ECA_Aula 15_Crimes e infrações adm
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DisciplinaDireito da Crianca e do Adolescente1.455 materiais3.931 seguidores
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dispositivo foi alterado pela Lei 10.764/03. 
- Crime próprio, em que só pode ser autor o produtor, diretor ou ator da representação. 
- A cena vexatória a que alude o tipo penal deve ser entendida como aquela que deriva da participação do menor. 
- Cena pornográfica = Aquela que tenha cunho libidinoso.
- Este tipo somente é punido na modalidade dolosa, exceto no caso do § 2º, II, do art. 240. 
- Trata-se de crime formal, assim a sua consumação independe do resultado, ou seja, independe de sua exibição ao público.
14. DIFUSÃO DE PEDOFILIA (art. 241)
- Dispositivo também alterado pela Lei 10.764/03
- Visa incriminar a conduta de quem dê publicidade à cena pornográfica ou de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente. 
- Crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. 
- Sujeito passivo: Criança ou o adolescente. 
- Tipo misto alternativo, representado por vários verbos e, como tal, a prática de mais de um verbo não configura mais de uma ação.
- Admite tentativa em todas as suas modalidades. 
- A consumação somente ocorrerá quando o material produzido chegue ao conhecimento de terceiros. 
- A veiculação do material poderá se dar por qualquer meio de comunicação, inclusive internet.
15. VENDA, FORNECIMENTO OU ENTREGA DE ARMA, MUNIÇÃO OU EXPLOSIVO (art. 242)
- Também foi alterado pela Lei 10.764/03 
- Como se trata de lei especial, o estatuto acabou sendo revogado neste tipo penal.
16. VENDA, FORNECIMENTO OU ENTREGA DE PRODUTO CAUSADOR DE DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA (art. 243)
- Trata-se de norma subsidiária a lei de tóxicos, ou seja, ela somente será aplicada quando não for possível aplicar a Lei 11.343/06. 
- Tal como a lei de tóxico, aqui também há um TIPO MISTO ALTERNATIVO que se materializa com a venda, fornecimento ou entrega de produto que cause dependência. 
- Crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. 
- Só é punido na modalidade de dolo, por isso é necessário que o autor do crime tenha conhecimento acerca dos efeitos da substância. 
- Por ser um crime formal e abstrato, para a sua consumação não se exige o advento da dependência física ou psíquica.
17. VENDA, FORNECIMENTO OU ENTREGA DE FOGOS DE ESTAMPIDO OU DE ARTIFÍCIO (art. 244)
- Crime formal de perigo abstrato, ou seja, os fogos de estampidos ou de artifícios devem ter capacidade de provocar dano físico. Logo, para se consumar o crime, uma REAL SITUAÇÃO DO PERIGO terá que ocorrer. 
- Somente é punido a título de dolo. 
- Segue o rito da Lei 10.529/03.
18. EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE (art. 244-A):
- Crime de ação única, na medida em que a conduta típica consiste em \u201csubmeter\u201d a vítima à prostituição ou exploração sexual. Por conseguinte, o tipo penal visa a impedir a conduta dos aliciadores ou daqueles que explorem sexualmente a vítima de qualquer forma. O dolo, aqui, consiste em levar o menor à prostituição ou exploração sexual e não com ela manter ato libidinoso. Por questão de política criminal, no § 1º o legislador equiparou a conduta do partícipe à conduta do autor. Assim, para ser apenado o proprietário terá que ter o mesmo dolo do caput do artigo.
INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
- Infrações administrativas configuram uma forma de interferência do Estado na órbita do interesse particular, para salvaguardar o interesse público. Há quem entenda que decorrem do poder de polícia do Poder Público. Foi exatamente dentro dessa ótica que o Estatuto definiu as suas infrações administrativas.
INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM ESPÉCIE
1. OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE MAUS TRATOS (art. 245):
- Sujeito ativo dessa infração: Médico, o diretor, dono ou do hospital, bem como o responsável pelo estabelecimento de ensino. 
- Aqui no caso não importa se o hospital ou a escola é público ou particular. O médico não pode alegar \u201csegredo médico\u201d, já que esta obrigação decorre da própria lei. 
- Quanto a autoridade competente mencionado no dispositivo é o Conselho Tutelar. 
- A conduta se caracteriza com a simples omissão de comunicação. 
- Aqui não se perquire se o agente agiu com dolo ou culpa, mas tão somente se o agente teve ou não conhecimento dos fatos e não comunicou a autoridade competente.
2. IMPEDIR O EXERCÍCIO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DE AMPLA DEFESA, CONTRADITÓRIO, CONVIVÊNCIA FAMILIAR E ESCOLARIZAÇÃO DE ADOLESCENTE PRIVADO DE SUA LIBERDADE (art. 246)
- Como o dispositivo nos remete ao art. 124, o entendimento é no sentido de que:
- o sujeito passivo nessa infração administrativa é o adolescente infrator e
- o sujeito ativo é o responsável ou o funcionário da entidade de atendimento que impeça um dos direitos fundamentais ressaltados nesse dispositivo.
3. DIVULGAÇÃO DE DADOS E IDENTIFICAÇÃO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE A QUE SE ATRIBUA AUTORIA DE ATO INFRACIONAL (art. 247):
- Bem jurídico tutelado: Proteção do sigilo que deve cercar a pessoa da criança ou do adolescente autor de ato infracional. 
- Sujeito passivo: criança ou adolescente autora de ato infracional e, não a vítima criança ou adolescente de crimes. 
- Sujeito ativo da infração pode ser qualquer pessoa, que venha divulgar ou exibir total ou parcialmente fotografia ou ilustração de atos atribuídos a criança ou adolescente envolvido em ato infracional, sem autorização, fatos constantes de procedimento judicial, policial ou administrativos. 
- O estatuto prevê como penalidade a multa além da suspensão da programação da emissora por até dois dias ou da publicação do periódico até por dois números, a partir da expressão \u201cou a suspensão...\u201d foi declarada inconstitucional pelo STF, através da ADIN 869-271998.
4. GUARDA PARA FINS DE TRABALHO DOMÉSTICO (art. 248)
- Visa a resguardar os direitos fundamentais dos adolescentes, de modo que não sejam explorados e recebam os cuidados necessários em relação aos seus direitos trabalhistas, direito à educação e os demais direitos previstos na Constituição Federal. Como a CF estabeleceu que somente é permitido ao menor trabalhar a partir de 16 anos de idade, somente a partir dessa faixa etária é permitido trazer adolescente de outra comarca para a prestação de serviços domésticos. 
- A autorização dos pais do menor não elide a necessidade da REGULARIZAÇÃO DA GUARDA. Nessas situações exige-se que haja assinatura da carteira de trabalho, o pagamento referente a um salário mínimo, não podendo ser descontado despesas de moradia e alimentação. 
- Sujeito ativo da infração, pode ser qualquer pessoa desde que ela traga o adolescente de outra
comarca com o fim específico de prestar serviço doméstico, sem a devida comunicação.
5. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES DECORRENTES DA AUTORIDADE FAMILIAR (art. 249)
- A lei prevê a possibilidade de pena de multa aos pais ou responsáveis pelo descumprimento dos deveres inerentes à autoridade familiar ou ao poder familiar. 
- A aplicação da pena prevista neste dispositivo NÃO ELIDE A APLICAÇÃO DAS DEMAIS SANÇÕES CABÍVEIS, sejam elas criminais ou decorrentes da destituição ou suspensão do poder familiar. 
- Hoje pela moderna visão da autoridade parental, não basta que os pais somente criem seus filhos, porque esta criação tem que ser respaldada no amor, ética e responsabilidade de forma a prepará-los para a vida adulta. A questão que se coloca é a referente à possibilidade de se colocar a figura da madrasta ou padrasto no pólo ativo dessa infração. Hoje a tendência do direito é de reconhecer efeitos jurídicos às situações de fato e, com base nesse raciocínio, tem-se entendido a aplicação dessa infração a eles, desde que infrinjam os deveres que decorrem da
guarda, na medida em que o próprio dispositivo além de se reportar aos deveres dos pais e tutores, se reporta também aos deveres dos guardiões. 
- Quanto aos dirigentes de instituição, os quais são equiparados aos guardiões por disposição legal, também poderão figurar como sujeito ativo dessa infração. Trata-se de infração apenada a título de dolo ou culpa. Como exemplo de comportamento culposo, podemos citar aquelas situações em que os pais ou responsáveis não ficam atentos às necessidades do menor, de acordo com a sua faixa etária,