Direitos e Garantias fundamentais - Direito Constitucional
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Direitos e Garantias fundamentais - Direito Constitucional


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Direitos e garantias 
fundamentais
A questão topográfica dos 
direitos e garantias fundamentais
A questão topográfica dos 
direitos e garantias fundamentais
A questão topográfica dos 
Explica Pedro Lenza (2004, p. 407) que a Constituição da República classifica o 
gênero \u201cdireitos e garantias fundamentais\u201d em cinco espécies, quais sejam:
direitos individuais;\u25a0
direitos coletivos;\u25a0
direitos sociais;\u25a0
direito de nacionalidade;\u25a0
direitos políticos.\u25a0
Em suma, está certo que a Constituição destinou aos direitos e garantias funda-
mentais todo o Título II, que se inicia no artigo 5.º e se conclui no artigo 17. Ressalta-se artigo 17. Ressalta-se artigo 17
que essa topografia é inovadora, em relação às Constituições anteriores.
Ocorre que, até 1988, a tradição do Direito Constitucional brasileiro era de ins-
crever tais direitos na parte final da Constituição. Como se disse, em 1988, o consti-
tuinte inova esse aspecto formal, lançando os direitos fundamentais logo no início da 
Constituição, após os Princípios Fundamentais (arts. 1.º a 4.º).
A evolução dos direitos e 
garantias fundamentais \u2013 as dimensões
A doutrina tradicional procura classificar, quanto à evolução, os direitos em 
gerações. Contudo, cada vez mais, ganha força a classificação em dimensões e não em 
\u201cgerações\u201d, considerando-se que entre cada dimensão não existe uma rígida e clara 
separação, como o termo gerações pode dar ensejo.
De qualquer forma, assim, a evolução dos direitos fundamentais aponta, hoje, 
para quatro momentos históricos.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Direitos fundamentais de primeira dimensão
São as clássicas liberdades, reconhecidamente chamadas de negativas, pois impu-
nham ao Estado um dever de abstenção, destacando-se a liberdade.
Explica Vidal Serrano Júnior (2004, p. 99) que:
[...] São os direitos de defesa do indivíduo perante o Estado. Sua preocupação é a de definir 
uma área de domínio do Poder Público, simultaneamente a outra de domínio individual, na 
qual estaria forjado um território absolutamente inóspito a qualquer inserção estatal. [...]
Em resumo, são os direitos civis e políticos.
Direitos fundamentais de segunda dimensão
São as chamadas liberdades positivas, na medida em que, ao contrário dos direitos 
de primeira dimensão, exigem do Estado uma atividade de prestação, com especial atenção 
à proteção à dignidade da pessoa humana, com a satisfação das necessidades mínimas da 
pessoa, tais como o direitos ao trabalho, o amparo à doença, a seguridade social.
Em resumo, são os direitos sociais, econômicos e culturais.
Direitos fundamentais de terceira dimensão
São aqueles que englobam o direito ao meio ambiente, à qualidade de vida, à paz, 
à defesa do consumidor, entre tantos outros entendidos como sendo de fraternidade, na 
medida em que o homem é inserido dentro de uma coletividade e passa a ter direitos 
dentro desse conjuno.
Em resumo, são os direitos de titularidade coletiva.
Finalmente, advirta-se que Norberto Bobbio1, fala sobre a existência de direitos 
de quarta geração, que seriam decorrentes dos avanços da engenharia genética, pois esta 
colocaria em risco a própria existência humana quando se dá a manipulação do 
patrimônio genético.
A condição exemplificativa do 
\u201cCatálogo de direitos fundamentais\u201d
O artigo 5.º da Constituição Federal (CF), por muitos chamado de o \u201ccatálogo 
de direitos\u201d, não tem a pretensão de ser exaustivo, ou seja, nomear ali todos os direitos 
e garantias fundamentais. Diz Pinto Ferreira (1998) que \u201cO enunciado dos direitos e 
1 Apud Pedro Lenza, op. cit., p. 409. FERREIRA, Pinto. Comentários à Constituição Brasileira. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 219.
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garantias fundamentais não é um catálogo completo, nem se apresenta com um numerus 
clausus.\u201d A condição de numerus apertus do artigo 5.º pode ser justificada por, ao menos, 
três motivos: 
A matéria tratada pelo artigo 5.º e sua condição evolutiva \u25a0 : a Constituição é \u201c[...] uma 
obra aberta, incompleta e imperfeita [...]\u201d. Além disso, José Afonso da Silva 
(1998) ensina que um dos traços caracterizadores dos direitos fundamentais 
é a historicidade; em suas palavras, \u201c[...] são históricos como qualquer direito. 
Nascem, modificam-se e desaparecem\u201d.
A sistematização constitucional \u25a0 : a Constituição da República de 1988 é classifica-
da como escrita ou codificada. Nesse sentido, da existência de um documento 
solene e organizado, o constituinte originário reservou aos Direitos e Garan-
tias Fundamentais todo um título (não só um artigo, capítulo ou seção), no 
caso, o Título II, que se estende do comentado artigo 5.º até o artigo 17.
A previsão do artigo 5.º, parágrafos 2.º e 3.º da \u25a0 CF: trata-se de expresso comando 
constitucional. Sucintamente, o comando \u201c[...] os direitos e garantias expressos 
nesta Constituição não excluem outros [...]\u201d é evidenciador de que nem o artigo 5.º, 
nem o Título II, mas em toda a Constituição encontram-se lançados direitos 
fundamentais e, ainda, infere-se que nem toda a Constituição se mostra apta a 
exaurir o assunto, pois além de direitos fundamentais implícitos, os tratados inter-
nacionais2 também são idôneos a inseri-los no âmbito doméstico.
O princípio da relatividade (convivência3) 
das liberdades públicas
Os direitos fundamentais não são absolutos ou ilimitáveis; ao contrário, são re-
lativos e passíveis de restrição4. Nesse sentido, um direito fundamental pode ser limitado 
internamente por seu próprio alcance material ou por uma norma restritiva infracons-
titucional (restrições indiretamente constitucionais5), desde que prevista no próprio 
enunciado do dispositivo constitucional (reserva legal), obedecendo as regras de com-
petência para edição de tal ato6 e, ainda, havendo justificação constitucional para a 
restrição.
2 Vide art. 5.º, parágrafo 3.º da Constituição Federal, acrescentado pela EC 45/04.
3 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2002, p. 61.
4 STF, MS 23.452-RJ, Rel. Min. Celso de Mello. 16/09/99.
5 STEINMETZ, Wilson Antônio. Colisão de Direitos Fundamentais e Princípio da Proporcionalidade. Porto Alegre: Livraria 
do Advogado, 2001, p. 32.
6 OLIVEIRA, Cristiane Catarina Ferreira. Liberdade de Comunicação: perspectiva constitucional. Porto Alegre: Nova Prova, 
2000, p. 29.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Colisão entre direitos fundamentais
Segundo José Carlos Vieira de Andrade (apud Steinmetz, 2001), \u201chaverá colisão 
ou conflito sempre que se deva entender que a Constituição protege simultaneamente 
dois bens ou valores em contradição concreta [...]\u201d. Ocorre que não há hierarquia nor-
mativa entre os preceitos constitucionais, eis que estão todos inseridos dentro do mes-
mo corpus constitucional (CANOTILHO, s.d., 1.013). Assim, se houver conflito entre 
dois direitos fundamentais, deverá o intérprete utilizar o princípio da concordância prática 
ou da harmonização, que nada mais significa que a aplicação, ao caso prático, dos direitos 
com a necessária ponderação (MORAES, 1999, p. 496), de forma a reduzir o alcançe de 
um deles, evitando, assim, a completa destruição de um ou de outro.
A condição de cláusula pétrea 
dos direitos e garantias individuais
Os direitos e garantias individuais, por disposição do artigo 60, parágrafo 4.º, IV, 
da CF, constitui núcleo essencial imodificável pela vontade do legislador constituinte 
derivado. Gilmar Ferreira Mendes (1998, p. 92) aponta que:
[...] tais cláusulas de garantia traduzem, em verdade, um esforço do constituinte
Ana Rita Medeiros
Ana Rita Medeiros fez um comentário
Exelente, muito bom, dá pra ter bem uma noção dos princípios da constituicão. Amei, muito obrigada. Grata, Ana Rita Att
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