técnicas_de_comu... (1)
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Izidoro
Blikstein
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ESCRITA
Direção
Benjamin Abdala Júnior 
Samira Youssef Campedelli
Preparação do texto
José Pessoa de Figueiredo
Sueli Campopiano
Arte
Coordenação o projeto gráfico/miolo 
Antonio do Amaral Rocha
Ilustrações 
Marcus de Sant'Anna
Arte-final 
René Etiene Ardanuy
Capa
Ary Normanha
Para
Reveca Blikstein
ISBN. 85 08 02 3 95 2
Todos os direitos reservados
Editora Ática S.A.
Rua Barão de Iguape, 110 \u2014 CEP 01507-900
Tel.: PABX (011) 278-9322 \u2014 Caixa Postal 8656
End. Telegráfico "Bomlivro" \u2014 Fax: (011) 277-4146
São Paulo (SP)
Sumário
1. "Quem não escreve bem... perde o trem!"	.......................	 5
A história do gerente apressado......................................................	 5
2. Segredos da comunicação escrita....................................	 13
O que é escrever bem?....................................................................	 13
Três tropeços e três segredos..........................................................	 14
Primeiro tropeço: bilhete errado => resposta errada, 14; Primeiro segredo: mensagem correta => resposta correta, 15; Segundo tropeço: uma idéia clara e brilhante, mas... só na cabeça do autor!, 18; Segundo segredo: escrever bem = comunicar bem = tornar comum, 19; Terceiro tropeço: "Com vinagre não se apanham moscas!", 22; Terceiro segredo: escrever bem = persuadir, 22.
O tripé da comunicação escrita ......................................................	 23
Como segurar o tripé? ....................................................................	 24
3. Estrutura e funcionamento da comunicação ................	26
Para começar... uma estrutura de três peças ..............................	26
Remetente e destinatário: vistam a camisa, por favor! 27; Aviso importante! 28; Não basta ser uma boa idéia...tem de ser uma boa mensagem! 29; Como pegar a idéia 30; A mensagem é feita de signos 32; Resumo, 33; Tornar comum, 34.
O código: uma quarta peça meio escondida ................................	 34
Sem código... não há signo!, 35; Codificação e descodificação, 36; Descodificação, a meta!, 37; O domínio do código, 38; O código fechado, 40; O código aberto, 41; Código aberto ou código fechado? 42; Outro aviso importante!, 44; Um lembrete final, 46. 
Todos nós carregamos uma bagagem... cultural: o repertório ... ...	 46
 O que há dentro da bagagem ou... do repertório?, 48; Uma pergunta-chave: qual é o repertório do destinatário?, 50; Cuidado com estereótipos!, 51; Repertório: mais uma condição necessária, 53.
Sem veículo... a mensagem não chegará ao destinatário .............	 54
Utilização dos vários tipos de veículos, 55; A mensagem certa... no veículo certo, 55; Aviso importante!, 57; Veículo: mais uma condição para descodificar e mais uma peça da comunicação; 57.
Conclusão deste capítulo: condições necessárias, mas ainda não suficientes! ...................................................................................	 58
4. Ganchos para agarrar o leitor!. .......................................	60
É preciso "pescar" o leitor! ...........................................................	60
Primeiro gancho: "esfriar" a mensagem, ......................................	60
O caso da campanha de prevenção de acidentes na Trõbada S.A., 61; McLuhan: o pai do"gancho frio", 63; Uma boa estratégia: "ganhar" o leitor com o gancho frio, 65.
Segundo gancho: a imagem... que pode valer mais do que mil 
palavras! .......................................................................................	65
Gráfico salva vida de gerente!, 66; Não adianta falar ou escrever muito... é preciso mostrar, 69.
Iconicidade x linearidade ...............................................................	73
O caso das copiadoras xerox ou... a vitória do gerente apressado!, .73.
A mensagem escrita pode ter uma dose de iconicidade! ............	77
Primeira técnica: concisão e economia, 11; Segunda técnica: planejamento coerente e objetivo à vista, 80; Terceira técnica: disposição visual ou... leiaute, 82.
Terceiro gancho: comova e assuste o leitor! ................................	82
Emoção e poesia: um bom tempero, 83; Pregue um susto no leitor!, 84.
5. Receita para a eficácia da comunicação escrita .............	89
6. Vocabulário crítico ...........................................................	92
7. Bibliografia comentada ....................................................	96
1
"Quem não escreve 
bem... perde o trem!
A história do gerente apressado
Certa vez, um apressado gerente de uma grande empresa precisava de ir ao Rio de Janeiro para tratar de alguns negócios urgentes. Como tivesse muito medo de viajar de avião, deixou o seguinte bilhete para a sua recém-contratada secretária:
\ufffd
Sabe o leitor o que aconteceu?
O gerente, simplesmente, perdeu o trem!
Por quê? Bem, acontece que Maria, a nova secretária, ao ler o bilhete, franziu a testa e, com uma cara desanimada e cheia de dúvidas, ficou pensando, pensando... até que, finalmente, decidiu: foi, à noite, à estação ferroviária e reservou um lugar, para o dia seguinte, no trem das 8 h da manhã. Cumprida a tarefa, Maria foi para casa, com um sorriso nos lábios e muita alegria na alma, contente por ter resolvido bem o primeiro problema em seu novo trabalho. Mas... a sua alegria ia durar pouco! Ao chegar ao emprego, no dia seguinte, a dedicada secretária teve a estranha impressão de estar vendo um fantasma diante de si: lá estava o gerente, tranqüilo, fumando o seu perfumado cachimbo e assinando papeis, em meio a lentas e gostosas baforadas. Passado o primeiro susto, a perplexa Maria balbuciou:
\u2014 O senhor... ainda por aqui?
\u2014 Então, o que é que você acha? Onde é que eu deveria estar? \u2014 resmungou maquinalmente o gerente, enquanto, sem levantar a cabeça, continuava assinando papéis e cachimbando.
\u2014 Mas... mas... o senhor não ia para o Rio hoje?
\u2014 Ia, não... eu vou para o Rio hoje. Hoje à noite, não é mesmo? Não lhe pedi, ontem, para comprar uma passagem no trem das 8 de hoje à noite? Pois então... \u2014 continuou o gerente, falando entre os dentes, mordendo o cachimbo, com a cabeça enfiada nos papéis.
Atônita, a secretária, como fulminada por um raio, desabou na cadeira, diante de sua mesa de trabalho. Depois, pouco a pouco, foi recobrando os sentidos e recuperando as cores do rosto, ao mesmo tempo que ia disfarçando o mal-estar, arrumando papéis e limpando caprichosamente a mesa com um pano úmido.
 \u2014 Então, Maria, tudo certo com o trem das 8, hoje à noite, não é mesmo? \u2014 insistiu o gerente, mordendo o cachimbo.
\u2014 Oi?. retrucou a secretária, aparentemente calma.
\u2014 Estou perguntando a você: tudo certo com o trem do Rio? \u2014 retomou o já intrigado gerente, levantando a cabeça e encarando a enigmática moça.
\u2014 Oi?
\u2014 Oi, oi, oi, que mania do o/ ó essa! Você não podo responder direito, como gente? Afinal, cadê a passagem? \u2014 gritou o agora irritado gerente, que já não mais cachimbava.
\u2014 Passagem? Mas... que passagem? O senhor só pediu para reservar um lugar... Ah! já ia esquecendo: olhe, o senhor não leve a mal, por favor, mas... reservar se escrevo com s e não com z... \u2014 explicou Maria, com um ar de professora, sorrindo e piscando muito os olhos.
\u2014 Escute aqui, moça: não preciso de suas lições! Sei muito bem como as palavras se escrevem! Seus comentários são perfeitamente dispensáveis. Aliás... essa história de reservar com s ou com z não me "refresca" nada, agora! O que eu quero simplesmente é a minha passagem para o Rio, poxa! Pode ser?
\u2014 Não, infelizmente, não pode ser, porque... reservar um lugar é uma coisa e comprar uma passagem já é outra bem diferente...
Foi então que o gerente esmurrou a mesa e berrou a plenos pulmões:
\u2014 Cheeeeeeega, pelo amor de Deus! Isso já está virando uma palhaçada! Olhe aqui, mocinha: ontem, eu deixei um bilhete, pedindo para você me comprar uma passagem para o Rio, no trem das 8, de hoje a noite! Foi só isso que eu pedi. Tá claro? Mais claro do que isso daí... é impossível!