Teoria Geral do Processo - FGV
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uma concepção mais ampla do que \u201cpartes da demanda\u201d, e, de fato, pare-
ce haver uma aplicação prática muito útil nessa distinção. Nessa perspectiva, 
aquele que pleiteia ou aquele em face de que se pleiteia um provimento ju-
risdicional deve ser considerado parte da demanda, enquanto parte do pro-
cesso, conceito mais amplo, é todo aquele que participa do procedimento em 
contraditório. Portanto, pode-se a\ufb01 rmar, a título ilustrativo, que o assistente 
simples (arts. 50-55, CPC) não é parte da demanda, mas certamente é parte 
do processo. De forma semelhante, o Ministério Público, sempre que atuar 
no processo, será parte deste, pois estará participando do procedimento em 
contraditório. O que ele pode deixar de ser é parte da demanda, caso em que 
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atuará como órgão interveniente (custus legis), sempre que for exigido pelo 
ordenamento jurídico.
Como se vê, dependendo do conceito utilizado, poderemos nos referir aos 
terceiros intervenientes como partes do processo. Se parte do processo for todo 
aquele que participa do procedimento em contraditório, então qualquer tercei-
ro juridicamente interessado que vier praticar atos processuais será parte.
Quando nos referimos ao litisconsórcio, estamos tratando, necessariamen-
te, das partes da demanda (presença de duas ou mais pessoas no pólo ativo 
ou passivo da de\u2014 manda). Nossa doutrina estabelece diversas classi\ufb01 cações 
aplicáveis aos litigantes que se colocam do mesmo lado da relação processual. 
Assim, o litisconsórcio pode ser ativo, passivo ou misto, conforme se esta-
beleça entre vários autores ou entre diversos réus. Pode ainda ser inicial ou 
incidental, dependendo do momento de sua formação.
Contudo, as duas classi\ufb01 cações mais relevantes feitas pela doutrina são as 
seguintes:
(a) litisconsórcio facultativo X necessário: Em algumas hipóteses, 
a formação do litisconsórcio, ativo ou passivo, é exigida pela or-
dem jurídica ou pela natureza da relação jurídica envolvida (art. 
47, CPC). À guisa de exemplo, temos a ação de nulidade de casa-
mento proposta pelo Ministério Público, em que obrigatoriamente 
teremos um litisconsórcio no pólo passivo. Em outros casos, a lei 
faculta às partes a formação do litisconsórcio, seja no pólo ativo ou 
passivo (art. 46, CPC). Registre-se que, nas hipóteses de litisconsór-
cio multitudinário, o número de litigantes presentes no chamado 
litisconsórcio facultativo pode ser limitado pelo magistrado (art. 
47, parágrafo único, do CPC).
(b) litisconsórcio simples X unitário: Essa classi\ufb01 cação diz respeito ao 
modo de tratamento dos litisconsortes. No litisconsórcio unitário, 
ambos os litisconsortes serão tratados de modo igual e a decisão da 
causa deve ser uniforme em relação a todos os litisconsortes. Ao 
revés, no simples, a decisão do magistrado, embora proferida no 
mesmo processo, pode ser diferente para cada um dos litisconsor-
tes. A ação de nulidade de casamento acima referida é hipótese de 
litisconsórcio unitário.
É importante destacar que não há uma correspondência necessária entre 
litisconsórcio facultativo e simples ou necessário e unitário. Por essa razão, a 
redação do art. 47 do CPC (2ª parte) é comumente apontada como grave 
deslize do legislador.
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80 STF, voto do relator Ministro Celso de 
Melo na ADI 748 AGR/ RS, 18.11.1994
Ocorre o fenômeno processual chamado intervenção de terceiro quando 
alguém ingressa como \u201ccoadjuvante\u201d em relação processual já existente. À 
condição de terceiro se chega por exclusão: terceiro em relação a determinada 
demanda é todo aquele que não for parte daquela demanda.
Os casos de intervenção de terceiros previstos no Código de Processo Civil 
são os seguintes:
a) a oposição (arts. 56 a 61);
b) a nomeação à autoria (arts. 62 a 69);
c) a denunciação da lide (arts. 70 a 76);
d) o chamamento ao processo (arts. 77 a 80);
e) a assistência (arts. 50 a 55).
f ) o recurso de terceiro prejudicado (arts. 288 e 499 do CPC)
Todas essas hipóteses de intervenção de terceiros podem ser divididas em 
dois grupos: intervenção voluntária e provocada A intervenção voluntária ad-
mite três modalidades: assistência, recurso de terceiro prejudicado e oposição. 
A intervenção obrigatória admite outras três: nomeação à autoria, chama-
mento ao processo e denunciação da lide.
No processo penal, a única modalidade de intervenção de terceiros exis-
tente é a do assistente, prevista nos art. 269 do CPP. Na ação penal pública, a 
vítima, seu representante legal ou qualquer das pessoas mencionadas no art. 
31 do CPP podem se habilitar como assistente na ação penal pública. Não 
se pode esquecer que a condenação criminal transitada em julgado possui 
e\ufb01 cácia para o processo civil.
Por \ufb01 m, merece menção a \ufb01 gura do amicus curiae, ou \u201camigo da corte\u201d, 
prevista no art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/99 (controle de constitucionalidade). 
Contudo, existe controvérsia jurídica sobre a natureza da \ufb01 gura do amicus 
curiae, havendo aqueles que a\ufb01 rmam tratar-se de nova hipótese de interven-
ção de terceiros, enquanto, para outros, o amicus curiae seria um mero cola-
borador do juízo80. O \u201camigo da corte\u201d auxilia o tribunal a decidir as causas 
com pleno conhecimento de todas as implicações e repercussões sociais. A 
participação de terceiros na jurisdição constitucional está relacionada ao exer-
cício próprio de cidadania na busca da segurança jurídica, da preservação dos 
princípios e da ordem constitucional.
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ESTUDO DE CASO
Caso nº 1
Em dezembro de 2006, as estudantes de direito Mariana, Juliana, Daniela 
e Carolina combinaram, entre si, que todas iriam \u201cterminar\u201d seus respectivos 
namoros para que, juntas, pudesse aproveitar o carnaval em Salvador. Assim, 
em janeiro de 2007, todas compareceram à Agência de Turismo X e adquiri-
ram o pacote \u201cSalvador Total\u201d pela quantia de R$ 5.0000. O pacote incluía 
passagens aéreas de ida e volta (ida na manhã da sexta-feira anterior ao carna-
val e volta na tarde da quinta\u2014 feira após o carnaval), hospedagem em hotel 
4 estrelas, três dias de camarote e três \u201cabadás\u201d para conhecido trio elétrico.
No dia 16.02.2007, as quatro amigas compareceram ao Aeroporto do Ga-
leão, onde foram informadas pela Cia. Aérea Y que, infelizmente, a empresa 
estava com um problema de overbooking e, por essa razão, não seria possível 
que as quatro jovens embarcassem no vôo previsto. Foram informadas que a 
Cia. Aérea Y faria o possível para solucionar o problema delas o mais breve 
possível. Desesperadas, as quatro amigas entraram imediatamente em conta-
to com a Agência de Turismo X, que ofereceu para as mesmas um pacote de 
4 dias na Região dos Lagos, opção imediatamente rejeitada. As quatro moças 
tentaram, ainda, ligar para seus antigos namorados, mas todos estavam com 
o celular desligado.
Sem alternativa, as quatro amigas resolveram aguardar no aeroporto até 
que a Cia. Aérea lhes oferecesse algum vôo. Após duas longas noites no ae-
roporto, no domingo de carnaval, apareceu uma única vaga num vôo para 
Belém com conexão para Recife, Fortaleza e, \ufb01 nalmente, Salvador. Foi então 
realizado um sorteio entre as quatro, e Juliana foi a contemplada para apro-
veitar o \ufb01 m do carnaval em Salvador. As outras três amigas desistiram de es-
perar e foram \u201ctentar a sorte\u201d no \u201cTerreirão do Samba\u201d. Decidiram que, após 
o carnaval, iriam tomar as medidas cabíveis contra os responsáveis.
Frustradas com o episódio, no dia 22.02.2007, Mariana, Daniela e Ca-
rolina ajuizaram demanda no IV Juizado Especial Cível objetivando a repa-
ração dos danos sofridos. Cada uma das autoras deseja receber a quantia de 
R$ 12.000,00 (R$ 5.000,00 referentes aos danos materiais e R$ 7.000,00 
referentes aos danos morais).
Em relação ao caso apresentado são feitos alguns questionamentos:
a)
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
Iran fez um comentário
Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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