lei_saneam_residuos
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DisciplinaGestão de Recursos Hídricos358 materiais2.636 seguidores
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e obtusa em detrimento de um Projeto Nacional de Desenvolvimento de longo prazo. Assim, o Governo de uma só vez compromete o desenvolvimento sustentável, a competitividade da economia e o bem estar das gerações futuras.
Uma gestão de resíduos sólidos moderna não pode prescindir da contribuição da pesquisa, da inovação e do desenvolvimento tecnológico. Nesse aspecto a PNRS estabelece como um de seus objetivos que as variáveis tecnológicas sejam consideradas na gestão de resíduos sólidos. E, determina como um de seus instrumentos de execução a pesquisa científica e tecnológica.
Por aqui, atualmente a reciclagem gera US$ 2 bilhões/ano, ou seja, 0,3% do PIB, além de evitar a emissão de 10 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
Todavia, a prevenção e o manejo de resíduos permanecem como um grande desafio, pois embute a necessidade de repensarmos os atuais processos produtivos, sob o foco de produzirmos mais utilizando menos recursos naturais, além da necessidade de investirmos na inovação tecnológica, que pode criar toda uma gama de novos produtos que poderão, inclusive, influenciar nos modos de consumo da população.
Neste aspecto reside um potencial formidável para toda uma cadeia produtiva que começa a se estruturar no País a partir da regulamentação da PNRS, especialmente com a estruturação dos acordos setoriais e consequentemente da execução da logística reversa
RS: Como o consumidor será afetado no seu dia a dia? A partir de quando ele sentirá a diferença?Como o cidadão, contribuinte, será afetado no seu dia a dia? 8. Qual será o papel do público para garantir o sucesso da implementação a PNRS?
JV: A PNRS trata diretamente com o consumidor, sobretudo ao elencá-lo no rol da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
No que diz respeito a coleta seletiva e a logística reversa o consumidor tem função determinante para o sucesso de ambas as iniciativas, sendo que a lei inclusive é taxativa ao caráter obrigatório da participação dos consumidores, seja, por exemplo, no acondicionamento e na disponibilização correta dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis. A inobservância da Lei pelos consumidores poderá gerar advertência e multas.
Por outro lado também, a legislação abre o caminho para que o poder público municipal premie com incentivos econômicos seus munícipes (consumidores) que participarem da coleta seletiva formal.
Vale observar a importância dos órgãos de defesa dos consumidores internalizarem essa pauta de resíduos sólidos de forma efetiva. Pois, o modelo brasileiro estabelecido pela PNRS que tem como fundamento a logística reversa trará muitos benefícios aos consumidores, uma vez que o setor empresarial quando colocar um produto no mercado terá que apresentar a alternativa de destinação para o pós consumo, as entidades de defesa dos consumidores deverão contribuir para que o direito de descartar corretamente seja garantido.
RS: Qual o poder do governo para garantir a implementação do acordo (quais serão os agentes responsáveis pela fiscalização do cumprimento do acordo) ? Quais as obrigações dos governos estaduais e municipais?
JV: O Governo tem agido de forma objetiva e positiva para que os acordos setoriais não sejam \u201cletra morta de lei\u201d, e sim sejam instrumentos que promovam a mudança na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil.
Em tese a competência da fiscalização deverá ser feita pelos órgãos ambientais nas diferentes esferas (federal, estadual e municipal).
A PNRS tem o objetivo de estabelecer os princípios e normas gerais sobre a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos. Estados e Municípios que pela referida legislação têm competência para formalizar acordos setoriais e termos de compromisso devem a partir das diretrizes estabelecidas articular o diálogo entre com o setor empresarial, especialmente por suas entidades representativas com o objetivo de alavancar a estruturação e implementação da logística reversa em seus territórios.