Teoria Geral do Processo - FGV
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do acervo hereditário e afastada a declaração de vacância da herança. A omis-
são do constituinte e do legislador em reconhecer efeitos jurídicos às uniões 
homoafetivas, impõe que a Justiça colmate a lacuna legal fazendo uso da ana-
logia. O elo afetivo que identi\ufb01 ca as entidades familiares impõe que seja feita 
a analogia com a união estável, que se encontra devidamente regulamentada. 
Embargos infringentes acolhidos por maioria.
(TJ-RS. Embargos Infringentes 70003967676. Relatora Maria Berenice Dias)
APELAÇÃO CÍVEL. UNIÃO HOMOAFETIVA. RECONHECIMEN-
TO DOPRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA 
IGUALDADE.
É de ser reconhecida judicialmente a união homoafetiva mantida entre 
dois homens de forma pública e ininterrupta pelo período de nove anos. A 
homossexualidade é um fato social que se perpetuou através dos séculos, não 
podendo o judiciário se olvidar de prestar a tutela jurisdicional a uniões que, 
enlaçadas pelo afeto, assumem feição de família. A união pelo amor é que 
caracteriza a entidade familiar e não apenas a diversidade de gêneros. E, antes 
disso, o afeto é a mais pura exteriorização do ser e do viver, de forma que a 
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marginalização das relações mantidas entre pessoas do mesmo sexo constitui 
forma de privação do direito à vida, bem como viola os princípios da digni-
dade da pessoa humana e da igualdade.
AUSÊNCIA DE REGRAMENTO ESPECÍFICO. UTILIZAÇÃO DE 
ANALOGIA E DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO.
A ausência de lei especí\ufb01 ca sobre o tema não implica ausência de direi-
to, pois existem mecanismos para suprir as lacunas legais, aplicando-se aos 
casos concretos a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito, em 
consonância com os preceitos constitucionais (art. 4º da LICC). Negado 
provimento ao apelo. (TJ-RS. Apelação Cível 70009550070 Relatora Maria 
Berenice Dias)
APELAÇÃO CÍVEL LEI. ALTERAÇÃO DO NOME E AVERBAÇÃO 
NO REGISTRO CIVIL. TRANSEXUALIDADE CIRURGIA DE TRANS-
GENITALIZAÇÃO.
O fato de o apelante ainda não ter se submetido à cirurgia para a alteração 
de sexo não pode constituir óbice ao deferimento do pedido de alteração 
do nome. Enquanto fator determinante da identi\ufb01 cação e da vinculação de 
alguém a um determinado grupo familiar, o nome assume fundamental im-
portância individual e social. Paralelamente a essa conotação pública, não se 
pode olvidar que o nome encerra fatores outros,de ordem eminentemente 
pessoal, na qualidade de direito personalíssimo que constitui atributo da per-
sonalidade. Os direitos fundamentais visam à concretização do princípio da 
dignidade da pessoa humana, o qual atua como uma qualidade inerente e in-
dissociável de todo e qualquer ser humano, relacionando-se intrinsecamente 
com a autonomia, razão e autodeterminação de cada indivíduo. Fechar os 
olhos a esta realidade, que é reconhecida pela própria medicina, implicaria 
infração ao princípio da dignidade da pessoa humana, norma esculpida no 
inciso III do art. 1º da Constituição Federal, que deve prevalecer à regra da 
imutabilidade do prenome. Por maioria, proveram em parte.
(TJ-RS. Apelação Cível. 70013909874 Relatora Maria Berenice Dias)
(1.b.) PENAL. ART. 16 DA LEI 6368/76. AUSÊNCIA DE LESÃO A 
BEM JURÍDICO PENALMENTE RELEVANTE. INCONSTITUCIO-
NALIDADE. (UNÂNIME)
\u2014 A Lei anti-tóxicos brasileira é caracterizada por dispositivos viciados 
nos quais prepondera o \u201cemprego constante de normas penais em branco 
(...) e de tipos penais abertos, isentos de precisão semântica e dotados de ela-
borações genéricas\u201d (ver: Salo de Carvalho, \u201cA Política Criminal de Drogas 
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no Brasil: do discurso o\ufb01 cial às razões da descriminalização\u201d, Rio de Janeiro: 
Luam, 1997, p. 33-34).
\u2014 Diante destes dados, tenho como limites, ao labor na matéria, a prin-
cipiologia constitucional impositora de freios à insurgências punitiva estatal. 
Aqui interessam, primordialmente, os princípios da dignidade, humanidade 
(racionalidade e proporcionalidade) e da ofensividade.
\u2014 No Direito Penal de viés libertário, orientado pela ideologia iluminista, 
\ufb01 cam vedadas as punições dirigidas à autolesão (caso em tela), crimes impos-
síveis e atos preparatórios: o direito penal se presta, exclusivamente, à tutela 
de lesão a bens jurídicos de terceiros.
\u2014 Prever como delitos fatos dirigidos contra a própria pessoa é resquício 
de sistemas punitivos pré-modernos. O sistema penal moderno, garantista e 
democrático, não admite crime sem vítima. Repito, a lei não pode punir aque-
le que atenta contra a própria saúde ou contra a própria vida, bem jurídico 
maior: fatos sem lesividade a outrem, punição desproporcional e irracional!
\u2014 Lições de Eugênio Raul Za\ufb00 aroni, Nilo Batista, Vera Malaguti Batista, 
Rosa del Olmo, Maria Lúcia Karam e Salo de Carvalho.
(TJ/RS Apelação Criminal 70004802740 RELATOR: Amilton Bueno de 
Carvalho)
EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CONTRAVENÇÃO 
DE JOGO DO BICHO.HABEAS CORPUS DE OFÍCIO.
\u2014 O Juízo Penal é competente e comum para processar contravenção 
quando o agente é citado por edital, mesmo que, posteriormente, o localize. 
A contravenção do jogo do bicho está descriminalizada pela vontade popular 
e pela banalização do jogo pelo próprio Estado. \u2014 À unanimidade, aco-
lheram o con\ufb02 ito e, por maioria de ofício, concederam habeas corpus para 
trancar a ação penal. (Con\ufb02 ito de Competência Nº 70008385353, Quinta 
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Amilton Bueno de 
Carvalho, Julgado em 28/04/2004).
DIREITO PENAL. FURTO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
Lesão potencial: res furtiva de R$54,00 não justi\ufb01 ca a movimentação de 
uma máquina cara, cansativa, abarrotada e cruel, como o Judiciário. Cuida-
se de valor que dispensa a insurgência punitiva, última ratio da interferência 
controladora estatal. Desatendido o princípio da ofensividade, resta afastada 
a tipicidade da conduta delitiva.
(TJ/RS Apelação Criminal 70015919319 RELATOR: Amilton Bueno de 
Carvalho)
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EMENTA: ESTELIONATO. BAGATELA PRESENTE: CHEQUE 
NO VALOR DE OITENTA E QUATRO REAIS E CINQÜENTA CEN-
TAVOS NÃO AUTORIZA INGRESSO NO CAMPO DO DIREITO PE-
NAL ANTE A INSIGNIFICÂNCIA DA LESIVIDADE. À unanimidade, 
deram provimento ao apelo. (Apelação Crime Nº 70016251811, Quinta 
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Amilton Bueno de 
Carvalho, Julgado em 06/09/2006)
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Caso 2: Acórdão.
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19 Revista Consultor Jurídico, 15 de 
março de 2006. Texto disponível na 
internet em http://conjur.estadao.
com.br/static/text/42712. Acesso em 
01.12.2006.
ANEXO I: ENTREVISTA DO MINISTRO CELSO DE MELLO DO 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
SUPREMO CONSTITUINTE19
Juízes devem ter papel mais ativo na interpretação da lei
As leis brasileiras, de forma geral, são de baixa qualidade. Prova disso é a 
freqüência com que o Judiciário constata a inconstitucionalidade das normas 
aprovadas pelo legislador brasileiro. Quem a\ufb01 rma é o ministro do Supremo 
Tribunal Federal, José Celso de Mello Filho. Essa precariedade é uma das ra-
zões pelas quais os juízes devem ter um papel mais ativo na interpretação das 
leis e mesmo da Constituição, defende ele.
Esse \u201cativismo judicial\u201d, que nos Estados Unidos serviu para que a Supre-
ma Corte implementasse os direitos civis como são exercidos hoje, ganhou 
espaço inédito no Brasil com a nova composição do STF. Celso de Mello de-
fende que o Supremo pode e deve suprir as omissões do legislador, como fez 
recentemente. Ele assegurou acesso gratuito a creches escolares a crianças de 
até seis anos, no município
Luiz
Luiz fez um comentário
2010
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Iran
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Hoje é domingo, preciso sair, volto amanhã para aproveitar muito desse precioso trabalho do Passei Direto. TGP é a espinha dorsal da atividade processual. Valeu.
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ELYELSON
ELYELSON fez um comentário
Muito obrigado pela Divina Nobreza da sua parte.
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denys
denys fez um comentário
ótima apostila!
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Carolina
Carolina fez um comentário
mto bom!!!
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