11_Furacões
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11_Furacões


DisciplinaIntrodução Às Ciências Atmosféricas68 materiais317 seguidores
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
CENTRO DE CIÊNCIAS MATEMÁTICAS E DA NATUREZA 
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS 
DEPARTAMENTO DE METEOROLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FURACÕES1 
 
 
 
 
 
 
 
POR 
 
 
 
 
 
 
 
MARIA GERTRUDES ALVAREZ JUSTI DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO, RJ 
JULHO, 2001 
 
 
1 Tradução com finalidade didática de: 
AHRENS, A. D. Essentials of Meteorology: an invitation to the atmosphere. West Publishing Company, New York, 1993. Cap. 11, p 275-
293. 
Furacões 
 
O Tempo na Região Tropical 
Anatomia de um Furacão 
 Formação e Dissipação 
 Estágios de Desenvolvimento 
 Deslocamento do Furacão 
 Destruição 
 Nomenclatura 
Tópico Especial: Comparação entre os Furacões e as Tempestades das Latitudes Médias 
Resumo 
Termos Chave 
Questões de Revisão 
 
Nascido sobre águas tropicais quentes e alimentado 
por um rico suprimento de vapor d\u2019água, o furacão 
pode crescer até uma imensa tempestade que gera 
enormes ondas, chuvas intensas e ventos que 
podem exceder 150 nós. O que é exatamente um 
furacão? Por que os furacões atingem mais a costa 
leste do que a costa oeste dos Estados Unidos? 
Estas são algumas das questões a serem 
consideradas neste capítulo. 
 
O Tempo na Região Tropical 
 
Na região compreendida entre as latitudes de 23 
1/20 N e 23 1/20 S \u2013 denominada de região tropical - 
o tempo é muito diferente do encontrado nas 
latitudes médias. O sol do meio dia está sempre alto 
no céu em qualquer época do ano e as variações 
diurnas e sazonais de temperatura são sempre 
pequenas. O aquecimento diurno da superfície e a 
alta umidade favorecem a formação de nuvens 
cúmulos e das tempestades de final de tarde. 
Geralmente são tempestades isoladas e não muito 
severas. Se, no entanto, existe uma corrente de jato 
sobre a tempestade em desenvolvimento, ocorre um 
forte cisalhamento vertical do vento que causa uma 
inclinação das correntes ascendentes, produzindo 
uma violenta tempestade do tipo de linha de 
instabilidade similar àquelas encontradas nas 
latitudes médias. 
Com calor o ano todo nos trópicos, o tempo 
não é caracterizado pelas quatro estações do ano 
que em outros lugares são determinadas por 
variações de temperatura. Já nos trópicos ocorrem 
diferenças sazonais de precipitação. As grandes 
quantidades de nebulosidade e de precipitação 
ocorrem durante o período de máxima incidência 
solar, quando a ZCIT move-se para a região do 
hemisfério em verão. Mesmo durante a estação 
seca, a precipitação pode ser irregular, quando 
períodos de precipitação intensa, durando vários 
dias, podem ser seguidos por períodos 
extremamente secos. 
Nos trópicos os ventos têm direção de leste, 
nordeste ou sudeste. Quase não ocorrem variações 
de pressão e traçar isóbaras na região tropical em 
nada contribui para o entendimento do tempo. São 
traçadas linhas de corrente que acompanham o 
movimento do vento. As linhas de corrente são úteis 
porque elas mostram onde os ventos em superfície 
convergem ou divergem. Em algumas ocasiões as 
linhas de corrente sofrem um distúrbio como um 
cavado fraco de baixa pressão chamado de onda de 
leste (Figura 11.1). 
As ondas de leste movem-se de leste para 
oeste com velocidades de 10 a 20 nós. Observe na 
Figura 11.1 que do lado oeste do cavado (linha 
tracejada forte), onde os ventos de leste e de 
nordeste em superfície divergem, a subsidência do 
ar geralmente produz tempo bom. Do lado leste do 
cavado, onde os ventos de sudeste convergem, o ar 
que sobe gera tempestades e aguaceiros. 
Conseqüentemente, a principal área para as 
tempestades é além do cavado. Às vezes as ondas 
de leste se intensificam e se transformam em um 
furacão. 
 
Anatomia de um Furacão 
 
Um furacão é uma intensa tempestade de origem 
tropical com ventos que excedem 64 nós que se 
forma sobre o oceano Atlântico Norte quente e do 
lado leste do oceano Pacífico Norte. Este mesmo 
tipo de tempestade recebe nomes diferentes em 
diferentes regiões do globo. Do lado oeste do 
Pacífico Norte, assim como nas Filipinas, é chamado 
de tufão, e é conhecido como ciclone na Austrália e 
Índia. Por simplicidade vamos denominar todas 
estas tempestades de furacão. 
A Figura 11.2 é uma imagem de satélite do 
furacão John situado no leste do Pacífico em 25 de 
agosto de 1978. Esta tempestade tem um diâmetro 
de aproximadamente 550 km, que é a extensão 
média dos furacões. A área central, de céu claro, é 
denominada de olho. O olho do furacão John tem 
quase 60 km, sendo um pouco maior que a média 
que fica entre 20 a 50 km. Na região do olho do 
furacão, os ventos são fracos e são poucas as 
nuvens. A pressão do ar é muito baixa, em torno de 
965 hPa2. As regiões escuras na imagem de satélite 
no olho do furacão são regiões de céu claro. Note 
que as nuvens se organizam em bandas espiraladas 
que convergem na direção do centro da tempestade. 
A velocidade do vento, que gira no sentido anti-
horário (horário) no hemisfério norte (hemisfério sul), 
 
2 Foi registrado um valor extremo de baixa pressão de 870 hPa no 
tufão Tip em outubro de 1979 e o furacão Gilbert apresentou 
valores de 888 hPa em setembro de 1988. 
aumenta na medida que se aproxima deste centro. 
Adjacente ao olho do furacão fica uma espécie de 
parede, formada por um anel de intensas nuvens de 
tempestades que circundam o centro e se estendem 
verticalmente por mais de 15 km acima do nível do 
mar. Nesta parede são encontrados as precipitações 
mais intensas e os ventos mais fortes (nesta 
tempestade com cerca de 100 nós e rajadas 115 
nós). 
 Se tivéssemos que cruzar esta tempestade, 
mostrada na Figura 11.2, de oeste para leste 
(esquerda para a direita), o que encontraríamos? Na 
medida em que nos aproximássemos do furacão o 
céu ficaria parcialmente nublado com nuvens 
cirrostratos; a pressão barométrica cairia, 
inicialmente devagar e depois mais rapidamente na 
medida que nos aproximássemos do centro. O vento 
fluiria de norte e noroeste, com velocidades sempre 
crescentes na medida em que nos aproximássemos 
do centro. Os ventos fortes, que geram enormes 
ondas de cerca de 10 metros de altura, são 
acompanhados de fortes aguaceiros. Na medida 
que entramos no centro, a temperatura do ar 
aumenta, o vento enfraquece, a chuva cessa e o céu 
brilha na medida em que nuvens médias e altas 
aparecem no horizonte. O barômetro agora está 
indicando o valor mias baixo de pressão (965hPa), 
cerca de 50hPa mais baixo do que a pressão 
medida na parte externa da tempestade. O breve 
intervalo acaba quando entramos no lado leste da 
tempestade através da parede do olho do furacão. 
Agora somos atingidos por chuvas intensas e fortes 
ventos de direção sul. Na medida em que nos 
afastamos da parede do olho do furacão, a pressão 
sobe, os ventos diminuem, a chuva vai acabando e 
eventualmente o céu fica claro. 
 Esta viagem fictícia através de um furacão 
faz surgir algumas questões que precisam ser 
respondidas. Por que, por exemplo, a pressão 
atmosférica é mais baixa no centro do furacão? Por 
que o tempo fica claro quase imediatamente na área 
externa da tempestade? Para ajudar a responder a 
estas questões, temos que analisar o perfil vertical 
de um corte desta tempestade, passando pelo seu 
centro. Naturalmente, esta visão seria quase 
impossível na realidade. Entretanto, um modelo que 
descreve tais perfis é dado na Figura 11.3. 
Este modelo mostra que o furacão é 
composto de uma massa organizada de nuvens de 
tempestade que fazem parte da circulação total do 
sistema. Perto da superfície o ar úmido tropical flui 
na direção do centro do furacão. Perto do olho, o ar 
sobe e se condensa em enormes nuvens 
cumulonimbos que produzem precipitação pesada, 
com mais de 25 cm por hora. Perto do topo da 
tempestade, o ar relativamente seco, tendo perdido 
sua umidade, começa a fluir para longe do centro do 
sistema. Este ar divergente