7_Circulação_Atmosférica
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local em que foram encontradas 
pela manhã. 
Na verdade, essas pancadas de chuva não 
são tão misteriosas. Elas são causadas por 
sistemas locais de vento \u2013 as brisas marítimas. Na 
medida que o ar mais frio do oceano penetra no 
continente, ele força o ar instável mais quente e 
úmido a ascender e se condensar, produzindo 
majestosas nuvens e pancadas de chuva ao longo 
de uma linha até onde o sistema de vento chega. 
 
Circulações Térmicas \u2013 Considere a 
distribuição vertical de pressão mostrada na Figura 
7.3a. Todas as isóbaras estão paralelas à 
superfície da terra; portanto, não existe variação 
horizontal de pressão (ou temperatura) e não existe 
gradiente de pressão e portanto nenhum vento. 
Suponha que a atmosfera seja resfriada ao norte e 
aquecida ao sul. (Figura 7.3b). No ar frio e mais 
denso sobre a superfície, as isóbaras ficarão mais 
próximas uma das outras, se agruparão, enquanto 
no ar mais quente, menos denso, elas se 
espalharam, tornando-se mais afastadas umas das 
outras. Essa inclinação das isóbaras produz uma 
força do gradiente de pressão (FGP) horizontal nos 
níveis mais acima e provoca o movimento do ar na 
direção das mais altas para as mais baixas 
pressões. 
Na superfície, a pressão do ar permanece 
inalterada até que o ar nos níveis mais altos comece 
a se mover. Na medida em que este ar se desloca 
de sul para norte, o ar deixa a área sul e se 
\u201cempilha\u201d sobre a área mais ao norte. Essa 
redistribuição do ar reduz a pressão atmosférica no 
sul e aumenta a pressão do lado norte. 
Conseqüentemente, uma força do gradiente de 
pressão é estabelecida na superfície de direção 
norte para sul e, portanto, os ventos à superfície 
começam a fluir de norte para sul. 
Agora temos uma distribuição de pressão e 
temperatura assim como uma circulação do ar como 
a mostrada na Figura 7.3c. Na medida que o ar frio 
flui para sul, ele se aquece e se torna menos denso. 
Na região de pressão baixa à superfície, o ar quente 
sobre vagarosamente, expande-se, resfria-se e flui 
para cima até uma elevação de cerca de um 
quilômetro acima da superfície. Neste nível, o ar flui 
horizontalmente para norte na direção das menores 
pressões, onde ele completa a circulação pelo 
vagaroso afundamento fluindo para baixo da alta em 
superfície. As circulações que surgem por 
mudanças de temperatura, nas quais o ar quente 
ascende e o ar frio descende, são denominadas de 
circulações térmicas. 
As regiões de altas e baixas pressões em 
superfície, criadas quando a atmosfera se resfria ou 
se aquece, são chamadas de altas e baixas 
térmicas. Em geral, esses sistemas são sistemas 
rasos, usualmente se estendendo não mais do que 
por poucos quilômetros acima do solo. 
 
Brisas Marítimas e Terrestres \u2013 A brisa 
marítima é um tipo de circulação térmica. As 
desigualdades nas taxas de aquecimento da terra e 
do mar (discutidas no capítulo 3) causam estes 
sistemas de ventos costeiros. Durante o dia, a terra 
se aquece mais rapidamente que a água adjacente e 
o forte aquecimento do ar acima desta superfície 
produz uma baixa (pressão) térmica rasa. O ar 
sobre a água permanece mais frio do que o ar sobre 
a terra; donde se forma uma alta (pressão) térmica 
sobre a água. O efeito final desta distribuição de 
pressão é a brisa marítima que sopra do mar para a 
terra (Fig 7.4a). Como os mais fortes gradientes de 
temperatura e pressão ocorrem perto da fronteira 
entre a água e a terra, os ventos mais fortes 
tipicamente ocorrem perto das praias e diminuem 
para dentro do continente. Além disso, como o 
maior contraste de temperatura entre o mar e a terra 
ocorre à tarde, do mesmo modo, as brisas marítimas 
são mais fortes neste horário. (O mesmo tipo de 
brisa que se desenvolve ao longo dos limites de um 
lago é chamada de brisa de lago). 
Durante a noite, a terra se resfria mais 
rapidamente do que a água. O ar sobre a terra torna-
se mais frio que o ar sobre a água, produzindo uma 
distribuição de pressão tal como a mostrada na Fig. 
7.4b. Com pressões mais altas agora sobre a terra, 
o vento se inverte e torna-se brisa terrestre \u2013 uma 
brisa que flui da terra para a água. Esses contrastes 
térmicos entre a água e a terra são menores à noite, 
portanto, a brisa terrestre é bem menos intensa que 
a marítima. 
Observe a Figura 7.4 novamente e veja que 
o ar que sobe está sobre a terra durante o dia e 
sobre a água durante a noite. Portanto, ao longo da 
costa úmida, as nuvens diurnas tendem a ser formar 
sobre o continente e as nuvens noturnas sobre o 
mar. Isso explica porque à noite se observa 
relâmpagos ao longe na direção do mar. 
O limite extremo da brisa marítima é 
chamado de frente de brisa marítima. Na medida 
que a brisa se move continente à dentro, ocorre um 
rápido decréscimo de temperatura logo atrás dela. 
Em alguns locais essa mudança de temperatura 
pode chegar a 50 C ou mais durante as primeiras 
horas \u2013 uma experiência refrescante num dia 
ensolarado e quente. Já que cidades perto do 
oceano geralmente experimentam a brisa marítima 
em torno do meio dia, suas temperaturas máximas 
ocorrem mais cedo que nas cidades dentro dos 
continentes. Na Costa Leste dos Estados Unidos, a 
passagem da frente de brisa marítima é marcada por 
um giro do vento, geralmente de oeste para leste. 
No ar frio sobre o oceano, a umidade relativa 
aumenta na medida em que a temperatura cai. Se a 
umidade relativa aumenta acima de 70%, o vapor 
d\u2019água começa a se condensar sobre as partículas 
de sal marinho ou fumaça industrial, produzindo 
névoa. Quando o ar sobre o oceano está muito 
concentrado com poluentes, a frente de brisa 
marítima pode encontrar ar relativamente limpo a 
assim aparecer como uma frente de fumaça, ou 
frente de \u201csmog\u201d. Se o ar no oceano tornar-se 
saturado, uma massa de nuvens baixas e nevoeiro 
marcará o limite a frente do ar marinho (Figura 7.5). 
Quando existe um contraste marcante na 
temperatura do ar cruzando o limite frontal, o ar mais 
quente e mais leve irá convergir e ascender. Em 
muitas regiões, isso torna a brisa marítima boa para 
vôos em planadores. Se esse ar ascendente for 
suficientemente úmido, uma linha de nuvens do tipo 
cúmulos se formará ao longo da frente de brisa 
marítima e, se o ar for também instável, poderão 
ocorrer tempestades. Como já foi dito, em um dia 
quente e úmido, pode-se dirigir na direção da costa, 
encontrar pancadas de chuva intensas no caminho 
há muitos quilômetros da costa e se chegar à paria e 
encontrar um dia ensolarado com uma agradável 
brisa. 
As brisas marítimas na Flórida ajudam a 
produzir a característica chuva abundante de verão. 
Do lado da costa Atlântica deste estado, a brisa 
marítima sopra de leste; na costa do Golfo, ela se 
move de oeste. A convergência destes dois 
sistemas úmidos de vento, acoplada com a 
convecção diurna, produz condições de intensa 
nebulosidade e ocorrência de pancadas de chuva 
sobre o continente (Figura 7.6). Sobre a água (onde 
o ar mais frio e mais estável fica perto da superfície), 
o ar permanece sem nuvens. 
A convergência da brisa marítima não está 
restrita às áreas oceânicas. Um exemplo é o Lago 
Michigan capaz de produzir brisas de lago bem 
definidas. Na parte superior do Lago Michigan, onde 
os dois grandes corpos d\u2019água estão separados por 
uma faixa estreita de terra, duas brisas se dirigem 
para terra e convergem perto do centro da 
península, criando nuvens e pancadas de chuva à 
tarde enquanto que a área sobre a costa do lago 
permanece ensolarada, agradavelmente fresca e 
seca. 
 
Ventos com Variações Sazonais \u2013 as 
Monções - A palavra monção deriva da palavra 
árabe mausin, que significa estação. Um sistema de 
ventos monçônicos é aquele que varia sazonalmente 
de direção, soprando de uma determinada direção 
no verão e da direção oposta no