Teoria Geral do Processo - FGV
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Teoria Geral do Processo - FGV


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In: 
Direito Processual Civil Vol. III, São Paulo: 
Bookseller, 1999.
6 Existe outro livro: \u201cAcesso à Justiça\u201d, 
traduzido para o português pela hoje 
Ministra Ellen Gracie Northfl eet, que 
pode ser considerada uma versão 
\u201cmais condensada\u201d escrita pelo poste-
riormente pelo professor Cappelletti 
em companhia do professor Bryant 
Garth, com base em dois volumes da 
obra anteriormente citada: CAPPEL-
LETTI, Mauro e GARTH, Bryant. Acesso 
à Justiça. Porto Alegre: Sérgio Antônio 
Fabris Editor. 1988. Tradução Ellen Gra-
cie Northfl eet. Título original: Acess to 
Justice: The Worldwide Movement to 
Make Rights Eff ective. 
7 (A) Assistência judiciária para os po-
bres, (B) representação dos interesses 
difusos e (C) um novo enfoque de aces-
so à justiça amplo, efetivo, justo e ade-
quado. CAPPELLETTI, Mauro e GARTH, 
Bryant. Acesso à Justiça. Porto Alegre: 
Sérgio Antônio Fabris Editor. 1988.
to. Na virada do século XIX para o XX, ocorreu uma profunda construção 
dogmática do Processo na Europa Ocidental, onde se destacaram os estudos 
de Giuseppe Chiovenda e Francesco Carnelutti.
Contudo, em meados do século XX, quando a ciência processual já estava 
estruturada e contava com seus próprios institutos, o Processo passa por um 
período de crise. De fato, a comunidade jurídica começa a perceber que o 
sistema processual não pode ser destituído de conotações éticas e de objetivos 
a serem cumpridos nos planos social e político.
Em 1950, durante o ato inaugural do Congresso Internacional de Direito 
Processual Civil de Florença, o consagrado professor italiano Piero Calaman-
drei realiza profundas críticas a essa visão demasiadamente abstrata e dog-
mática da Ciência Processual, visão esta que não atentava para as verdadeiras 
\ufb01 nalidades da atividade jurisdicional:
\u201cO pecado mais grave da ciência processual destes últimos cinqüenta anos tem 
sido, no meu entender, precisamente este: haver separado o processo de sua \ufb01 nalidade 
social; haver estudado o processo como um território fechado, como um mundo por si 
mesmo, haver pensado que se podia criar em torno do mesmo uma espécie de soberbo 
isolamento separando-o cada vez de maneira mais profunda de todos os vínculos com 
o direito substancial, de todos os contatos com os problemas de substância, da justiça, 
em soma.\u201d5
Não obstante, somente alguns anos depois, na década de setenta do século 
passado, é que se pode identi\ufb01 car o verdadeiro turning point de nossa Ciência. 
Naquela década, o notável jurista peninsular Professor Mauro Cappelletti, basea-
do em profundo trabalho de pesquisa do Instituto de Pesquisas de Florença, e de 
diversas Escolas ao redor do mundo, escreveu a magistral obra de quatro volumes 
denominada Acess to Justice6, em que apresentava relatórios e conclusões de di-
versos anos de pesquisa, além de numerosas sugestões para melhorar o problema 
do acesso à justiça. Esta obra jurídica é considerada o marco de nascimento da 
atual fase instrumentalista ou teleológica da Ciência Processual. No trabalho de 
Cappelletti, estão retratados os diversos obstáculos encontrados em vários países 
do mundo para que se tenha uma justiça efetiva. São também sugeridas possíveis 
soluções para o problema: Cappelletti se referiu a três momentos a serem supe-
rados, aos quais chamou de \u201condas renovatórias\u201d do acesso à justiça.7 Estavam, 
assim, lançadas as premissas de uma nova concepção do processo.
Na atual fase de evolução do Direito Processual, busca-se um efetivo e am-
plo acesso à justiça. O Judiciário idealizado por Cappelletti deve ser acessível 
a todos e a todas as espécies de demandas, individuais e coletivas, contem-
plando o titular de um direito com tudo e exatamente aquilo que o ordena-
mento jurídico lhe assegura. A atividade jurisdicional deve, ainda, produzir 
resultados individual e socialmente justos.
TEORIA GERAL DO PROCESSO
FGV DIREITO RIO 6
8 CALSAMIGLIA, Albert. Postpositivismo. 
In: Doxa: Cuadernos de Filosofía del 
Derecho. Espanha: Doxa 21-I, 1998, p. 
209-220.
Assim, o Direito Processual de nossos dias é caracterizado por uma menor 
preocupação com as formalidades processuais e maior com a justiça da de-
cisão e os re\ufb02 exos desta na sociedade. Deseja-se, assim, formar um processo 
apto a atingir os resultados políticos e sociais que legitimam sua existência.
1.5.2. Pós-Positivismo e Teoria Geral do Processo
É comum nos dias de hoje em nossa comunidade jurídica a a\ufb01 rmativa de 
que nosso Direito se encontra na fase \u201cpós-positivista\u201d. O signi\ufb01 cado da ex-
pressão \u201cpós-positivismo\u201d é de difícil \u2014 se não impossível \u2014 de\ufb01 nição. Em 
verdade, ela busca representar o atual momento em que, sem fugir do princí-
pio da legalidade, se deseja superar alguns excessos do positivismo radical que 
imperou em nossos tribunais no século XX.
Segundo o jus\ufb01 lósofo espanhol ALBERT CALSAMIGLIA8, os adeptos 
do pós-positivismo não defendem um anti-positivismo (ou direito alterna-
tivo). O que ocorre é um deslocamento do enfoque das questões abordadas 
e, em alguns casos, o distanciamento de certas teses sustentadas pela maior 
parte da doutrina positivista.
De forma sintética, segundo o referido autor, são dois os pontos em que o 
pós-positivismo busca dar este novo enfoque:
(a) Os limites do direito. No pós-positivismo, as normas jurídicas não 
possuem somente elementos descritivos para tratar de fatos passa-
dos, mas também elementos prescritivos, com o objetivo de ofere-
cer elementos adequados para resolver problemas práticos. Existe 
uma preocupação relacionada aos elementos de completude do or-
denamento para solucionar hard cases. Uma das tendências mais 
importantes da teoria jurídica contemporânea é sua insistência nos 
problemas relativos à indeterminação do direito, pois as tradicionais 
fontes normativas não podem resolver todas as questões. Ademais, 
o pós-positivista coloca o julgamento (a aplicação do direito), e não 
a legislação, como feito pelos positivistas, no centro da análise da 
ciência jurídica.
(b) A relação entre direito e moral. Para o positivista, a moral só tem 
importância na medida em que ela é reconhecida pelo ordenamen-
to jurídico (o direito não perde sua coercitividade por ser injusto). 
Na realidade, ao contrário do que comumente se a\ufb01 rma, a moral 
possui curial importância para o direito, ora na interpretação de 
conceitos jurídicos indeterminados, de princípios jurídicos, ora em 
outros momentos que o magistrado se encontra diante de lacunas 
do ordenamento. Assim, conclui CALSAMIGLIA, as ferramentas 
TEORIA GERAL DO PROCESSO
FGV DIREITO RIO 7
9 MARINONI, Luis Guilherme. Teoria Ge-
ral do Processo. São Paulo, Revista dos 
Tribunais, 2006.
oferecidas pelo legislador são insu\ufb01 cientes para construir uma for-
ma de julgamento aplicável a todo e qualquer caso.
Dentro dessa perspectiva, é natural que seja ultrapassada a antiga concep-
ção que a atividade jurisdicional seria uma atividade meramente declaratória 
de direitos. Contudo, até hoje, a maioria dos \u201ccursos de direito processual\u201d 
adotados no Brasil ainda partem daquela velha premissa, consagrada na lição 
de Montesquieu, de que o Juiz seria a mera boca que pronuncia as palavras 
da lei.
Recentemente, Luiz Guilherme Marinoni, Professor Titular de Direito 
Processual Civil da Universidade Federal do Paraná, publicou sua obra de 
Teoria Geral do Processo9 em que busca superar a clássica visão apontada no 
parágrafo anterior. Baseado nas lições de ilustres autores alienígenas \u2014 tais 
como Hans Kelsen, Owen Fiss e Mauro Cappelleti \u2014, Marinoni defende a 
possibilidade da construção de novos direitos através da prestação da tutela 
jurisdicional.
Como se sabe, o surgimento de normas jurídicas relacionadas à imple-
mentação de direitos sociais, no decorrer do século XX, acarretou a gradual 
transformação do Welfare State em um imenso Estado administrativo, sobre-
carregado
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
Iran fez um comentário
Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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