Teoria Geral do Processo - FGV
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Preliminar) Atendendo a que o art. 5º, LV, da 
Constituição Federal assegura aos litigantes, em processo judicial ou admi-
nistrativo, o contraditório e ampla defesa, dizer se no inquérito policial deve-
se observar o contraditório, a partir de 1988.
2. (TJ/RJ. XXXIV Concurso. Preliminar) Ante o texto do inciso XXXVIII 
do artigo 5º da Constituição, seria constitucional a lei que cometesse ao Tri-
bunal do Júri a competência para o julgamento dos crimes contra as relações 
de consumo, por exemplo?
3. (MP/RJ. VIII Concurso) O Procurador-Geral de Justiça designou um 
Promotor de Justiça para acompanhar certo inquérito policial e funcionar, até 
\ufb01 nal, em qualquer ação penal que com base nele viesse a ser proposta. Ofereci-
da a denúncia, um dos réus impetrou habeas corpus colimando o trancamen-
to da ação penal, sob o fundamento de que a designação feita seria ilegal, por 
afastar o Promotor do Juízo junto ao qual tem curso a ação penal, violando 
assim o princípio do Promotor natural. Dê o seu parecer sobre esta questão.
TEORIA GERAL DO PROCESSO
FGV DIREITO RIO 21
AULAS 3 E 4: A JURISDIÇÃO NO ESTADO CONTEMPORÂNEO
INTRODUÇÃO
Os institutos jurídicos da jurisdição, ação e do processo compõe a cha-
mada \u201cTrilogia Estrutural do Direito Processual\u201d, expressão consagrada pelo 
jurista argentino Ramiro Podetti. Uma correta compreensão desses institutos 
é conditio sine qua non para que tenha um bom aproveitamento em todas as 
disciplinas relacionadas à Teoria Geral do Processo (como, por exemplo, Pro-
cesso Civil, Penal e Trabalhista). De fato, todos os institutos estudados pela 
Ciência Processual estão de alguma maneira relacionados a pelo menos um 
dos três institutos mencionados.
A jurisdição ocupa o centro da teoria processual e por intermédio dela 
se manifesta uma das formas do poder estatal soberano. O direito de ação é 
assegurado a todos. Ao exercer esse direito, o cidadão provoca o exercício da 
atividade jurisdicional. Com feito, o exercício ex o\ufb00 ício da jurisdição repre-
sentaria um motivo de instabilidade social e comprometeria a imparcialidade 
do órgão julgador. O processo, por sua vez, é o instrumento utilizado pelo 
Estado para prestar jurisdição e se manifesta por uma série de atos concate-
nados para o \ufb01 m de obtenção da tutela jurisdicional. Todos estes institutos 
foram idealizados com vista ao consumidor da prestação jurisdicional, por-
que é na sua aceitação que se encontra a legitimidade do exercício do poder. 
Assim, é preciso veri\ufb01 car se estes institutos estão produzindo uma prestação 
conforme as expectativas dos seus destinatários. Como já visto, a participação 
dos jurisdicionados, assegurada pelo contraditório, é essencial para que estes 
possam in\ufb02 uenciar na decisão a que futuramente estarão vinculados.
Nas primeiras aulas do curso, tratamos dos aspectos processuais do fenô-
meno conhecido por \u201cativismo judicial\u201d, ou seja, dos limites encontrados na 
legislação processual para participação do juiz na busca de uma justa solução 
para o caso que lhe foi submetido. Agora, trataremos dos limites substanciais 
encontrados pelo juiz ao decidir os casos que lhe são submetidos. Será correto 
a\ufb01 rmar que a jurisdição é uma atividade meramente declaratória de direitos?
LEITURA BÁSICA
GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido, CINTRA, Antônio 
Carlos de Araújo. Teoria Geral do Processo. São Paulo: Editora Revista 
dos Tribunais, 1998. Capítulo 11: \u201cJurisdição: Conceito e Princípios 
Fundamentais\u201d.
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13 CARNELUTTI, Francesco. Teoria Geral 
do Direito. São Paulo: Saraiva & Cia 
Editores, 1942, p. 78-82. Tradução A. 
Rodrigues Queiró.
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil, vol. I. Rio 
de Janeiro: Lumen Juris, 2005. Cap. VI: \u201cJurisdição\u201d, p. 65-81.
MARINONI, Luis Guilherme. Teoria Geral do Processo. São Paulo, Revista 
dos Tribunais, 2006. Parte I. Capítulo 7: \u201cA Jurisdição no Estado Con-
temporâneo\u201d, p. 89-109.
LEITURA COMPLEMENTAR
ALVIM, J. E. Carreira. Elementos de Teoria Geral do Processo. 10ª ed. Rio 
de Janeiro: Forense. 2005. Capitulo III: \u201cJurisdição\u201d.
JARDIM, Afrânio Silva. Direito Processual Penal. 8ª ed. Rio de Janeiro: 
Forense, 1999. Cap. 1: \u201cNotas sobre a Teoria da Jurisdição\u201d.
CAPPELLETTI, Mauro. Juízes Legisladores? Trad. Carlos Alberto Álvaro de 
Oliveira, Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 1999.
EMENTÁRIO DO TEMA
\u2014 A trilogia estrutural da ciência processual: jurisdição, ação e processo.
\u2014 Formas de Composição de Con\ufb02 itos: Da autotutela à jurisdição.
\u2014 Jurisdição: conceito e características.
\u2014 A importância da atividade jurisdicional na concretização de valores públi-
cos: o papel da jurisprudência na construção do ordenamento jurídico.
\u2014 Os escopos da Jurisdição.
\u2014 Jurisdição Contenciosa e Voluntária.
NOTA AO ALUNO
A idéia de direito, nos dias atuais, está amplamente ligada ao exercício, 
pelo Estado, da função jurisdicional. Seja entre os leigos ou mesmo entre os 
estudiosos do Direito, é difícil dissociar estes dois conceitos. Todavia, num 
estágio menos desenvolvido da sociedade humana, não era isso que ocorria 
e a regra geral era a da autotutela. De fato, em tempos remotos não ocorria 
intromissão do Estado na resolução de con\ufb02 itos privados entre seus súditos.
Para melhor entender os modos pelos quais os con\ufb02 itos sociais surgem, e 
são resolvidos, é de bom alvitre recorrer à lição de Carnelutti13. Segundo esse 
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14 CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; 
GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, 
Cândido Rangel. Teoria Geral do Proces-
so. 14ª edição. São Paulo: Malheiros 
Editores, 1998, p. 21-22.
consagrado autor, existem no mundo pessoas e bens (entes capazes de satisfa-
zer a uma necessidade do homem) e, obviamente, há constante interesse do 
ser humano em se apropriar deste para satisfazer suas necessidades. Segundo 
o renomado jurista, \u201cinteresse\u201d seria uma posição favorável à satisfação de 
uma necessidade que se veri\ufb01 ca em relação a um bem. No entanto, como os 
bens são limitados (diferentemente do que ocorre em relação às ilimitadas 
necessidades humanas), irão surgir no convívio social con\ufb02 itos de interesses. 
Caso este con\ufb02 ito não se dilua no meio social, determinado membro da so-
ciedade irá desejar que o interesse do outro seja subordinado ao seu (esse fe-
nômeno Carnelutti chamou de pretensão). Havendo resistência à \u201cpretensão\u201d 
do titular de um dos interesses por parte de outrem, surgirá a denominada 
\u201clide\u201d (con\ufb02 ito de interesses). Para Carnelutti, jurisdição é a atividade estatal 
em que se busca a justa composição da lide.
Este con\ufb02 ito de interesses pode ser resolvido através da atividade dos 
próprios litigantes, ou através da intervenção de um terceiro. A forma mais 
primitiva de compor con\ufb02 itos de interesses é a autotutela. Nos primórdios 
da humanidade imperava sempre a lei do mais forte e, por intermédio da 
brutalidade, um indivíduo conseguia fazer o seu interesse prevalecer. Sendo 
este um modo desagregador da sociedade, com o passar do tempo, a razão 
foi assumindo o lugar da força bruta, surgindo a chamada autocomposição, 
onde o con\ufb02 ito é resolvido pela atividade das partes em litígio, por meio do 
consenso, da renúncia ao direito litigioso, e até da transação, onde ocorrem 
concessões recíprocas.
Todavia, algumas vezes, esta autocomposição pode não ocorrer. Além dis-
so, as desigualdades sociais, presentes desde as primeiras formas de organi-
zação social, podem levar à prevalência dos interesses dos mais poderosos. 
Com a evolução social, chega-se a idéia de entregar a resolução deste con\ufb02 ito 
a um terceiro (buscava-se uma decisão imparcial), surgindo o que se chamou 
de arbitragem facultativa, que era exercida, num primeiro momento, pelos 
sacerdotes ou pelos anciãos14 de determinada localidade. De facultativa, atra-
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
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Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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