Teoria Geral do Processo - FGV
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no tópico anterior.\u201d
A citação é extensa, o ensinamento denso e profundo, como é habitual ao 
ilustre processualista. Mas daí não se extrai que o prazo de trinta dias deve 
ser novamente contado a partir da ciência de que o litisdenunciado está em 
Comarca diversa.
É certo que eventual aplicação (Código de Processo Civil, art. 126, Lei 
de Introdução ao Código Civil, art. 4º) do princípio da actio nata deve ser 
de que o prazo somente se inicia quando o fato é levado à cognição da parte 
interessada.
Neste sentido, não corre o prazo da prescrição aquisitiva antes da actio 
nata (STF, RE nº 93.856-7, ac. de 30.04.85, Rel. Min. Aldir Passarinho, in 
Rev. Jur. Mineira 25/57; RE nº 84.697, ac. de 20.02.79, Rel. Min. Leitão de 
Abreu, in Juriscível 78/85.).
Ora, no caso, como descrito no relatório desta decisão, a citação do litis-
denunciado foi requerida no prazo da resposta, pois a demandada acreditava 
que o mesmo residia nesta Comarca.
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Frustrada a diligência citatória, foram expedidos ofícios indagando do ende-
reço, indicando-se em um deles a residência em outro Estado da Federação.
Tal notícia não abriu novo prazo para a litisdenunciação, porque esta já 
havia sido feita e aceita pelo Juízo.
No nosso sistema processual, na linha da orientação da Súmula 78 do 
antigo Tribunal Federal de Recursos, e pelo que está na parte \ufb01 nal do § 2º do 
art. 219 do Código de Processo Civil, a parte não pode \ufb01 car prejudicada pela 
demora que não lhe possa ser imputável.
É justamente o caso, pois a parte requereu a denunciação da lide no prazo 
legal e talvez não devesse ter o Doutor Juiz deferido as diligências junto aos 
órgãos públicos e concessionárias de serviço público para a localização do 
mesmo. Contudo, se o fez, e aí sem reclamação dos interessados, não é pos-
sível excluir o direito pela instituição de prazo preclusivo não autorizado pela 
lei, para não surpreender a parte.
Pelo exposto, o voto é no sentido de prover o recurso no sentido de refor-
mar a respeitável decisão agravada e fazer retornar os efeitos da denunciação 
da lide.
Desembargador Nagib Slaibi Filho
Relator
(TJ/RJ, 6ª Câmara Cível, Agravo de Instrumento nº 2002.002.10981, 
classe V, 07.8.2002)
(F) Denunciação da lide. Responsabilidade Civil do Estado. Aspectos 
Controvertidos.
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARA-
ÇÃO DE DANOS CONTRA A UNIÃO. DENUNCIAÇÃO À LIDE DE 
PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. NÃO-OBRIGATORIE-
DADE. INSTAURAÇÃO DE NOVA RELAÇÃO PROCESSUAL. AÇÃO 
REGRESSIVA ASSEGURADA. ART. 70, III, CPC.
1. Cuida-se de agravo de instrumento nos autos de Ação de Reparação de 
Danos ajuizada por COMÉRCIO E TRANSPORTES RAMTUHN LTDA. 
contra a UNIÃO (sucessora do DNER). As razões do agravo visam refor-
mar decisão que aceitou denunciação à lide da empresa SBOG \u2014 Sociedade 
Brasileira de Obras Gerais Ltda., sugerida pela UNIÃO, determinando-se a 
suspensão do processo e a citação da denunciada para contestação. O TRF/4ª 
Região deu provimento ao agravo de instrumento, decidindo que a denun-
ciação à lide só é obrigatória para garantir o direito de ação regressiva pelo 
denunciante, não estando obrigado o julgador a processá-la se entender que 
onerará a prestação jurisdicional. Recurso especial da União fundamentado 
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na alínea \u201ca\u201d apontando violação do art. 70, III, CPC. Defende, em suma, 
que o art. 70, III, do CPC, permite denunciar à lide aquele que estiver obri-
gado pela lei ou pelo contrato a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do 
que perder a demanda. Sem contra-razões.
2. A 1ª Seção desta Corte, por ocasião do julgamento dos EREsp 313.886/
RN, Relª. Minª. Eliana Calmon, DJ 22/03/04, \ufb01 rmou o entendimento de 
que \u201ca de\u2014 nunciação da lide só é obrigatória em relação ao denunciante 
que, não denunciando, perderá o direito de regresso, mas não está obrigado o 
julgador a processá-la, se concluir que a tramitação de duas ações em uma só 
onerará em demasia uma das partes, ferindo os princípios da economia e da 
celeridade na prestação jurisdicional. (...) A denunciação da lide ao agente do 
Estado em ação fundada na responsabilida\u2014 de prevista no art. 37, § 6º, da 
CF/88 não é obrigatória, vez que a primeira relação jurídica funda-se na cul-
pa objetiva e a segunda na culpa subjetiva, fundamento novo não constante 
da lide originária.\u201d
3. Merece ser con\ufb01 rmado o aresto recorrido que indeferiu a denunciação à 
lide da empresa referida. Não sendo hipótese de obrigatória denunciação da 
lide para assegurar o direito de regresso, atenta contra o princípio da celerida-
de processual admitir no feito a instauração de outra relação processual que 
verse fundamento di\u2014 verso da relação originária, a demandar ampliação da 
dilação probatória, onerando a parte autora.
4. Recurso especial não-provido.
(REsp 835.325/SC, Recurso Especial 2006/0068596-0, rel. Min. José 
Delgado (1105), 1ª Turma, j. 03.8.2006, DJ 31.8.2006, p. 262)
PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. 
DE\u2014 NUNCIAÇÃO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE.
1. \u201cA denunciação da lide, como modalidade de intervenção de terceiros, 
busca aos princípios da economia e da presteza na entrega da prestação juris-
dicional, não devendo ser prestigiada quando susceptível de puser em risco 
tais princípios\u201d (REsp
43367/SP, 4ª Turma, Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJ de 
24.06.1996).
2. No caso, conforme assentado pelas instâncias ordinárias, a denunciação 
da lide ao agente público causador do dano implicaria prejuízo à celeridade e 
à economia processual, o que impede sua admissão.
3. Recurso especial a que se nega provimento.
(REsp 770.590/BA, Recurso Especial 2005/0125548-4, rel. Min. Teori 
Albino Zavascki (1124), 1ª Turma, j. 14.3.2006, DJ 03.4.2006, p. 267)
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(G) Amicus Curiae. Participação no Processo. Sustenção Oral no STF.
Voto: Sr. Presidente, cheguei a sustentar, na questão de ordem na Petição 
2.223, que a lei não admitia a sustentação oral dos amici curiae. Fundei-me, 
para isso, numa interpretação do art. 7º da Lei nº 9.868, em combinação, aliás, 
com um parágrafo anterior vetado, que fora, de certo modo, até uma sugestão 
minha, na discussão da ADC-1, de um procedimento-edital pelo qual se desse 
ciência aos legitimados do ingresso de uma ação direta de inconstitucionali-
dade, ou de uma ação declaratória de constitucionalidade, para que pudessem 
eles intervir no pro\u2014 cesso e, eventualmente, propor uma ação em sentido 
contrário. Esse parágrafo foi vetado (um dia vou contar, nas memórias, que 
espero não escrever, por in\ufb02 uência de quem). Mas o certo é que nele se previa 
que, naquele prazo, é que o Relator admitiria a manifestação do amicus curiae. 
Enquanto corria o prazo do edital para que os outros legitimados viessem ao 
processo, o Relator poderia, além deles, que teriam o ingresso assegurado, ad-
mitir os outros, como amici curiae. Hoje me convenço que a questão, a rigor, 
não é legal; é menor, é regimental. Basta ler a Lei 9.868. Ela, impondo uma 
virada na orientação regimental anterior, previu, como direito do requerente e 
do requerido, a sustentação oral no julgamento cautelar, mas não se previu no 
julgamento de mérito. Então, se reduzíssemos o problema da sustentação oral 
ao plano da interpretação literal, chegaríamos à solução paradoxal de que, mes-
mo as partes formais, nesse processo sui generis de controle abstrato, só pode-
riam falar no julgamento liminar, não no de\ufb01 nitivo. O que mostra, rigorosa\u2014 
mente, que a lei pode impor sustentações orais em determinados momentos 
que considere essenciais. Mas, deixa sempre em aberto o que não regulou, para 
que o Tribunal a admita, ou não, em outras fases. Comovido sinceramente 
pelos valores que os Ministros Celso de Mello, Carlos Britto e Gilmar Mendes
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
Iran fez um comentário
Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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