Teoria Geral do Processo - FGV
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Impedimento de 
divulgação de gravações de conversas telefônicas realizadas por interceptação 
ilícita. Liberdade de imprensa e direito à informação o que não são absolutos, 
se submetendo ao necessário respeito ao direito de inviolabilidade da intimi-
dade, vida privada, honra e imagem das pessoas, previsto no artigo 5., inciso 
X, da Constituição Federal e da inviolabilidade do sigilo das comunicações 
telefônicas, prevista no inciso XII do mesmo artigo. Divulgação de conversa 
telefônica de terceiros que, em tese, con\ufb01 gura delito penal capitulado no arti-
go 151, par. 1º., II, do Código Penal. Origem ilícita das gravações que conta-
mina sua divulgação pela imprensa. Aplicação da teoria da \u201carvore venenosa 
e seus frutos\u201d. Ilicitude das gravações como prova judicial e que, se não vale 
para o Estado como ente soberano e destinatário da instrução processual, 
não pode servir para amparar os interesses jornalísticos e de informação, con-
quanto relevantes. Controle da legalidade da conduta dos órgãos da imprensa 
que não se confunde com censura, que é ato do Poder Público de Polícia 
através de censores, e não do Judiciário. Constituição Federal, ademais, que, 
mesmo que distorcido o conceito de censura nela previsto, só veda, no seu 
artigo 220, a censura \u201cpolítica, ideológica e artística\u201d, não a jurídica ou le-
gal. Proteção em Juízo à \u201cameaça de direito\u201d, que é garantida, sem exceção, 
pelo artigo 5., XXV, da Carta Magna. Ilegalidade da divulgação reconhecida. 
Medida liminar mantida. Recurso desprovido. (2001.002.09991. AGRAVO 
DE INSTRUMENTO. Rel. DES. BINATO DE CASTRO \u2014 Julgamento: 
22/11/2001 \u2014 DÉCIMA OITAVA CÂMARA CIVEL do TJ/RJ)
Decisões do Supremo Tribunal Federal
(a) Devido Processo Legal
\u201cAbrindo o debate, deixo expresso que a Constituição de 1988 consagra 
o devido processo legal nos seus dois aspectos, substantivo e processual, nos 
incisos LIV e LV, do art. 5º, respectivamente. (...) Due process of law, com 
conteúdo substantivo \u2014 substantive due process \u2014 constitui limite ao Legis-
lativo no sentido de que as leis devem ser elaboradas com justiça, devem ser 
dotadas de razoabilidade (reasonableness) e de racionalidade (rationality), de-
vem guardar, segundo W. Holmes, um real e substancial nexo com o objetivo 
que se quer atingir. Paralelamente, due process of law, com caráter processual 
\u2014 procedural due process \u2014 garante às pessoas um procedimento judicial 
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justo, com direito de defesa.\u201d (ADI 1.511-MC, voto do Min. Carlos Velloso, 
DJ 06/06/03)
 (b) Inafastabilidade do Controle Jurisdicional
(b.1) São insuscetíveis de apreciação, quaisquer petições recursais que 
veiculem consulta dirigida aos órgãos do Poder Judiciário, eis que 
postulações dessa natureza refogem ao domínio de atuação insti-
tucional dos Tribunais e revelam-se incompatíveis com a própria 
essência da atividade jurisdicional.\u201d (RE 434.640-ED, Rel. Min. 
Celso de Mello, DJ 09/06/06)
(b.2) \u201cA ordem jurídico-constitucional assegura aos cidadãos o acesso 
ao Judiciário em concepção maior. Engloba a entrega da prestação 
jurisdicional da forma mais completa e convincente possível. Omis-
so o provimento judicial e, em que pese a interposição de embargos 
declaratórios, persistindo o vício na arte de proceder, forçoso é as-
sentar a con\ufb01 guração da nulidade.\u201d (RE 158.655, Rel. Min. Marco 
Aurélio, DJ 02/05/97)
(b.3) Os princípios constitucionais que garantem o livre acesso ao Po-
der Judiciário, o contraditório e a ampla defesa, não são absolutos 
e hão de ser exercidos, pelos jurisdicionados, por meio das nor-
mas processuais que regem a matéria, não se constituindo negati-
va de prestação jurisdicional e cerceamento de defesa a inadmissão 
de recursos quando não observados os procedimentos estatuídos 
nas normas instrumentais.\u201d (AI 152.676-AgR, Rel. Min. Maurício 
Corrêa, DJ 03/11/95)
(b.4) Esta Corte já \ufb01 rmou o entendimento de que a prestação jurisdi-
cional, ainda que realmente seja errônea, não deixa de ser presta-
ção jurisdicional, inexistindo, assim, ofensa ao artigo 5º, XXXV, da 
Constituição Federal.\u201d (AI 157.933-AgR, Rel. Min. Moreira Alves, 
DJ 18/08/95)
(b.5) A taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa,viola 
a garantia constitucional de acesso à jurisdição.\u201d (SÚM. 667)
(c) Juiz Natural
(c.1) O postulado do juiz natural representa garantia constitucional in-
disponível, assegurada a qualquer réu, em sede de persecução pe-
nal, mesmo quando instaurada perante a Justiça Militar da União. 
(...). O postulado do juiz natural, em sua projeção político-jurídica, 
reveste-se de dupla função instrumental, pois, enquanto garantia 
indisponível, tem, por titular, qualquer pessoa exposta, em juízo 
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criminal, à ação persecutória do Estado, e, enquanto limitação in-
superável, representa fator de restrição que incide sobre os órgãos do 
poder estatal incumbidos de promover, judicialmente, a repressão 
criminal.\u201d (HC 81.963, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 28/10/04). 
No mesmo sentido: HC 79.865, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 
06/04/01.
(c.2) Recebimento, por magistrado de primeira instância, de denún-
cia oferecida contra trinta e dois indiciados, dentre os quais \ufb01 gura 
um Deputado Federal, no pleno exercício de seu mandato. Usurpa-
ção da competência penal originária do Supremo Tribunal Federal 
\u2014 nulidade \u2014 reclamação que se julga procedente. O respeito ao 
princípio do juiz natural \u2014 que se impõe à observância dos órgãos 
do Poder Judiciário \u2014 traduz indisponível garantia constitucional 
outorgada a qualquer acusado, em sede penal.\u201d (Rcl 1.861, Rel. 
Min. Celso de Mello, DJ 21/06/02).
(c.3) \u201cA de\ufb01 nição constitucional das hipóteses de prerrogativa de foro 
ratione muneris representa elemento vinculante da atividade de per-
secução criminal exercida pelo Poder Público. (...) O postulado do 
juiz natural, por encerrar uma expressiva garantia de ordem cons-
titucional, limita, de modo subordinante, os poderes do Estado \u2014 
que \ufb01 ca, assim, impossibilitado de instituir juízos ad hoc ou de criar 
tribunais de exceção, ao mesmo tempo em que assegura, ao acusado, 
o direito ao processo perante autoridade competente abstratamente 
designada na forma da lei anterior, vedados, em conseqüência, os 
juízos ex post facto.\u201d (AI 177.313-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, 
DJ 17/05/96)
(d) Promotor Natural
(d.1) \u201cO postulado do Promotor Natural, que se revela imanente ao 
sistema constitucional brasileiro, repele, a partir da vedação de de-
signações casuísticas efetuadas pela Che\ufb01 a da Instituição, a \ufb01 gura 
do acusador de exceção. Esse princípio consagra uma garantia de 
ordem jurídica, destinada tanto a proteger o membro do Ministério 
Público, na medida em que lhe assegura o exercício pleno e inde-
pendente do seu ofício, quanto a tutelar a própria coletividade, a 
quem se reconhece o direito de ver atuando, em quaisquer causas, 
apenas o Promotor cuja intervenção se justi\ufb01 que a partir de critérios 
abstratos e predeterminados, estabelecidos em lei. A matriz consti-
tucional desse princípio assenta-se nas cláusulas da independência 
funcional e da inamovibilidade dos membros da Instituição. O pos-
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tulado do Promotor Natura limita, por isso mesmo, o poder do 
Procurador-Geral que, embora expressão visível da unidade insti-
tucional, não deve exercer a Che\ufb01 a do Ministério Público de modo 
hegemônico e incontrastável. Posição dos Ministros Celso de Mello 
(Relator), Sepúlveda Pertence, Marco Aurélio e Carlos Velloso. Di-
vergência, apenas, quanto a aplicabilidade imediata do princípio do 
Promotor Natural: necessidade da interpositio legislatoris para efeito 
de atuação do princípio (Ministro Celso de Mello); incidência do 
postulado, independentemente de intermediação legislativa (Mi-
nistros Sepúlveda
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
Iran fez um comentário
Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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