ECA_Aula 5_Outros direitos
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ECA_Aula 5_Outros direitos


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DA FAMÍLIA, DA SOCIEDADE E DO ESTADO NA GARANTIA DESSES DIREITOS como PRIORIDADE ABSOLUTA.
Como desdobramento dessa nova visão, o legislador estatutário colocou a sociedade na função de GARANTIDORA, ou seja, cabe a nós a sua fiscalização (art. 70). Em face ao número de críticas existentes em torno da sistemática adotada pelo legislador, esse permaneceu fiel à sua técnica inicial quando estabeleceu como limite a pessoa da criança ou do adolescente como sujeitos de direitos. A maior novidade trazida pelo Estatuto é a regulamentação sobre os programas, produtos, diversões e espetáculos públicos.
Anteriormente, esse poder de proibição era conferido com exclusividade a determinadas autoridades, sob pena de infringirem o disposto no art 252 do ECA. Hoje, a função de regulamentá-los é do Poder Público (art.74 do ECA e art. 220, § 3º, I e art 21, VI, ambos da CRFB), cabendo aos pais o poder de escolha dos programas televisivos que entendam ser adequados. Tanto isso é fato, que o legislador determinou que se fixasse informação destacada sobre a natureza do espetáculo e a faixa etária no certificado de classificação (art. 74), sob pena de infringirem o disposto no art. 252 do ECA. 
A própria Constituição instituiu regras e princípios, nos art. 220 e 221, que restringem os abusos dessa natureza.O legislador estatutário praticamente repetiu o texto constitucional no art. 74, ao prescrever que o Poder Público através de órgão competente regulamentará as diversões e espetáculos públicos. Essa regulamentação, hoje, é feita pela Lei 10.359/01, mas o artigo 8º que trata da vigência da referida lei foi modificado pelo artigo 4º da Lei 10.672/03 cuja vigência passou a operar a partir do ano de 2004.
No estatuto, figura a preocupação com a formação das crianças e adolescentes de forma cogente, mas o art. 75 garante o acesso de qualquer criança ou adolescente às diversões e espetáculos públicos considerados adequados. Essa regra, hoje, é disciplinada também pela Portaria 1.597/04 do Ministério da Justiça com minuta de Portaria 1.344, de 7 de julho de 2005, a qual atualmente regula a matéria quanto à permissão de acesso de menores, desde que acompanhados de seus pais ou responsáveis, aos referidos locais. 
O art. 76, do Estatuto, na esteira da CRFB, preceitua que as emissoras de rádio e TV somente exibirão ao público infanto-juvenil programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. Contudo, apesar de toda a preocupação, assistimos a vários desrespeitos às normas regulamentares. Para coibir esses abusos, o Estatuto dispõe de uma série de INSTRUMENTOS JURÍDICOS (art. 194 a 197 do ECA) como a Ação Civil Pública, Mandado de Segurança e imposição de penalidade pecuniária (art. 252, 253, 254 e 255 do ECA).
Quanto à venda ou locação de fitas de programação em vídeo, o legislador preocupado com o risco de sua utilização indevida, determinou no art. 77 que esses produtos deverão exibir em seus invólucros informações sobre a natureza da obra e a faixa etária a que se destina, art. 256 do ECA. Por conta dessa determinação, muitas locadoras de fitas e vídeos se adequaram criando um espaço privativo para as obras consideradas eróticas ou obscenas.
No que diz respeito às revistas e outras publicações, a lei no art. 78 criou restrições à sua comercialização quando consideradas impróprias ou inadequadas ao público infanto-juvenil. Essa impropriedade pode se apresentar tanto na forma escrita quanto através de imagens, desde que transmitam um conteúdo fantasioso, falso, mentiroso, contrário à lei e aos bons costumes (V. art. 257 do ECA).
A preocupação do legislador é tamanha que no parágrafo único desse artigo determina que a revista será vendida em embalagem opaca, quando na capa da obra houver mensagem obscena ou pornográfica, ou seja, material com conteúdo capaz de despertar sensações impróprias à fase de vida que os menores estão atravessando. O cuidado do legislador se mostra ainda maior em relação às crianças, tanto que em seu art. 79 proíbe a inserção de fotografias, legendas, crônicas, anúncios de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e munições nas publicações destinadas ao público infanto-juvenil, ressaltando que essas obras não poderão se afastar dos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Por fim, o legislador no art. 80 proíbe a entrada e permanência de criança ou adolescente em locais onde haja exploração comercial como bilhares, sinuca ou congênere etc. (V. art. 247 do Código Penal). É importante lembrar que o Estatuto não faz qualquer proibição quanto aos fliperamas, jogos eletrônicos e similares em face do caráter lúdico, ausente a idéia de jogo de azar. Como lembra Wilson Donizeti Liberati no livro Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente, p 64: \u201c(...) embora não contemplados especificamente pelo Estatuto, os jogos eletrônicos e o local onde são explorados serão disciplinados pela autoridade judiciária (...)\u201d.
DOS PRODUTOS E SERVIÇOS (art. 81 e 82) 
No estatuto, ao tratar a matéria, o legislador reafirmou seu propósito de constituir um instrumento de transformação, tanto que proibiu produtos e serviços anteriormente permitidos. Por essa razão, tornou-se alvo de muitas críticas. 
Da análise do art. 81 conclui-se que o legislador adotou um sistema decrescente, cuidando primeiramente daqueles produtos ou serviços que causam maiores riscos.
Assim, no inciso I, é proibida a venda de armas, munições e explosivos \u2013 a razão da proibição não se fundamenta apenas no fato de que hoje estas condutas se constituem em tipo penal, previsto na Lei 10.826/03, mas sim em decorrência do risco que causam. 
No inciso II, é proibida a venda de bebida alcoólica às crianças ou adolescentes. Como o legislador somente proibiu a venda, há quem defenda a tese de que o legislador objetivou complementar o art. 63 da lei das Contravenções Penais, que somente pune o ato de servir e não de vender. 
No inciso III, é proibida a venda de componentes que possam causar dependência física ou psíquica, passando a ser de caráter complementar à nova lei que cria o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre drogas, haja vista que contém na Lei 11.343 de 23 de agosto de 2006, norma penal em branco, a qual depende de portaria do Ministério da Saúde, órgão que estabelece a lista de substâncias que são consideradas drogas.
Vale lembrar que substâncias tóxicas somente serão consideradas droga pela Lei 11.343 se constar da portaria do Ministério da Saúde, a qual não abrange todos os produtos nocivos às pessoas, deixando de fora a cola de sapateiro, o tinner, o xarope etc. Por essa razão, o ECA, no art 81, III, é de suma importância, pois lista SUBSTÂNCIAS TÓXICAS NÃO- ENTORPECENTES, que estão sujeitas à tipificação quando ocorrer inobservância dessa norma, o que importa na prática do crime previsto no art. 243 do Estatuto.
O inciso IV proíbe a venda de fogos de artifício, com exceção daqueles que não são capazes de causar risco de dano físico. O descumprimento dessa norma importa no crime previsto no artigo 244 do ECA. Nos incisos V e VI é proibida a venda de revistas em desacordo com o artigo 78 e de bilhetes lotéricos.
Finalmente, o estatuto objetivando coibir a prostituição infantil e impedir que filhos menores se evadissem de suas residências proibiu a hospedagem de menor desacompanhado ou sem autorização de seus pais ou responsáveis em hotel, motel, pensão ou congênere.
Por fim o legislador cuidou da autorização para viajar \u2013 porque a questão da viagem está vinculada ao direito de ir e vir do menor, concebido pelo ECA como direito à liberdade (art. 16, I). O legislador no art 83 não se afasta da idéia de que esse direito tem como limite o próprio menor. Assim, reportou-se apenas às crianças, face à sua condição de vulnerabilidade, excluindo os adolescentes na medida em que estes possuem condições de autodefesa.
Numa interpretação sistemática entre os arts. 82 e 83 percebe-se uma incompatibilidade entre os dispositivos, na medida em que não se complementam de forma lógica. No art. 83, é permitido ao adolescente viajar