênticos, ou seja, o número 
de diferentes trabalhos é menor ou igual ao número de funcionários. 
 Qualquer organização tem, portanto, um conjunto de trabalhos, espalhados de acordo com 
certos critérios pelas várias unidades funcionais. O projeto do trabalho diz respeito exatamente à 
especificação dos conteúdos e dos métodos associados a cada um desses trabalhos. O objetivo do 
projeto do trabalho é criar um ambiente produtivo e eficiente, onde cada um saiba o que fazer e 
como fazê-lo. O projeto de um particular trabalho pode conduzir a mais de uma alternativa de 
execução; ter mais de uma alternativa disponível é desejável, na medida em que se deve levar em 
consideração, quando do projeto de um particular trabalho, quais os custos envolvidos em cada 
alternativa, qual a produtividade que se espera alcançar e quais as implicações sobre o conforto 
e o bem-estar do funcionário que fará o trabalho. Desta forma far-se-á a escolha. Como vemos, 
o projeto do trabalho responde quem fará o trabalho (não nomeando um funcionário, mas sim 
dando as características gerais de habilidade requisitadas para o trabalho), como o fará (ou seja, 
o método de trabalho) e onde o fará (máquina ou máquinas, setor, divisão, etc.). 
 Pela sua própria natureza, ou seja, pelas perguntas que deve responder, o projeto do trabalho 
pode ser visto de três diferentes ângulos, complementares entre si. Tais ângulos equivalem a 
responder às seguintes perguntas fundamentais: 
 
a) quais os requisitos do projeto do trabalho em relação à satisfação, conforto e bem-estar 
dos funcionários; 
 
b) como sistematizar a busca dos métodos de trabalho, isto é, quais são as técnicas disponíveis 
tanto para documentar um método atual como para propor outros métodos alternativos; 
 
c) como efetuar a medida do trabalho, ou seja, os registros do tempo necessário para fazer o 
trabalho, de maneira que possam ser estabelecidos padrões de tempo (no final das contas, de 
eficácia) contra os quais comparar o desempenho dos empregados. 
 
 Ao longo do presente século, pode-se dizer que o projeto do trabalho recebeu grande 
influência de duas diferentes correntes de pensamento, baseadas em duas concepções do homem 
em si e quase que radicalmente opostas. De um lado temos a corrente mecanicista ou objetiva, 
inspirada nos trabalhos do engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor e seus seguidores, 
que se tornaram mundialmente conhecidos em princípios do século. Em poucas palavras, pode-se 
dizer que esse é um movimento de racionalização do trabalho, tendo como princípio uma 
adequação perfeita entre o homem e a máquina. De outro lado temos a corrente comportamental 
ou humanista, que nasceu como uma reação ao movimento taylorista e divulgou-se a partir da 
década de 30, sendo conhecido como o movimento de relações humanas, a partir dos trabalhos 
de George Elton Mayo, de Harvard. Hoje em dia, o moderno projeto do trabalho não só incorpora 
conceitos e ensinamentos de ambos os movimentos, como também abriu-se a idéias novas, que 
vão além das duas correntes originais. 
 Para dar ao leitor uma idéia sobre a diferença de enfoque das duas correntes, comecemos 
pela visão que cada uma delas coloca sobre o projeto do trabalho. A escola objetiva focaliza-se 
sobre a tarefa a ser desempenhada e sobre a relação puramente física entre a tarefa e o indivíduo que 
vai desempenhá-la. O indivíduo é visto de forma neutra, motivado apenas por ganhos pecuniários. 
O funcionário fará melhor seu trabalho se souber que irá ganhar mais com isso. Necessidades 
físicas e conforto são importantes, mas as necessidades psicológicas desempenham um papel 
menor. A corrente comportamental, por sua vez, considera como foco de atenção o próprio