ECA_Aula 6 a 8_Responsabilidades
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PELA FALTA, OMISSÃO OU ABUSO DOS PAIS OU RESPONSÁVEL. 
 Exemplo: a criança que se torna vítima de violência intrafamiliar ou em razão da morte dos pais ou quando o rendimento escolar não é acompanhado pelos pais ou responsáveis.
3ª) Por fim, justifica a aplicação da medida protetiva em razão da CONDUTA DA PRÓPRIA CRIANÇA OU ADOLESCENTE. 
 Exemplo: quando os menores cometem um ato infracional ou quando praticam atos capazes de colocá-los em risco, como ingestão de bebida alcoólica ou fuga de casa.
CAPÍTULO II \u2013 DAS MEDIDAS ESPECÍFICAS DE PROTEÇÃO
 Arts. 99 e 100
Observem que, depois de indicar as situações nas quais justifica a aplicação das medidas protetivas, o legislador, nos artigos 99 e 100, preocupou-se em traçar as REGRAS PARA ORIENTAR O APLICADOR DESSAS MEDIDAS, sempre que houver a hipótese de AMEAÇA OU VIOLAÇÃO DE UM OU MAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS.
O GRANDE NORTE NA ESCOLHA DAS MEDIDAS a ser aplicada é o FORTALECIMENTO DOS VÍNCULOS FAMILIARES OU COMUNITÁRIOS. Dependendo das peculiaridades de cada caso, elas podem ser aplicadas isoladamente, cumulativamente ou substituídas a qualquer tempo. 
 Art. 101
O art. 101 apresenta um ROL DE MEDIDAS A SEREM APLICADAS PELA AUTORIDADE COMPETENTE. 
 A autoridade pode ser:
1) O Juiz da Infância e da Juventude (conf. art. 148, I), ou 
2) O Conselho Tutelar (art. 136 do ECA). 
Se observado o rol de medidas apresentadas, conclui-se que, apesar de o legislador não ter sido taxativo no rol destas medidas, procurou calçar todas as situações capazes de ensejar um crescimento harmonioso prevendo o encaminhamento aos pais, monitoramento via orientação, apoio e acompanhamento, matrícula na escola, inclusão em programa oficial de auxilio à família aos mais necessitados, requisição de tratamento médico ou psiquiátrico, inclusão em programas de desintoxicação, abrigo e colocação em família substituta.
Quanto ao ABRIGO, como essa medida deve ser vista como ÚLTIMA ALTERNATIVA, o legislador ressaltou, no art. 100 § único, que O ABRIGO NÃO IMPORTA EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE, deve ser utilizado como MEIO DE TRANSIÇÃO PARA COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA SUBSTITUTA.
 Art. 102
Aqui, o legislador destaca como medida de proteção a REALIZAÇÃO DO REGISTRO CIVIL, sempre que for constatada a sua inexistência, devendo o documento ser elaborado com os dados disponíveis, ou seja, com o nome da criança e sua provável idade, quando se desconhecer sua data de nascimento. O nome dos pais poderá ser inserido somente pelos próprios ou por decisão judicial. 
Vistos os mecanismos capazes de salvaguardar os direitos fundamentais dos menores, Acesse sua disciplina on-line, entre em Biblioteca da Disciplina e leia o texto Medidas socioeducativas.
TÍTULO III - DA PRÁTICA DO ATO INFRACIONAL
CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS
Partindo-se da idéia de que a lei 8.069/90 se constitui num instrumento de transformação e de garantias de direitos, o legislador, em alguns momentos, abandonou a técnica tradicional legislativa para utilizar técnica própria, com o fim de preservar a sua proposta inicial. Assim, como destinou esse capítulo para regulamentar as MEDIDAS DE PROTEÇÃO EM SENTIDO AMPLO:
- primeiro regulamentou as medidas a serem aplicadas aos carentes (art. 101); 
- em seguida, as medidas a serem aplicadas aos infratores (art. 112); 
- e, por fim, as medidas a serem aplicadas aos pais (art. 129). 
Depois de regulamentar as medidas protetivas, começa a preparar o aplicador da norma para utilizar as MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS. Como estas medidas são aplicáveis somente aos adolescentes infratores, houve o cuidado de:
- conceituar ato infracional no art. 103, 
- definir a imputabilidade infantojuvenil no art. 104 
- e, por fim, cuidar da criança infratora no art. 105. 
Como se pode verificar, ATO INFRACIONAL NÃO É CRIME NEM CONTRAVENÇÃO, e sim apenas um ATO ANÁLOGO AO CRIME OU À CONTRAVENÇÃO. 
Daí a pergunta: em que esses dois atos diferem? 
Para responder a essa pergunta, devemos partir da comparação analítica desses dois atos. Assim, se crime é a conduta, típica, antijurídica e culpável, a conclusão a que vamos chegar é que O ÚNICO ELEMENTO QUE FALTA AO ATO INFRACIONAL É A CULPABILIDADE, visto que a culpabilidade se compõe de dois fatores:
1. psicológico (que envolve a capacidade de discernimento);
2. biológico (que decorre da idade penal). 
Como não temos o elemento biológico, essa conduta não tem como se constituir num crime, e sim num ato análogo a um crime. E, se não há crime, não pode haver como resposta uma pena, e sim uma medida socioeducativa. 
Com base nessa premissa, o legislador não vinculou as medidas aos atos infracionais, diferentemente dos crimes, na medida em que, a cada crime, está acoplada uma pena.
 Art. 104 § único: Possibilidade de aplicação de medida socioeducativa ao jovem adulto, ao determinar que a IDADE DO ADOLESCENTE DEVE SER CONSIDERADA À ÉPOCA DO FATO, e não na data da apreensão, captura ou sentença. Este limite é muito importante, pois evita que jovens criminosos acabem impunes por conta da idade.
 Exemplo: se um adolescente comete um ato infracional bárbaro às vésperas de completar 18 anos e só é apreendido com mais de 18 anos, poderá ser aplicada a ele uma medida socioeducativa. Outro aspecto importante abordado pela lei diz respeito à criança infratora: o legislador definiu o tipo de medida a ser aplicada a ela e a autoridade competente que, conforme dispõe o art. 136, é o Conselho Tutelar.
CAPÍTULO II - DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS
O legislador, antes de abordar as medidas socioeducativas, teve a preocupação de definir os direitos individuais e as garantias processuais do adolescente infrator. Conforme dito anteriormente, os direitos fundamentais dos menores nada mais são que os direitos fundamentais do cidadão comum acrescidos do status de prioridade absoluta.
Assim, o legislador entendeu por bem ratificar que os direitos individuais previstos para o criminoso também são aplicáveis aos adolescentes infratores, tanto que, no art. 106 do ECA, praticamente transcreve o disposto nos incisos LXI e LXIV do art 5º da CF, ao garantir que nenhum adolescente poderá ser apreendido senão em flagrante delito ou por ordem de autoridade judicial competente.
 Art. 106:
- Esta RESSALVA EM RELAÇÃO À AUTORIDADE COMPETENTE é importante por:
LIMITAR A PRERROGATIVA SOMENTE AO JUIZ DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE, e não a outro juiz, e também por 
Determinar que o adolescente infrator tem o direito de saber quem são os RESPONSÁVEIS PELA SUA APREENSÃO e ser ALERTADO ACERCA DE SEUS DIREITOS, inclusive o de permanecer calado em sede policial. 
 Importância prática dessa regra: com relação à identificação dos responsáveis pela apreensão, permite aos menores identificar o autor de um abuso de autoridade, caso ocorra.
 Art. 107: Objetivando dar MAIS VISIBILIDADE À APREENSÃO DO ADOLESCENTE, determinou o legislador que deverá o delegado comunicar a chegada do menor à DP ao juiz, à família ou à pessoa por ele indicada. Como a privação da liberdade se constitui numa exceção, deverá o Delegado, ainda nesse mesmo momento, verificar se é o caso de liberação imediata e, para tanto, deverá tomar por base as regras contidas no art. 122 desse mesmo diploma legal. Ainda relativamente às garantias individuais, o legislador fez questão de estabelecer que o prazo máximo da internação provisória do adolescente infrator é de 45 dias e de determinar que essa internação provisória só poderá decorrer de decisão judicial pautada em indícios de autoria e materialidade, ou seja, ser uma decisão fundamentada. Para concluir o rol das garantias individuais, estende ao menor infrator o direito à não-identificação datiloscópica na DP, salvo em caso de dúvidas.
CAPÍTULO III - DAS GARANTIAS PROCESSUAIS
Estas estão previstas nos art. 110 e 111. Neste item, o legislador resgata uma grande injustiça do passado em relação ao delinqüente juvenil, ao prever que nenhum adolescente hoje poderá ser privado de sua liberdade, sem o devido processo legal. Como corolário do devido processo legal, garantiu o direito de citação, igualdade