ECA_Aula 6 a 8_Responsabilidades
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na relação processual, defesa técnica por advogado, assistência judiciária gratuita, bem como o direito de ser ouvido pessoalmente e de solicitar a presença de seus pais em qualquer fase do processo.
CAPÍTULO IV - DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
Observem a técnica utilizada pelo legislador em relação ao menor infrator. Antes de definir as medidas socioeducativas, preocupou-se em (1) preservar a dignidade do infrator por meio das garantias e ainda (2) definir as regras para a sua aplicação. 
 Art. 112: O legislador, ao cuidar das medidas a serem aplicadas ao ADOLESCENTE INFRATOR, o fez de forma a garantir a sua completa RESSOCIALIZAÇÃO, tanto que:
Aponta as 6 espécies de medidas socioeducativas e
Prevê a possibilidade de cumulá-las com as medidas previstas no art. 101, exceto as que visem à colocação em família substituta.
 Art. 112 §1º
- C/C art. 113: O legislador indicou os CRITÉRIOS A SEREM OBSERVADOS PELO JUIZ NO MOMENTO DA ESCOLHA DA MEDIDA MAIS ADEQUADA, a saber:
a) a capacidade para cumpri-la;
b) as circunstâncias e conseqüências do fato;
c) a gravidade da infração;
d) as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
 Art. 112 §2º
Como uma das espécies de medida se constitui na prestação de serviço, o legislador teve a preocupação de ressaltar que, em nenhuma hipótese, será admitida a prestação de trabalho forçado. Isso porque as medidas socioeducativas:
Têm caráter pedagógico e 
Visam à proteção e à educação do adolescente em conflito com a lei. 
 Art. 112 §3º
- Aqui o legislador não eximiu os ADOLESCENTES PORTADORES DE DOENÇA MENTAL da aplicação dessas medidas. Apenas previu que sejam aplicadas de forma individual e em local especializado, o que ainda é uma utopia nos dias de hoje, em razão da inexistência dessas entidades em nosso país.
 Art. 113
- Outra peculiaridade do sistema socioeducativo diz respeito à possibilidade de APLICAÇÃO CUMULADA DAS MEDIDAS E A SUA SUBSTITUIÇÃO A QUALQUER TEMPO, por força do art. 113, c/c art. 99. 
 Art. 114
- Como a MEDIDA SOCIOEDUCATIVA deve guardar NEXO DE PROPORCIONALIDADE com o ATO PRATICADO, exigiu o legislador que, para a IMPOSIÇÃO DAS MEDIDAS DESCRITAS NOS incisos II a V do art. 112, com EXCEÇÃO DA REMISSÃO (art. 127), restem suficientemente comprovadas a autoria e a materialidade do ato infracional. 
 Já para a medida de advertência (inciso I), a exigência ficou restrita à prova da materialidade e INDÍCIOS de autoria.
 Exemplo: um determinado aluno da escola é conhecido por pichar os seus cadernos, aí, num determinado dia, toda a escola amanhece com a pichação desse aluno, mas ninguém o viu praticando o ato, e ele nega. Nesta situação, como temos apenas indício da autoria com materialidade, a única medida a ser aplicada será de advertência, não cabem as demais.
Depois ultrapassar todas essas etapas, o legislador começa a esmiuçar as medidas.
I) DA ADVERTÊNCIA (art. 115)
- Consiste numa espécie de admoestação verbal, reduzida a termo e assinada pelo adolescente e seus responsáveis, com o objetivo de alertar o menor dos riscos do seu envolvimento. Na prática, esta medida está restrita aos ATOS INFRACIONAIS DE NATUREZA LEVE.
II) DA OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO (art. 116) 
- O legislador estatutário reservou esta medida aos atos infracionais de NATUREZA PATRIMONIAL. 
- Como envolve um tipo de obrigação que normalmente deve ser exercida pelos pais, nos moldes da lei civil, o legislador determinou que esta medida só poderá ser aplicada se o adolescente tiver condições de cumpri-la por si mesmo. Caso não tenha, a medida terá de ser substituída por outra (§ único). 
 Ainda para facilitar, determinou que esta medida possa ser cumprida com:
1) A restituição da coisa
2) O ressarcimento ou 
3) Outra forma que compense o prejuízo. 
 O exemplo que se tornou conhecido pela sociedade foi aplicado pelo Dr. Siro Darlan, que condenou alguns adolescentes a pintarem o muro do Maracanã como forma de reparação do dano.
III) DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE (art. 117) 
- Esta medida é de grande valia poque:
1) Preenche o tempo ocioso do adolescente infrator
2) Traz nítida sensação à coletividade de resposta penal à sua conduta. 
- Não obstante o seu caráter pedagógico, como envolve o trabalho do menor, o legislador:
Condicionar a sua aplicação às condições pessoais do menor e
Estabeleceu prazo máximo de 6 meses, com a possibilidade de extensão a uma jornada máxima de 8 horas semanais, sem prejuízo do horário escolar ou profissional.
IV) DA LIBERDADE ASSISTIDA (art. 118 e 119)
- Esta medida será aplicada sempre que se mostrarem necessários:
1) O acompanhamento
2) O auxílio e 
3) A orientação ao adolescente infrator (art. 118). 
- O legislador determinou o prazo mínimo de seis meses para a sua aplicação (art. 118 §2º).
 Observem que foi fixado um prazo mínimo, e não máximo. Isso porque não se pode prever o tempo necessário para se ressocializar um adolescente que esteja envolvido com a prática de ato infracional.
- Esta medida, nos dias de hoje, é a que mais tem resgatado os nossos adolescentes, porque, na prática:
1) O menor continua sob os cuidados de sua família e, ainda 
2) O menor é monitorado pelo juiz, na pessoa de um orientador. 
 Dada a importância do papel desse orientador, o legislador apontou uma gama de compromissos a serem observados por ele (art. 119), dentre os quais o de diligenciar a freqüência escolar e a profissionalização do adolescente e apresentar relatório, de forma a subsidiar a análise judicial acerca da necessidade da manutenção, substituição, extinção ou regressão da medida.
V) DA SEMILIBERDADE (art. 120)
- Trata-se de uma medida que pode ser aplicada desde o início ou como forma de transição para o meio aberto (art. 120 caput). 
- Aplicam-se a ela as disposições relativas à internação, desde que compatíveis (§2º). 
 Tal como na medida de internação:
Não comporta prazo determinado
Sua manutenção deve ser reavaliada pela autoridade judicial, no máximo, a cada seis meses. 
- É da essência dessa medida o EXERCÍCIO DE ATIVIDADES EXTERNAS (escolarização e profissionalização - §1º). Como conseqüência, o adolescente tem liberdade para estudar e trabalhar.
VI) DA INTERNAÇÃO 
- Esta medida será tratada na aula a seguir, em separado.
TÍTULO IV - MEDIDAS APLICÁVEIS AOS PAIS (arts. 129 e 130)
Consiste em uma série de MEDIDAS A SEREM APLICADAS AOS PAIS QUANDO RESTAR COMPROVADO QUE A ORIGEM DO PROBLEMA DO MENOR ESTÁ NA FAMÍLIA.
Nesse contexto, foram previstas medidas capazes de orientar e preparar os pais para assumirem os seus reais papéis. Tal preparação visa a proporcionar aos filhos um ambiente compatível com a sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Ainda nessa trilha de preservação do crescimento harmonioso do menor, trouxe uma grande novidade, que consiste na possibilidade do afastamento do lar do agressor do menor, como medida cautelar (ECA, art. 130).
Atenção: acesse sua disciplina on-line para participar do Fórum de Discussão, tirar suas dúvidas e realizar os exercícios de autocorreção desta aula. Isto é essencial para fixar o conteúdo e marcar sua presença na aula. 
Para aprofundar seu estudo sobre medidas socioeducativas, vale conferir o livro:
KONZEN, Afonso Armando. Pertinência socioeducativa: reflexões sobre a natureza jurídica das medidas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005.
EXERCÍCIOS \u2013 Aulas 5 e 6
1) Identifique a alternativa correta:
	A presença de crianças e adolescentes não é permitida em estabelecimento que explore comercialmente atividades de:
I) Exposição de arte
II) Bilhar
III) Rodeios
IV) Sinucas
V) Casa de apostas
R: II e V
2) Quanto à política de atendimento prevista pelo ECA é INCORRETO afirmar:
I) A municipalização do atendimento não constitui uma das suas diretrizes
II) Visa agilizar o atendimento ao adolescente que pratique ato infracional através da integração operacional entre os órgãos competentes
III) É feita através da articulação entre as ações governamentais e não-governamentais da União, dos Estados,