Teoria Geral do Processo - FGV
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mais do que a mera sobrevivência. Então, 
por que mudar? É realmente necessário? O que esse marketing tem de tão 
importante? En\ufb01 m, por que fazer marketing?
Esse é um questionamento interessante, pois, de uma forma ou de outra, e 
em maior ou menor grau, os advogados fazem marketing. Sempre o \ufb01 zeram, 
só que de modo intuitivo, subliminar e, totalmente desprovido de qualquer 
planejamento ou coordenação. É como a atividade de vendas, a palavra \u201cproi-
bida\u201d da advocacia, seja no Brasil ou em outros países.
Acontece que os advogados também vendem, só que o fazem de um modo 
não explícito. A\ufb01 nal, a advocacia é uma prestação de serviços, caracterizada 
pela compra e venda de serviços jurídicos. O advento do marketing jurídico 
pressupõe, simplesmente, que essas atividades deixem de ser feitas de modo 
descentralizado e passem a ser formalmente coordenadas por pro\ufb01 ssionais de 
marketing, ou mesmo advogados, mais afeitos à disciplina.
O importante é que haja coordenação, de modo a se planejar e realizar 
ações de marketing que tragam retorno para o escritório. E tudo, é claro, 
sempre de acordo com o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimen-
to 94/2000.
Para que o marketing seja bem-sucedido, com resultados concretos, é pre-
ciso vencer as diversas barreiras existentes, que normalmente remetem aos 
próprios advogados. Há um consenso entre pro\ufb01 ssionais e consultores que 
atuam com gestão de escritórios e marketing jurídico, já bastante difundido, 
de que advogados, em termos gerais:
\u2022 São individualistas, mesmo atuando em sociedade com outros ad-
vogados
\u2022 Não gostam de ter que escutar não-advogados
\u2022 São avessos ao risco, requisito essencial no mundo dos negócios
\u2022 Só fazem o que outros escritórios já \ufb01 zeram e tiveram sucesso
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\u2022 Não têm formação alguma na área de negócios
\u2022 Não têm foco nos clientes que atendem
\u2022 Não entendem e não se interessam em entender os negócios de 
seus clientes
\u2022 \u201cNão têm tempo\u201d para atividades de marketing
\u2022 Não recebem incentivos para realizar atividades de marketing.
Esses e outros desa\ufb01 os podem ser sumarizados no grande desa\ufb01 o que é o de 
envolver e efetivamente integrar os advogados nas ações de marketing. Esse é 
o verdadeiro desa\ufb01 o, a fronteira \ufb01 nal para aqueles que trilham o caminho do 
marketing jurídico, sejam eles pro\ufb01 ssionais de marketing ou mesmo os pró-
prios advogados. E o ponto crucial é que, como vimos nos exemplos apon-
tados, o grande problema reside no fato de que advogados foram educados 
para advogar e não para gerir negócios. E esse é um paradoxo interessante, se 
pensarmos que a maioria dos advogados trabalha em sociedade, formando de 
pequenos a grandes escritórios, muitos deles com atuação regional, nacional 
ou internacional.
A situação se torna ainda mais complexa nos pequenos escritórios, a maio-
ria esmagadora dos que atuam no país. Por serem menores, são estruturas 
compactas e dispõem de menos recursos, o que nem sempre se traduz em 
áreas administrativas formais. São escritórios pequenos, mas que também 
precisam ser geridos, até porque, se tudo correr bem, espera-se que eles cres-
çam. Somente uma gestão planejada, calcada principalmente em ações de 
marketing, garantirá um crescimento ordenado.
En\ufb01 m, o caminho é longo, mas, nos escritórios onde já é desenvolvido, 
o marketing jurídico tem tudo para triunfar, mostrar novas direções e ter a 
atuação estratégica que dele se espera. O escritório que adota o marketing 
jurídico, por meio de seus advogados, da contratação de um pro\ufb01 ssional ou 
de uma consultoria, mostra que, apesar de todas as barreiras existentes, está 
preocupado com a dinâmica do mercado. A concorrência é crescente, assim 
como o nível de exigência da clientela. Portanto, o caminho é a diferenciação 
através do marketing jurídico.
marco antonio p. gonçalves (mktlegal@gmail.com) é especialista em 
marketing jurídico e autor do blog marketing LEGAL (www.marketinglegal.
com.br). Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal 
do Rio de Janeiro e pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas, é membro 
da Legal Marketing Association (LMA) e coordenador do grupo de debates 
Marketing Jurídico Brasil.
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Anexo III: Defensoria Pública e Efetivação de Direitos. Artigo publicado na revista 
eletrônica Consultor Jurídico, 28.8.2006.
Efetivação de direitos
Defensoria tem de ser tratada como serviço essencial
por Dalmo de Abreu Dallari
Nenhum ser humano pode viver sozinho e por esse motivo, por neces-
sidade natural, a pessoa humana só pode ser concebida convivendo com 
outras pessoas.
Mas para que a convivência humana seja bené\ufb01 ca para todos, e para que 
as diferenças entre as pessoas não seja motivo nem pretexto para ofensas à 
dignidade dos menos favorecidos, é que existe o direito. A idéia de direito faz 
pensar, desde logo, na existência de regras de comportamento social, mas é 
absolutamente necessário acrescentar também a idéia de justiça. As pessoas 
são diferentes e podem ter interesses con\ufb02 itantes, mas podem conviver em 
paz se a convivência for disciplinada por regras que sejam iguais para todos e 
que sejam justas.
A isso é preciso acrescentar que não basta o estabelecimento de uma or-
dem social justa, com uma legislação que assegure os direitos básicos para 
todos, se muitas pessoas não tiverem a consciência de que têm direitos ou 
se não conhecerem os seus direitos. Além disso, haverá também injustiça se 
houver pessoas que, por sua pobreza ou situação de marginalização, não têm 
a possibilidade de proteger e usar seus direitos.
Por todos esses motivos, reconhecendo a necessidade da assistência jurí-
dica para que as pessoas conheçam bem os seus direitos e tenham a possibi-
lidade de protegê-los e usá-los, a Constituição brasileira inclui, no capítulo 
dos direitos e garantias fundamentais, um dispositivo estabelecendo que \u201co 
Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem 
insu\ufb01 ciência de recursos\u201d (artigo 5º, inciso LXXI). E para que a garantia 
de tal assistência não \ufb01 que na dependência da boa vontade dos governantes 
foi prevista, com caráter obrigatório, a criação de um órgão, a Defensoria 
Pública, tanto no plano federal quanto no estadual, tendo por \ufb01 nalidade 
o oferecimento da assistência jurídica aí referida. É o que consta do artigo 
134, que assim dispõe: \u201cA Defensoria Pública é instituição essencial à função 
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em 
todos os graus, dos necessitados\u201d.
A constatação de que sem o auxílio de um advogado as populações mais 
pobres não têm acesso aos seus direitos, \ufb01 cando excluídas do exercício da 
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cidadania e correndo o risco de sofrer muitas injustiças, já inspirou no Brasil 
a criação de organizações devotadas à assistência judiciária. Assim, por exem-
plo, há cerca de 70 anos os estudantes da Faculdade de Direito de São Paulo 
criaram o Departamento Jurídico do Centro Acadêmico XI de Agosto, que 
vem prestando serviços relevantes à população pobre. Depois disso, em vários 
estados foi instituída uma Procuradoria de Assistência Judiciária, destinada a 
dar assistência à população pobre em defesas judiciais de direitos. Acrescente-
se, ainda, que a Ordem dos Advogados do Brasil instituiu a inscrição de 
advogados interessados em prestar serviços a réus pobres, quando designados 
por um juiz, recebendo por esse trabalho uma pequena remuneração, paga 
pelo governo estadual.
Apesar do inegável mérito dessas iniciativas, existe ainda uma larga faixa 
da população que tem grande di\ufb01 culdade para o acesso a um advogado, ocor-
rendo diariamente no Brasil muitas situações em que a falta de conhecimento 
dos direitos ou a impossibilidade de defendê-los pelos meios legais resulta
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
Iran fez um comentário
Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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