ECA_Aulas 10 a 11_Órgãos
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infância, podemos citar pedidos de emancipação, de registro tardio, suprimento de capacidade ou consentimento para casamento, ação de alimentos.
Com relação à GRATUIDADE DE JUSTIÇA, apesar de o § 2º do art. 141 dispor acerca da gratuidade de custas e emolumentos para todos os processos da competência da Vara da Infância, esta norma há de ser interpretada nos moldes do art. 19 do CPA, já que a gratuidade de justiça é exceção em nosso sistema jurídico. Por tratar-se de norma de exceção, tem de ser interpretada restritivamente, ou seja, SOMENTE SERÁ CONCEDIDA A GRATUIDADE DE JUSTIÇA NA VARA DA INFÂNCIA QUANDO O PROCESSO EM CURSO TIVER POR OBJETO A PROTEÇÃO DO DIREITO DE UM MENOR. Se o objeto não for esse, haverá necessidade do recolhimento de custas e emolumentos. 
 Arts. 143 e 144
- Não obstante o legislador estatutário ter tratado da regra processual relativa ao SEGREDO DE JUSTIÇA, nos art. 143 e 144, ele se referiu única e exclusivamente aos procedimentos e PROCESSOS PARA APURAÇÃO DA PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL. 
 Como conseqüência do sigilo do processo e da investigação, é vedada a divulgação do nome, da imagem ou de qualquer outro dado que possa identificar o autor do ato infracional. 
- Segundo o disposto no § do art. 143, a violação dessa regra configura a prática da infração administrativa prevista no art. 247 do Estatuto. 
- Deve ser ressaltado que não estão amparadas pela regra do art. 143 as VÍTIMAS DO ATO INFRACIONAL, mesmo que sejam crianças ou adolescentes, já que a regra é específica para o autor do ato infracional.
- A regra constante no art. 144 é decorrência lógica do art. 143, quando estabelece que a expedição de qualquer CERTIDÃO REFERENTE A ALGUMA AÇÃO SOCIOEDUCATIVA só se dará mediante REQUERIMENTO JUSTIFICADO. 
- No que se refere aos processos dos adolescentes carentes, o ECA não traz regra expressa sobre o segredo de justiça, mas, em face da disposição constante do art. 152, que remete para a legislação processual vigente, torna perfeitamente possível a aplicação do art. 155 do CPC, que cuida desse tema.
Art. 155. Os atos processuais são públicos. Correm, todavia, em segredo de justiça os processos:
I - em que o exigir o interesse público;
Il - que dizem respeito a casamento, filiação, separação dos cônjuges, conversão desta em divórcio, alimentos e guarda de menores. 
Parágrafo único. O direito de consultar os autos e de pedir certidões de seus atos é restrito às partes e a seus procuradores. O terceiro, que demonstrar interesse jurídico, pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da sentença, bem como de inventário e partilha resultante do desquite.
AULA 11
DO MINISTÉRIO PÚBLICO E A PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES INDIVIDUAIS, DIFUSOS OU COLETIVOS
Sabe-se que, a partir da Constituição de 1988, o MP passou a ter uma atuação muito mais voltada para a solução dos problemas sociais. Nessa esteira, ao estabelecer o rol de atribuições no art. 201 o legislador estatuário elegeu o MP como o grande ator na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, permitindo-lhe atuar tanto na esfera judicial como extrajudicial.
1. ATRIBUIÇÕES JUDICIAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Promover as ações socioeducativas; promover as ações de alimentos, suspensão e destituição de poder familiar, nomeação e remoção de tutores, curadores e guardiões; promover a inscrição da hipoteca legal e a prestação de contas de tutores e curadores; promover ação civil pública; promover as medidas judiciais cabíveis; impetrar mandado de segurança, mandado de injunção e habeas corpus; propor ação representação administrativa para apuração de infrações às normas de proteção.
2. ATRIBUIÇÕES EXTRAJUDICIAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Conceder remissão como forma de exclusão do processo; promover inquérito civil; instaurar procedimentos administrativos; instaurar sindicância, requisitar diligências investigatórias e requisitar instauração de inquérito policial; promover medidas extrajudiciais para o efetivo exercício dos direitos fundamentais; inspecionar as entidades e programas destinados aos menores; requisitar força policial bem como serviços públicos ou particulares para o desempenho de suas funções.
DO ADVOGADO
O ECA seguiu as determinações constantes dos tratados e convenções internacionais ao garantir às crianças e aos adolescentes a DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO CONSTITUÍDO OU ATRAVÉS DA DEFENSORIA EM CASO DE HIPOSSUFICIÊNCIA (art. 206 e 207).
Merece destaque a regra contida no § 2º do art. 207: a falta do defensor do adolescente infrator a um ato processual, previamente designado, não implica no adiamento do ato. Quanto a esse tema, destacam-se dois aspectos importantes: 
1. Presença do advogado durante a oitiva informal do adolescente infrator pelo órgão do MP - o entendimento prevalente é no sentido de se PERMITIR A PRESENÇA DO ADVOGADO, desde que ele não interfira no depoimento de seu cliente.
2. Atuação do advogado junto ao Conselho Tutelar - o entendimento é no sentido de que, como os procedimentos que têm em curso perante o Conselho Tutelar também são acobertados pelo manto do SEGREDO DE JUSTIÇA, essas informações somente podem ser fornecidas pelo Conselho Tutelar para atender requisições judiciais e do MP.
DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES INDIVIDUAIS, DIFUSOS OU COLETIVOS
Ao tratar de ações para a garantia dos direitos dos menores, o legislador agrupou-as em ações individuais e coletivas. Visto que as ações coletivas protegem um grupo maior de pessoas, iniciaremos nosso estudo com as ações coletivas. 
Continue sua aprendizagem a partir da leitura do texto Da proteção judicial dos interesses individuais, difusos ou coletivos. Ele está disponível na Biblioteca da Disciplina, seção Material de Aula.
DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES INDIVIDUAIS, DIFUSOS OU COLETIVOS
Observe:
A enumeração do art. 201 é EXEMPLIFICATIVA e não taxativa. 
O legislador também prevê ser obrigatória a intervenção do MP em todos os processos em curso na Vara da Infância, sob pena de NULIDADE (art. 202 e 204). 
Ainda nessa linha, o legislador determina que as manifestações do Ministério Público devem ser fundamentadas (art. 205).
Como é sabido por todos, os interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos correspondem à 3ª geração de direitos fundamentais. Para atender a essa nova modalidade de direitos, fez-se necessário que o ordenamento jurídico criasse novos instrumentos para a sua proteção, como a ação popular e a ação civil pública.
1. AÇÃO POPULAR 
- Criação pela Lei 4.717/65
- Legitimado ativo: o cidadão
- Objeto: a anulação ou decretação de nulidade dos atos lesivos ao patrimônio público.
2. AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
- Criação pela Lei 7.347/85
- Legitimado ativo: o MP , as autarquias, a sociedade de economia mista, a empresa pública e as associações constituídas há pelo menos um ano
- Objeto: a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, ao patrimônio artístico, histórico, turístico e paisagístico ou a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.
Na linha de garantir os direitos metaindividuais dos menores, o legislador estatutário disciplinou da AÇÃO CIVIL PÚBLICA em seu art. 210, divergindo apenas no que diz respeito aos FINS DAS ASSOCIAÇÕES, que deve ser o de \u201cDEFESA DOS INTERESSES E DIREITOS PROTEGIDOS PELA LEI 8.069/90.\u201d 
Também, aqui A LEGITIMAÇÃO É CONCORRENTE, AUTÔNOMA E DISJUNTIVA, dando possibilidade a cada um dos concorrentes proporem a ação INDIVIDUALMENTE OU EM LITISCONSÓRCIO, inclusive entre os membros do MP.
Visto que são graves as situações de violação de direitos metaindividuais \u2013 que, de regra, necessitam de proteção judicial - a lei prevê a CONCESSÃO DE LIMINAR (art. 213 §1º). Essa providência cautelar pode ser PRÉVIA À AÇÃO CIVIL PÚBLICA OU INCIDENTAL, sendo que para a concessão da liminar é OBRIGATÓRIA A OITIVA DO PODER PÚBLICO.
Quanto ao OBJETO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA, o legislador estatutário seguiu a mesma técnica contida na Lei 7.347/85, ou seja, apenas indicou um ROL EXEMPLIFICATIVO e não taxativo em seu art. 208, enumerando oito situações de desrespeito aos direitos dos menores.
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