10_Tempestades Severas e Tornados
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10_Tempestades Severas e Tornados


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se condensa numa nuvem visível \u2013 a 
tuba. Ao passo em que o ar sob o funil é arrastado 
para o centro, ele resfria-se rapidamente e se 
condensa, e a tuba desce para a superfície. Assim 
que atinge o chão ela é chamada de tornado. No 
solo, ele comumente apanha poeiras e destroços, 
tomando uma aparência tanto enegrecida quanto 
agourenta. 
 
Observando Tornados - As observações 
revelam que os mais intensos e violentos tornados 
se desenvolvem nas proximidades do setor posterior 
direito de uma tempestade elétrica severa (no lado 
sudoeste de uma tempestade que se move para 
leste, Fig. 10.24). Contudo, tornados menos intensos 
podem não se desenvolver somente na corrente 
ascendente principal, mas também ao longo da 
frente de trovoada/borrasca, onde a fria corrente 
descendente força o ar quente afluente para cima. 
Apesar de parecer que os mais fortes e violentos 
tornados se formam dentro do mesociclone, nem 
todos os mesociclones produzem tornados. 
 O primeiro sinal de que uma trovoada está 
para dar origem a um tornado é a visão de nuvens 
giratórias na base da nuvem. Se a região das 
nuvens giratórias baixa, ela se torna uma parede de 
nuvens (compare a Fig. 10.24 com a Fig. 10.25). 
Normalmente, dentro da parede de nuvens, um funil 
menor e de rápida rotação se estende para a 
superfície. Às vezes o ar é tão seco que o vento 
rodopiante fica invisível até atingir o solo e começar 
a apanhar a poeira. Infelizmente, as pessoas às 
vezes confundem estes \u201ctornados invisíveis\u201d com os 
turbilhões de areia, apenas para descobrir 
(geralmente tarde mais) que eles não os são. 
Ocasionalmente, o funil não pode ser visto devido à 
chuva que cai, nuvens de poeira ou escuridão. 
Mesmo quando não é claramente visível, vários 
tornados produzem um som peculiar que pode ser 
ouvido por várias milhas. Este som, que já foi 
descrito como \u201cum barulho igual ao de centenas de 
trens de carga\u201d, parece ser mais alto quando o 
tornado está tocando a superfície. Entretanto, nem 
todos os tornados produzem este som e, quando 
estas tempestades atacam, elas se tornam 
assassinas silenciosas. 
 Quando é provável que tornados irão se 
formar nas próximas horas, um aviso de tornado é 
emitido pelo Centro Nacional de Previsão de 
Tempestades Severas da Cidade de Kansas, 
Missouri, para alertar ao público que os tornados 
podem se desenvolver dentro de uma área 
específica num certo período de tempo. Várias 
comunidades já treinaram sentinelas voluntários, que 
procuram por tornados assim que o aviso é emitido. 
Uma vez que um tornado é localizado \u2013 quer seja 
visualmente ou na tela de um radar \u2013 um alerta de 
tornado é emitido pela Repartição do Serviço 
Nacional de Tempo local. Em algumas comunidades, 
sirenes são tocadas para alertar as pessoas que 
uma tempestade se aproxima. Estações de rádio e 
televisão interrompem suas programações regulares 
para transmitir o alerta. Apesar de não ser 
totalmente efetivo, este sistema de alarme está 
aparentemente salvando muitas vidas. Apesar do 
grande aumento populacional na região da alameda 
dos tornados durante os últimos trinta anos, as 
mortes relacionadas com a ocorrência de tornados 
têm realmente mostrado uma diminuição. 
 Numa tentativa de desvendar alguns dos 
mistérios dos tornados, inúmeros estudos estão em 
andamento. Num deles \u2013 conduzido conjuntamente 
pela Universidade de Oklahoma e pelo Laboratório 
Nacional de Tempestades Severas de Norman, 
Oklahoma \u2013 fotos e filmagens de tornados são 
correlacionados com dados de radares numa 
tentativa de melhor estimar as velocidades dos 
ventos. Já do lado mais teórico, estudos de 
modelagem numérica de nuvens estão oferecendo 
novos dados a respeito da formação e do 
desenvolvimento das tempestades geradoras de 
tornados. 
 
O Radar Doppler 
 
A maior parte do nosso conhecimento a 
respeito do que acontece no interior de uma 
tempestade geradora de tornados foi reunida através 
da utilização do radar Doppler. Antes de 
investigarmos este aparelho de sensoreamento 
remoto, nós vamos examinar como a precipitação no 
interior de uma tempestade severa aparece na tela 
de um radar convencional. 
 Lembre-se do Capítulo 5 que um transmissor 
de radar convencional projeta pulsos de microondas 
e que, quando esta energia bate num objeto, uma 
pequena fração dela é espalhada de volta para a 
antena. Como as partículas de precipitação são 
grandes o bastante para rebater as microondas de 
volta para a antena, a região branca na tela do radar 
na Fig. 10.26 representa a precipitação no interior de 
uma tempestade elétrica severa. Note que o padrão 
apresenta o formato de um gancho. Um eco em 
forma de gancho como este indica a possível 
presença de um tornado. A área negra no interior do 
eco-gancho representa a região dentro da trovoada 
severa onde intensas correntes ascendentes 
carregam as partículas da nuvem para cima tão 
velozmente que elas são incapazes de crescer o 
bastante para refletir as microondas. Quando os 
tornados se formam, eles o fazem próximo à ponta 
do gancho. Não obstante, várias tempestades 
elétricas severas (assim como algumas menores) 
não apresentam um eco-gancho mas, ainda assim, 
produzem tornados. Às vezes, quando o eco-gancho 
chega a aparecer, o tornado já está tocando o chão. 
Consequentemente, uma técnica mais apurada se 
faz necessária na detecção de tempestades 
formadoras de tornados. Para suprir esta 
necessidade, o radar Doppler foi desenvolvido. 
 O radar Doppler é igual a um radar 
convencional no que diz respeito à detecção de 
áreas de precipitação e na medição da velocidade 
da precipitação que cai. Mas um radar Doppler pode 
fazer mais \u2013 ele pode na verdade medir a velocidade 
na qual a precipitação se move horizontalmente 
contra ou na direção da antena do radar. Como as 
partículas de precipitação são carregadas pelo 
vento, o radar Doppler pode espreitar o interior de 
uma tempestade severa e desvendar seus ventos. 
 O radar Doppler funciona baseado no 
princípio de que, quando a precipitação se 
movimenta a favor ou contra a antena, o pulso de 
retorno do radar irá mudar de freqüência. Uma 
mudança semelhante acontece quando o tom alto 
(alta freqüência) de uma fonte sonora que se 
aproxima, tal como uma sirene ou o apito de um 
trem, fica com um tom mais baixo (menor 
freqüência) após sua passagem pela pessoa que 
está ouvindo. Esta alteração na freqüência é 
chamada de efeito Doppler e é daí, obviamente, que 
o radar Doppler tirou o seu nome. 
 Um único radar Doppler não consegue 
detectar os ventos que sopram paralelos à antena. 
Consequentemente, duas ou mais unidades 
sondando a mesma trovoada são capazes de dar 
uma visão tridimensional dos ventos no interior da 
tempestade. Para ajudar a distingüir os movimentos 
do ar na tempestade, as velocidades do vento 
podem ser exibidas em cores. O contorno colorido 
do campo de vento oferece uma boa visão da 
tempestade (veja a Fig. 10.27). 
 Desafortunadamente, a resolução do radar 
Doppler não é alta o bastante para medir as reais 
velocidades dos ventos da maioria dos tornados, 
cujos diâmetros figuram em umas poucas centenas 
de metros ou menos. Contudo, um novo e 
experimental sistema Doppler \u2013 denominado lidar 
Doppler \u2013 usa um raio de luz (ao invés de 
microondas) para medir a mudança de freqüência da 
precipitação que cai, das partículas da nuvem e da 
poeira. Como ele se utiliza de uma radiação de 
comprimento de onda menor, ele tem um raio mais 
estreito e uma resolução maior que a do radar 
Doppler. 
 Atualmente, numa tentativa de obter 
informações a respeito dos ventos de um tornado de 
uma distância muito mais curta (menos do que 10 
km), unidades menores e portáteis do radar Doppler 
estão espreitando o interior das tempestades 
geradoras de tornados (veja a Fig. 10.28). No 
decorrer dos anos 90, o Serviço Meteorológico 
Nacional