ECA_Aula 4_Direito à convivência
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ECA_Aula 4_Direito à convivência


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Art. 24 \u2013 O legislador nesse artigo trata das situações que podem ensejar a perda ou suspensão do poder familiar. A perda do poder familiar se constitui na medida mais grave aplicada aos pais no âmbito civil. A lei condiciona a sua aplicação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, bem como a limita às situações constantes nos artigos 1.637 e 1.638 do Código Civil e no art. 22 do ECA. 
DA FAMÍLIA NATURAL
 Art. 25 \u2013 O legislador definiu família natural como sendo a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus filhos. É interessante observar que o legislador estatutário utilizou-se de conceituação própria para indicar o significado de família natural, seguindo o artigo 226, § 4º da CRFB, deixando de lado o conceito tradicional de família do Direito Civil. Esta técnica é muito importante para a conclusão de que os responsáveis diretos pelos menores são seus pais.
 Ao analisar este artigo em conjunto com os demais dispositivos, pode-se concluir que essa lei introduziu uma verdadeira revolução nos nossos hábitos, na medida em que não podemos continuar responsabilizando somente o Estado. Isso porque, na escala de responsabilidades, art. 4º do ECA, o Estado se assenta na quarta posição. Então, há responsabilidade concorrente entre a família, a comunidade, a sociedade em geral e o poder público, ou seja, o Estado lato sensu (União, Estado, Município). Dessa forma, enquanto os titulares dessa obrigação não assumirem suas responsabilidades, dificilmente os objetivos do ECA serão alcançados.
 Art. 26 \u2013 Este dispositivo cuida do reconhecimento voluntário, ou perfilhação, do filho havido fora do casamento. Este reconhecimento pode ser feito no próprio termo de nascimento mediante a declaração de um ou de ambos os pais. Se o filho já houver sido registrado por um dos pais, nada impede que o outro o reconheça no mesmo documento, mediante averbação judicial ou a seu pedido, desde que o outro, ouvido, concorde. O reconhecimento também poderá ser feito por escritura pública, testamento ou outro documento público qualquer. A legitimação pode preceder o nascimento do filho, mas, se ele estiver morto, só poderá ser reconhecido se tiver deixado descendentes (parágrafo único), para evitar a legitimação por interesses, até porque, se ele não deixou descendentes, seus bens irão para aquele que o reconheceu.
 Ressalte-se que: 
1) o reconhecimento de filho não pode estar subordinado à condição ou termo (art. 1.613 do CC); 
2) o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento e o filho menor reconhecido pode impugnar a legitimação até 4 anos após a maioridade ou emancipação, por intermédio de ação própria (a chamada ação de contestação ou impugnação de reconhecimento, art. 1.614 do CC); 
3) Os efeitos decorrentes da legitimação retroagem à data do nascimento;
4) qualquer que seja a forma de reconhecimento, ela será sempre irrevogável; 
5) Apesar de o testamento ser um ato passível de revogação, ele não poderá ser revogado na parte em que o testador reconheceu um filho extraconjugal.
 Art. 27. O filho não reconhecido, voluntariamente, pode obter o seu reconhecimento de forma judicial, pela propositura de ação de investigação de paternidade. Esta ação tem a natureza declaratória e é imprescritível, por se tratar de uma ação de estado. 
 O DIREITO À LEGITIMAÇÃO DO ESTADO DE FILIAÇÃO é um DIREITO PERSONALÍSSIMO E INDISPONÍVEL. Embora essa ação seja imprescritível, a Súmula 149 do STF se aplica, pois É IMPRESCRITÍVEL A AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE, MAS NÃO O É O DE PETIÇÃO DE HERANÇA.
 Hoje, segundo o disposto no art. 205 do CC, A PRESCRIÇÃO SE DÁ EM 10 ANOS, a contar não da morte do suposto pai, mas do MOMENTO EM QUE FOI RECONHECIDA A PATERNIDADE. Se o filho foi reconhecido e já completou 16 anos de idade, o prazo prescricional começa a fluir a partir do óbito, mas se ainda não alcançou essa idade, a prescrição começa a correr somente a partir da data em que completar os 16 anos (art. 198, I, CC). Como se trata de uma ação personalíssima, a ação terá que ser movida pelo próprio filho. Assim, tratando-se de absolutamente incapaz, a ação será proposta por ele representado pela mãe. Se o filho morrer antes de iniciar a ação, seus herdeiros não poderão dar início à ação, salvo se ele morrer menor e incapaz (art. 1.606 do CC).
 A Lei nº 8.560/92 atribui legitimidade ao Ministério Público para mover ação de investigação, desde que os dados sejam fornecidos pelo oficial do registro civil (art. 2º, § 4º).
 
 A partir do artigo 28 o legislador traçou algumas regras que têm por fim orientar ao julgador no momento de sua decisão. Deve ser ressaltado que essas regras não se limitam ao juiz da infância, mas dirigem-se a todos os juízes que estejam decidindo o futuro de um menor. Razão pela qual acabam sendo mais utilizadas pelos juízes das varas de família. Assim, um bom advogado de vara de família, que não esteja inteirado dessas regras, poderá sucumbir. 
DA FAMÍLIA SUBSTITUTA
 Art. 28 - O legislador informa que existem três modalidades de colocação em família substituta, ou seja, guarda, tutela ou adoção, independentemente da condição financeira da criança ou dos requerentes.
 § 1º - Estabelece que, sempre que possível, o menor deverá ser ouvido e sua opinião devidamente considerada. Esta regra é muito importante na medida em que, hoje, a opinião do menor poderá até mesmo indicar o rumo da decisão no processo. Cabe aqui um questionamento quanto ao fato de a criança ou de o adolescente poder estar sendo induzida(o) por adultos quanto ao deslinde da lide. Vale dizer que a maioria das varas que lidam com questões que envolvem situações de menores possui equipe interprofissional capaz de analisar a postura da criança e do adolescente, em consonância com o contexto, exarando, ao final, um laudo que servirá de suporte para uma decisão mais justa, no interesse do menor (art. 151 do ECA).
 § 2º estabelece que ao apreciar o pedido o juiz deverá levar em conta: o grau de parentesco, a relação de afinidade e a de afetividade. 
Quanto ao grau de parentesco, é claro que O GRAU MAIS PRÓXIMO AFASTA OS MAIS REMOTOS. 
Quanto à relação de afinidade e afetividade, devemos compreender que estas palavras não são sinônimas, na medida em que AFINIDADE ESTÁ VINCULADA À IDÉIA DE UM ELO QUE UNE AS PESSOAS EM RAZÃO DE UM DETERMINADO COMPORTAMENTO OU GOSTO, que pode ser traduzido através de uma música, um esporte etc. Já a idéia do AFETO está vinculada diretamente ao SENTIMENTO DO AMOR.
 Veja, na prática, o quanto estas regras são importantes: muitas vezes, o litígio é travado entre pessoas que possuem o mesmo grau de parentesco (pai e mãe) e, em razão disso, o grau de afeto também deve ser o mesmo. Assim, o grande fator de desempate dessa questão será a relação de afinidade, cabendo ao advogado demonstrar qual deles possui o grau de afinidade maior. Veja que é muito comum os filhos reclamarem que os pais gostam mais de um filho do que do outro. É claro que este tipo de reclamação não pode ser verdadeiro, porque o amor dos pais é o mesmo, o que pode existir é que um pai tenha mais afinidade com um determinado filho, por gostarem do mesmo tipo de música ou do mesmo time de futebol ou outra identificação qualquer.
 Art. 29 \u2013 A colocação de família substituta a quem revele qualquer tipo de incompatibilidade com o pedido ou não ofereça um ambiente familiar adequado.
 Exemplo: trata-se de um pedófilo ou o local de moradia se constitui num prostíbulo, ou o requerente é um conhecido traficante de drogas etc.
 Art. 30 - Deferida a colocação em família substituta, não será permitido ao responsável a transferência do menor a um terceiro ou a um abrigo público ou privado. 
 O legislador, ao tecer essa regra, deixou claro que A TRANSFERÊNCIA DO MENOR SOMENTE PODE SER FEITA EM JUÍZO e não de ofício entre as partes. Assim, se alguém é detentor da guarda de um menor e não deseja mais esse encargo, deverá RENUNCIAR EM JUÍZO e não abandoná-lo à sua própria sorte ou entregá-lo para um terceiro. 
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