11_Furacões
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11_Furacões


DisciplinaIntrodução Às Ciências Atmosféricas68 materiais317 seguidores
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costa de Maryland, Delaware 
e Nova Jersey. 
 Os ventos fortes de um furacão podem gerar 
grandes ondas, às vezes de 10 a 15 metros de 
altura. Estas ondas caminham para longe da 
tempestade na forma de swells que podem carregar 
a energia da tempestade até praias muito distantes. 
Conseqüentemente, os efeitos da tempestade 
podem ser sentidos vários dias antes da chegada do 
furacão. 
Embora os ventos fortes de um furacão 
possam causar sérios danos, a maior parte da 
destruição causada por um furacão é resultante das 
grandes ondas, do aumento do nível do mar e dos 
conseqüentes alagamentos e enchentes. As 
enchentes são decorrentes das fortes chuvas e do 
transporte de água do mar por sobre as regiões 
costeiras. A precipitação pode exceder 63 cm em 24 
horas. A baixa pressão no furacão também ajuda a 
dar origem aos alagamentos. A intensa zona de 
baixa pressão dá origem a uma elevação no nível do 
mar (\u2248 1/2 m). Lembrar que a diminuição de 1 hPa 
na pressão atmosférica produz uma elevação em 
torno de 1 cm no nível do mar. O efeito combinado 
do aumento do nível do mar e de ventos fortes 
podem produzir \u201cstorm surge\u201d \u2013 uma elevação 
acima do normal de vários metros no nível do 
oceano \u2013 que inunda áreas baixas e que transforma 
as casas na costa em pilhas de destroços. As \u201cstorm 
surge\u201d são particularmente destrutivas quando 
coincidem com marés altas. 
Pode-se imaginar que os danos também 
sejam muito grandes quando o furacão dá origem a 
tornados. Ainda não se conhece o mecanismo exato 
para que isto ocorra, mas alguns estudos sugerem 
um papel importante da topografia da superfície para 
iniciar a convergência do ar em superfície. Em 
muitos casos áreas muito afetadas que haviam sido 
consideradas como atingidas por tornados, na 
realidade foram atingidas por \u201cdownburts\u201d 
associados com os grandes cumulonimbos 
presentes na parede junto ao olho do furacão. Os 
cientistas que acompanharam o furacão Debby com 
radar Doppler em 1982, observaram a presença de 
um mesociclone na parte sul da parede do olho do 
furacão. 
Com a ajuda de barcos, satélites, radar, 
bóias e aviões de reconhecimento, monitora-se 
constantemente a localização, a intensidade e o 
movimento dos furacões nos Estados Unidos. Isso 
tem permitido a emissão de avisos e alertas com 
tempo suficiente pra que a população das possíveis 
áreas a serem atingidas se protejam ou sejam 
evacuadas dos locais mais perigosos. Muitas 
mortes têm sido evitadas em anos mais recentes 
devido ao avanço nas pesquisas que permitem 
determinar com mais precisão a trajetória e a 
intensidade destas tempestades. De qualquer 
maneira, regiões muito vulneráveis como alguns 
países da América Central e Bangladesh não 
puderam ainda fazer uso deste avanço, pois não têm 
como retirar a população a tempo das áreas a serem 
atingidas. 
 Foi elaborada a escala Saffir-Simpson 
(Tabela 11.1) num esforço para estimar os possíveis 
dados de um furacão em uma área costeira em 
função da velocidade do vento e da \u201cstorm surge\u201d. 
 
Semicírculos perigosos para a navegação5 - 
Embora todas as partes de um furacão sejam 
perigosas para os navegantes, o perigo parece ser 
maior no semicírculo direito do que no semicírculo 
esquerdo no hemisfério norte (acontecendo o 
contrário no hemisfério sul). Em geral, o vento é 
mais forte no semicírculo da direita possivelmente 
porque o vento observado nesta região é a soma do 
vento ciclônico com o vento de escala planetária 
paralelo à trajetória da tempestade. Como mostrado 
na Figura 13-18, o vento em algumas partes do 
semicírculo da direita no hemisfério norte e no 
semicírculo da esquerda no hemisfério sul é paralelo 
à direção do fluxo principal no qual a tempestade 
está embebida. E quase todos os ventos nestes 
semicírculos são paralelos ao fluxo principal. Deste 
modo o vento no semicírculo da direita, no 
hemisfério norte, e no semicírculo da esquerda, no 
hemisfério sul, está sendo aumentado pela 
componente apropriada do fluxo principal. Nos 
semicírculos opostos, o vento resultante é menor por 
ser a diferença entre o fluxo ciclônico e a 
componente do fluxo principal que está em uma 
direção contrária. A diferença entre as velocidades 
nos semicírculos opostos pode ser bem significativa. 
 
Nomenclatura \u2013 Na medida em que os furacões 
vão se formando ao longo do ano, eles vão 
recebendo nomes de pessoas em ordem alfabética, 
o que torna fácil sua identificação temporal. Esta 
maneira de designar os furacões começou em 1953. 
Vale ressaltar que uma tempestade recebe um nome 
somente quando ela atinge a força de uma 
tempestade tropical (ventos com velocidades acima 
de 35 nós). No período de 1953 a 1977, eram 
usados somente nomes femininos. A partir de 1978 
 
5 Somente esta parte retirada de: 
DONN, W. Meteorology. New York, 1975. cap. 13, p.315-347. 
começaram a ser usados nomes femininos e 
masculinos alternadamente, assim como 
começaram a empregar também não só nomes em 
inglês, como nomes em francês e espanhol. 
Alguns nomes já usados foram excluídos da 
lista por se referirem a furacões de extrema 
importância no passado por terem causado muitos 
danos e tornando-se, portanto, famosos (ver Tabela 
11.2). 
 
Comparação entre os Furacões e as 
Tempestades das Latitudes Médias 
 
Deve ficar evidente que um furacão é muito 
diferente de um ciclone de latitudes médias. Um 
furacão obtém sua energia da água quente e do 
calor latente de condensação, enquanto que uma 
tempestade de latitudes médias obtém sua energia a 
partir de contrastes horizontais de temperatura. A 
estrutura vertical de um furacão é tal que sua coluna 
central de ar é quente deste a superfície até níveis 
mais altos; conseqüentemente, os furacões são 
chamados de baixas quentes (\u201cwarm core lows\u201d). 
Um furacão se enfraquece com a altitude e na 
verdade, a área de baixa pressão em superfície 
pode se tornar uma área de alta pressão acima de 
12 km. Os ciclones de latitudes-médias, por outro 
lado, geralmente se intensificam com a altitude e 
pode existir uma baixa fria ou cavado em altitude à 
oeste dos sistema em superfície. Um furacão 
geralmente tem um olho onde o ar está descendo, 
enquanto nos ciclones de latitudes médias são 
caracterizados por centros com movimento 
ascendente de ar. Os ventos do furacão são mais 
fortes perto da superfície, enquanto os ventos mais 
fortes das tempestades de latitudes médias são 
encontrados em altos níveis, as correntes de jato. 
Outros contrastes podem ser encontrados 
em uma carta se superfície. A Figura 1 mostra o 
furacão Allen sobre o Golfo do México, assim como 
uma tempestade de latitudes médias mais ao norte 
na Nova Inglaterra. Em torno do furacão, as 
isóbaras são mais circulares, o gradiente de pressão 
é mais intenso e os ventos mais fortes. Os furacões 
não têm frentes associadas e são menores (embora 
o Allen tenha sido maior que a maioria dos 
furacões). Existem semelhanças entre os dois 
sistemas: ambos são áreas de baixas pressões em 
superfície, com ventos movendo-se mais ou menos 
no sentido anti-horário (hemisfério norte) em torno 
de seus centros. 
É interessante notar que algumas 
tempestades, denominadas nos Estados Unidos de 
\u201cnortheasters\u201d (tempestades de inverno que se 
movem de nordeste ao longo da costa da América 
do Norte, trazendo chuva forte, altas ondas e fortes 
ventos) podem ter algumas características de um 
furacão. Por exemplo, numa destas tempestades 
particularmente poderosa em janeiro de 1989, foi 
observado a presença de um centro sem nuvens 
como um olho, além de ventos em superfície que 
excediam 85 nós que giravam em torno de um 
centro quente. 
Mesmo que os furacões se enfraqueçam 
rapidamente na medida que eles avançam sobre 
superfícies de terra, sua circulação ciclônica pode 
persistir no ar com propriedades contrastantes. Se o 
furacão se associar com um cavado em altos níveis, 
ele pode se tornar um ciclone de latitudes médias. 
Isto é o que aconteceu