ECA_Aulas 10 a 11_Órgãos
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DisciplinaDireito da Crianca e do Adolescente1.451 materiais3.855 seguidores
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ao ÓRGÃO COMPETENTE PARA CONHECER ESTA AÇÃO, o legislador adotou a regra da competência territorial em seu art. 209, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária dos Tribunais Superiores. 
Diante da importância da matéria em litígio, o legislador estatutário também permitiu ao juiz da causa JULGAR EXTRA PETITA nas obrigações de fazer e não fazer, aplicando astreintes, mesmo que o autor não as tenha pedido (art. 213 e §§2º e 3º), in versis: 
\u201c... ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.\u201d
Na trilha da Lei 7.347/87, no art. 223, o legislador estatutário previu a possibilidade de INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO CIVIL, sob a presidência do Ministério Público, com a finalidade de verificar a existência de LESÃO DE DIREITO METAINDIVIDUAL. Ao término do inquérito civil, o MP poderá optar por:
1) Intentar a ação civil pública, ou 
2) Realizar o termo de ajustamento de conduta ou 
3) Promover o seu arquivamento. 
 A promoção desse arquivamento, segundo os moldes do § 1º do art. 223, deverá ser FUNDAMENTADA com a exposição dos fatos e os motivos que levaram ao seu entendimento. 
 Controle desse arquivamento (§ 2º do art. 223): Feito pelo Conselho Superior do Ministério Público, devendo o MP que promoveu o arquivamento remeter os autos ao Conselho para homologação, no prazo de 3 dias, sob pena de falta funcional. 
 Previu ainda o legislador que, enquanto o Conselho Superior não se manifestar, qualquer dos legitimados para a propositura da ação civil pública poderá se manifestar nos autos e, inclusive, acrescentar peças (art. 223, § 3º). 
 Finalmente, estabelece a lei que, após o arquivamento, o inquérito somente será reaberto com FATOS NOVOS.
TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (TAC)
- Instrumento que permite ao CAUSADOR DA LESÃO fazer uma COMPOSIÇÃO EXTRAJUDICIAL DO CONFLITO EM QUESTÃO, de forma a se buscar a execução específica da obrigação. 
- Legitimidade para negociar o TAC:
1) MP
2) Todos aqueles que têm legitimidade para propor a ação civil pública 
 (art. 211). 
- A lei atribuiu ao TAC a NATUREZA DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL e, como conseqüência, poderá ser executado diretamente em caso de descumprimento (§ 5º do art. 211).
OUTRAS AÇÕES PREVISTAS NO ECA
- Ainda dentro do capítulo da proteção dos direitos metaindividuais, o legislador estatutário cuidou dos DIREITOS INDIVIDUAIS, instrumentalizados através de outras ações como a ação mandamental e a ação para cumprimento de obrigação de fazer (art. 212). 
- O MP somente terá legitimidade para propor ação que vise à defesa dos direitos individuais do menor quando:
1) Não possua representante legal
2) Mostre-se omisso ou 
3) Não cumpra com a sua obrigação legal. 
- Diante do texto do art. 212, a conclusão que se chega é que NÃO É CABÍVEL A UTILIZAÇÃO DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA A DEFESA DE DIREITOS INDIVIDUAIS.
1. AÇÃO MANDAMENTAL (§ 2º do art. 212)
- Cabimento: Contra ATOS ILEGAIS OU ABUSIVOS de (1) autoridade pública ou (2) agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público, que lesem DIREITO LÍQUIDO e certo previsto no ECA. Rege-se pelas normas da lei do MS (Lei 1.533/51). 
- Aspectos importantes nessa ação:
a) Autoridade - é aquela pessoa que desempenha uma FUNÇÃO PÚBLICA COM PODER DE DECISÃO.
b) Direito líquido e certo - é aquele que pode ser exercido e, por conta disso, pode ser comprovado plenamente no ato da impetração da ação.
c) Juiz competente - será o Juízo da Infância do local onde estiver ocorrendo a violação do direito (art. 209). Ex: Decorrem das situações ligadas à educação, como obtenção do histórico escolar para transferência do aluno que se encontra com a mensalidade atrasada, ou pedido para fazer prova na hipótese de o aluno se encontrar suspenso.
2. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER OU NÃO FAZER
- Como toda modalidade obrigacional, estas ações decorrem de duas fontes: 
a) A LEI
b) A CONVENÇÃO DAS PARTES
- No âmbito da Vara da Infância, estas ações decorrem mais da OBRIGAÇÃO LEGAL do que do contrato. 
- A Vara da Infância somente terá competência para conhecer dessas ações quando um direito fundamental estiver sendo violado (art. 209). 
 Ex: Escola pública que possua sala de aula em péssimo estado de conservação; falta de docente em determinada escola; entrega de medicamentos; tratamento especializado etc.