Teoria Geral do Processo - FGV
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Nunes é uma das sobreviventes do desabamento do Palace II,ocorrido em 22 
de fevereiro de 1998, quando oito pessoas morreram e dezenas \ufb01 caram desabrigadas. 
Rosana, José e os três \ufb01 lhos deixaram para trás a tão sonhada moradia, levando ape-
nas a roupa do corpo. Hoje, moram num apartamento alugado em Jacarepaguá. Seus 
ex-vizinhos também vivem dias amargos: apertam-se em quartos de hotéis, comem 
enlatados, choram pelos cantos. O pesadelo está completando um ano e a depressão 
não quer passar. Enquanto isso, Sérgio Naya, proprietário da Sersan, a construtora 
que teria erguido o prédio com erros de cálculo e material barato, circula livremen-
te no eixo Brasília-Flórida (EUA), movimentando negócios milionários.\u201d(Revista 
Época do dia 22.02.1999).
Como se sabe, diversas ações foram propostas, tanto na esfera cível quan-
to criminal, objetivando apurar a responsabilidade dos envolvidos no caso 
e também reparar os danos sofridos pelos moradores do edifício Palace II. 
Entre essas diversas demandas, foi proposta ação civil pública pelo Ministé-
rio Público do Estado do Rio de Janeiro com a \ufb01 nalidade de tutelar direito 
individual homogêneo dos moradores do Edifício (arts. 81, III, 82, I e 91 da 
Lei. 8.078/90 e art. 21 da Lei. 7.347/85).
O Tribunal de Justiça de nosso Estado afastou, em grau recursal, a legiti-
midade do Ministério Público para o ajuizamento de ação civil pública em 
favor dos moradores. Naquela oportunidade, entendeu-se que o direito em 
tela era individual, homogêneo, porém disponível, motivo pelo qual a de-
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manda não podia ser promovida pelo Ministério Público: \u201c(...) Legitimatio do 
Ministério Publico para o ajuizamento de ação civil publica. Não reconhecimen-
to, no caso dos autos, em que não estão em discussão direitos difusos ou coletivos, 
transindividuais, mas sim direitos individuais que, embora homogêneos, não são 
indisponíveis. Exegese dos artigos 82, I c/c e parágrafo único seus incisos do artigo 
81 da Lei 8070/90 (Codigo de Defesa do Consumidor); 1. e 3., letra \u201ca\u201d da Lei 
8625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público), em harmonia com os 
artigos 127 e 129, III da Lei Maior. \u201cLegitimatio\u201d da litisconsorte para a propo-
situra da ação. Reconhecimento, em face dos expressos termos do artigo 82, IV e 
seu parágrafo único da Lei 8078/90\u201d. (TJRJ \u2014 7a Cam. Civel; Ap. Civel no 
15.076/98-RJ; Rel Des. Aurea Pimentel Pereira; Julgado em 08.04.1999). 
Vale observar que a ação, inicialmente proposta pelo Parquet, só não foi ex-
tinta sem julgamento de mérito porque em seu curso foi admitida como 
litisconsorte a Associação dos Moradores daquele edifício, que prosseguiu 
como autora do processo.
Que críticas podem ser apresentadas a essa decisão?
Caso 3: O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JA-
NEIRO ofereceu denúncia em face de Marcos Robson do Nascimento Silva, 
Leandro da Silva Teclat, Clébio Tavares dos Santos, João Carlos de Souza 
Ferreira, João Batista Barbosa da Silva, Henrique da Silva de Souza, Pau-
lo Geremias Barbosa, Rodrigo Ribeiro de Moraes, Fabio Ferreira da Silva e 
Maicon Da Silveira Luiz, pela prática do injusto do artigo 121 § 2º, III, do 
Código Penal, alegando, em síntese, que no dia 11 de abril de 2003, por volta 
das 19:00 horas, no interior do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristó-
vão, os denunciados, mediante meio cruel, espancaram Rogério Moura de 
Carvalho dando socos, pauladas e efetuando furos com faca e facão. Logo em 
seguida, enrolaram a vítima num plástico de banheiro e, ao perceberem que 
ela ainda vivia, deceparam sua cabeça.
A denúncia se escorou no depoimento do detento Severino da Silva San-
tos, sendo rejeitada sob o fundamento da falta de justa causa.
O Ministério Público recorreu daquela decisão com fulcro no artigo 581, 
I, do CPP, ofertando as razões respectivas que foram combatidas pelos acusa-
dos, sendo a decisão mantida pelo juízo a quo.
A peça acusatória narrava prática de crime de homicídio ocorrido no inte-
rior de um presídio, fato de difícil averiguação, e foi baseada exclusivamente 
no depoimento de uma testemunha que havia presenciado o fato.
Segunda consta nos autos, esta testemunha, em seu depoimento, no dia 
13 de abril de 2003, se refere aos diversos detentos como os autores do crime, 
sem ter sabido precisar a dinâmica do fato. No dia seguinte, 14 de abril de 
2003, em novo depoimento, descreve minuciosamente como se deu o fato 
nos seus mínimos detalhes, informando inclusive que estes detentos acusa-
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dos o ameaçaram de morte. Observa-se, assim, a falta de credibilidade destes 
testemunhos. Ademais, para procurar dar credibilidade à sua versão, no se-
gundo depoimento, apontou outro detento, Welton Gomes de Araújo, como 
testemunha do fato. Quando tal detento foi ouvido, porém, declarou que 
não tinha como reconhecer os responsáveis pelo crime através das fotos cata-
logadas nos autos, uma vez que haviam vários envolvidos no episódio, sendo 
que alguns ainda usavam \u201ctouca ninja\u201d, o que em nenhum momento foi 
dito por Severino, \ufb01 cando a versão deste isolada e suspeita, mormente por-
que reconheceu que estava sendo ameaçado por diversos detentos, incluindo 
aqueles por ele apontados como autores da infração.
Indaga-se: Em que consiste a referida justa causa? Qual sua natureza jurí-
dica? Agiu corretamente o Ministério Público ao rejeitar a denúncia?
JURISPRUDÊNCIA
(a) Teoria da Asserção
(a.1) EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM ANÁLISE DO MÉRITO. 
ILEGITIMIDADE PASSIVA RECONHECIDA NA SENTENÇA DE 
FLS. 52. Autor que sustenta a legitimidade do réu para integrar o pólo passivo. 
Condições da ação que devem ser apreciadas levando em conta as alegações 
articuladas na inicial. Legitimidade das partes que se extrai da tese autoral, 
tendo, no caso, o demandante atribuído responsabilidade à ré. A veri\ufb01 cação 
ou não da ocorrência de tal responsabilidade constitui matéria de mérito a 
ser analisada oportunamente. Teoria da asserção. Faturas mensais que osten-
tam o nome da ré, como se constata às \ufb02 s. 08, 31 e 34. Legitimidade passiva 
demonstrado. RECURSO PROVIDO PARA ANULAR a r. sentença de \ufb02 s. 
52, devendo ser apreciado o mérito da causa. Sem ônus sucumbenciais.
(Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis. TJ-RJ. Processo n. 
2004.700.044493-6. Rel(a) Juiz(a) Gilda Maria Carrapatoso Carvalho de 
Oliveira)
(a.2) Ementa: PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO \u2014 AÇÃO 
CIVIL PÚBLICA \u2014 LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
\u2014 LEIS N. 8.625/93 E N. 7.347/83 \u2014 DANO AMBIENTAL \u2014 CERA-
MISTAS \u2014 EXTRAÇÃO DE BARRO \u2014 ALVARÁ \u2014 LICENCIAMEN-
TO \u2014 PROJETO DE RECUPERAÇÃO HOMOLOGADO NO IBAMA 
\u2014 INTERESSE DO MP NO PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO CIVIL 
PÚBLICA QUE DISCUTE DANO AMBIENTAL E SUA EXTENSÃO 
\u2014 POSSIBILIDADE.
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1 \u2014 É o Ministério Público parte legítima para propor ação civil pública 
na defesa do patrimônio público, aí entendido os patrimônios histórico, pai-
sagístico, cultural, urbanístico, ambiental etc., conceito amplo de interesse 
social que legitima a atuação do parquet.
2 \u2014 A referida legitimidade do Ministério Público para ajuizar tais ações 
é prevista in satus assertionis, ou seja, conforme a narrativa feita pelo deman-
dante na inicial (\u201cteoria da asserção\u201d).
3 \u2014 Ainda que exista acordo realizado no âmbito administrativo (IBA-
MA) com as empresas demandadas, resta o interesse de agir do Ministério 
Público na busca da comprovação da exata extensão dos danos e na repara-
ção. Instâncias administrativa e judicial que não se confundem, de modo a 
não gerar obstáculo algum para o exercício da jurisdição.
(...)
(STJ. REsp 265300 / MG ; RECURSO ESPECIAL 2000/0064642-3. 
Rel. Min. Humberto Martins. 2ª Turma. Julgado em 21/09/2006.)
(a.3) Ementa: Indevido indeferimento. Sentença extinta após dilação pro-
batória e conseqüente
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
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Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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