ECA_Ato infracional
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ECA_Ato infracional


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mesmo que o ato infracional seja análogo a delito criminal da competência da Vara Federal. Face aos princípios da prioridade absoluta e a competência exclusiva (art. 148, I do ECA) (V. ORGANOGRAMA II).
III. FASE JUDICIAL
- Ultrapassada a fase ministerial, inaugura-se a fase judicial com o recebimento dos autos em juízo.
- Casos de remissão ou arquivamento: Caberá ao juiz apreciar a possibilidade de homologação ou não. Se discordar da concessão da remissão ou do arquivamento, o juiz deverá remeter os autos ao Procurador Geral de Justiça, na forma do art. 181 e seus parágrafos.
- Caso de oferecimento de representação: Caberá ao juiz a análise acerca do juízo de admissibilidade da peça. Recebida a representação, a lei indica as MEDIDAS A SEREM ADOTADAS PELO JUIZ, ou seja, deverá designar data para audiência de apresentação, examinar se é caso para manutenção ou decretação de medida provisória de internação (ou de liberação do adolescente) e expedir notificação para dar ciência aos pais ou responsáveis acerca da data da audiência (art. 184 c/c 108 e § único do ECA).
- Ainda nesse primeiro momento, se restar constatada (1) a não localização dos pais ou responsáveis, ou (2) a existência de conflito de interesses destes com o filho, deverá NOMEAR UM CURADOR ESPECIAL (art. 184 c/c art. 142).
- Se também restar constatado que o adolescente liberado se encontra em local incerto e não sabido, e por conta disto não comparecerá a audiência de apresentação, o juiz deverá determinar o SOBRESTAMENTO DO FEITO E EXPEDIR MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO em desfavor do representado (art. 184, § 3º).
- Art. 185: A lei limitou o prazo de 5 dias para a transferência do adolescente infrator internado provisoriamente até a ENTIDADE ADEQUADA. Esse prazo não colide com o prazo das 24 horas, porque:
a) o prazo de 24 horas é para o delegado apresentar ao promotor de justiça o adolescente infrator não liberado na DP;
b) o prazo dos cinco dias é para transferir o adolescente internado provisoriamente decorrente de decisão judicial até a entidade adequada.
1) AUDIÊNCIA DE APRESENTAÇÃO: Se assemelha à audiência destinada ao interrogatório do réu. Assim, também é imprescindível a presença do infrator, do Ministério Público e do Advogado, sendo permitido a formulação de perguntas às partes.
 Ouvido o adolescente, na audiência de apresentação O JUIZ PODERÁ CONCEDER REMISSÃO como forma de suspensão ou extinção do processo, com APLICAÇÃO OU NÃO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA (art. 186, § 1º, e art. 188 c/c art. 126, § único) OU EXAMINAR PEDIDO DE LIBERAÇÃO.
 CASO O FATO NÃO SEJA DE NATUREZA GRAVE - e, portanto, nos cabe a aplicação de medidas socioeducativas de semiliberdade ou internação: poderá o Juiz FINDAR O PROCESSO nesse momento, julgando procedente a representação aplicando qualquer outra MEDIDA SÓCIOEDUCATIVA E/OU PROTETIVA (Art.112 e 113 ambos do ECA) menos as de restrição ou privação da liberdade. 
 O juiz também poderá julgar IMPROCEDENTE a representação (com base no conteúdo dão art. 189 do ECA).
2) Terminada a audiência de apresentação, o juiz na própria assentada designará data para AUDIÊNCIA DE CONTINUAÇÃO, saindo todos intimados, bem como ABRIRÁ O PRAZO DE TRÊS DIAS DE OFERECIMENTO DE DEFESA PRÉVIA para a defesa. Tratando-se de procedimento regido pelo princípio da oralidade, é através da defesa prévia que o Advogado indicará as provas que deseja produzir em defesa de seu cliente e, ainda caso queira é o momento para tecer um esboço da defesa a qual poderá ser mais elaborada com doutrina e jurisprudência, não esquecendo, é claro, de argüir as nulidades existentes e diligências que sejam indispensáveis à defesa. 
 A audiência de continuação, diferentemente da audiência de apresentação, PODERÁ SER REALIZADA COM A PRESENÇA OU NÃO DO REPRESENTADO, apenas exigindo-se a presença de seu defensor. 
 1º será feita a prova de acusação e em seguida a de defesa; logo após, as partes apresentarão suas alegações finais em forma oral; por fim, o juiz proferirá a sentença.
 O juiz somente irá julgar procedente a representação e aplicar a medida socioeducativa que se mostrar mais adequada se restar COMPROVADO A AUTORIA E A MATERIALIDADE do ato infracional. 
 Se o juiz vislumbrar qualquer HIPÓTESE DO ART. 181 do ECA: Terá que JULGAR IMPROCEDENTE A REPRESENTAÇÃO em face do adolescente, bem como determinar a LIBERAÇÃO IMEDIATA DO MENOR caso esteja internado provisoriamente (art. 234 do ECA c/c art. 5º, LXV da CRFB) (V. ORGANOGRAMA III).
- No Rio de Janeiro, há apenas duas entidades de internação provisória: Instituto Padre Severino (IPS), para rapazes, e Educandário Santos Dumont, para moças. Ambas se localizam no bairro da Ilha do Governador.
Este instituto, segundo as regras da lei, possui natureza transacional com o propósito de permitir a exclusão, a extinção ou a suspensão do processo após a valoração das circunstâncias e conseqüências da infração, do contexto social, bem como da personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional.
Não importa no reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeitos da reincidência.
A sua aplicação prescinde de provas de autoria e materialidade. Estas podem ser concedidas tanto pelo Ministério Público até o oferecimento da representação quanto pelo juiz até a prolação da sentença (art. 188). Como o legislador autorizou ao Ministério Público a inclusão de medida socioeducativa, exceto as medidas de internação e de semiliberdade, esta matéria se tornou alvo de divergência tanto na doutrina quanto na jurisprudência por entender-se que se teria conferido poder decisório a órgão diverso do Poder Judiciário. 
Dessa controvérsia resultou a edição da Súmula 108 do STJ, em que se reafirma que "A aplicação de medidas sócioeducativas ao adolescente, pela prática de ato infracional, é da competência exclusiva do juiz".
Não obstante a edição da Súmula 108, este pensamento é equivocado, na medida em que a remissão concedida pelo Ministério Público constitui um ato jurídico bilateral complexo. Trata-se de um ato jurídico bilateral por envolver uma transação e complexo porque decorre de dois atos, ou seja, a concessão do MP e a homologação judicial. Neste prisma, a lei possibilita ao juiz, em caso de discordância, remeter o processo ao Procurador-Geral (§ 2º do art. 181).
AULA 14
PROCEDIMENTOS DE APURAÇÃO DE IRREGULARIDADES EM ENTIDADE DE ATENDIMENTO E DE INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA DAS NORMAS DE PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
DO PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DE IRREGULARIDADES EM ENTIDADE DE ATENDIMENTO
Este procedimento tem por fim encontrar e suprir as irregularidades e deficiências no atendimento de entidades governamentais e não-governamentais que executam programas de proteção ou socioeducativos destinados a crianças ou adolescentes. 
PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DE IRREGULARIDADES EM ENTIDADE DE ATENDIMENTO
- Legitimação ativa = Pode ser iniciada por:
1) Portaria do Juiz da Infância ou 
2) Representação do MP ou Conselho Tutelar. 
- Natureza jurídica desse procedimento: Divergência na doutrina, pelo fato de iniciar-se por ato do Juiz da Infância, denominado portaria. Vale destacar três correntes predominantes:
1ª) Entende tratar-se de natureza administrativa;
2ª) Natureza jurisdicional;
3ª) Híbrida (será jurisdicional quando proposto pelo MP e Conselho Tutelar, e administrativa quando proposta pelo próprio magistrado).
- Legitimado passivo: Qualquer entidade de atendimento constante no rol do art. 90 do ECA, representada pelo seu dirigente.
- Da competência: Juiz da Vara da Infância do local da entidade. 
 Já quanto ao recurso, a competência será indicada pelo regimento interno do TJ
- Da fase postulatória:
O ECA exige que a representação ou portaria contenha um resumo dos fatos que caracterizam as irregularidades e, havendo motivo grave, as razões da necessidade de ser decretado liminarmente o afastamento do dirigente da entidade. Deve ser ressaltado que as razões que irão nortear a representação ou portaria devem estar interligadas ao inadimplemento