União estável_reconhecimento e dissolução
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União estável_reconhecimento e dissolução


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EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA .... VARA DE FAMÍLIA REGIONAL DE JACAREPAGUÁ DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
MARIANA GONÇALVES DIAS, brasileira, solteira, representante comercial, portadora do RG nº ....., inscrita no CPF sob o nº ....., residente e domiciliada na Rua Netto Lima, nº 131, apt 105, Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, CEP ....., telefone ......., vem, por meio de seu advogado com escritório na Rua ..... propor a presente
AÇÃO DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL CUMULADA COM PARTILHA DE BENS 
pelo rito ordinário, em face de ANTENOR CAVALCANTE LEMOS, brasileiro, casado, médico, portador do RG nº ...., inscrito no CPF sob o nº ....., residente e domiciliado na Rua XV de Novembro, Jacarepaguá, pelos fatos e motivos adiante expostos:
DOS FATOS
	A autora manteve relacionamento amoroso com o Réu por aproximadamente 04 (quatro) anos, tendo seu início em 01.01.2004, quando resolveram \u201cmorar juntos\u201d com o objetivo de constituir família, e seu fim em 10.05.2008.
	A autora destaca que o Réu, sem qualquer explicação, deixou o lar conjugal, passando a tratá-la de forma inadequada, proferindo inúmeras ofensas, tornando-se impossível a manutenção do convívio familiar.
	Cumpre destacar que, durante o período em que esteve junto, o casal não teve filhos e construiu considerável patrimônio, constituído por um automóvel da marca Fiat Palio, cor branca, placa KNE-6507, com valor de mercado na ordem de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais), adquirido pela Autora, além de inúmeros bens móveis que guarnecem a atual residência do Réu. Diga-se que tais bens totalizam o mesmo valor apontado para o veículo, conforme demonstrado pelas cópias das notas fiscais acostadas aos autos.
	Diante da separação do casal e da impossibilidade da manutenção do vínculo, a Autora vem tentando a partilha amigável dos bens adquiridos durante a relação, sendo certo que não vem logrando êxito, considerando a resistência do Réu em estabelecer um contato cordial. 
	Não obstante ao fato de que ambos desenvolvem atividades profissionais que justificam o recebimento de quantia suficiente para sua subsistência, a Autora ressalta a necessidade de fazer uso do veículo, para que possa atender seus clientes satisfatoriamente, não comprometendo sua remuneração.
Diante do exposto, não restou outra alternativa à Autora senão buscar a prestação jurisdicional necessária para fins de obtenção da declaração de reconhecimento e dissolução da união estável havida entre ela e o Réu, bem como o amparo judicial para obter a partilha dos bens adquiridos na constância da união.
DOS FUNDAMENTOS
1. DOS REQUISITOS CARACTERIZADORES DA UNIÃO ESTÁVEL E DE SUA EQUIPARAÇÃO A ENTIDADE FAMILIAR
A união estável pressupõe o preenchimento de determinados requisitos, sem os quais não se reconhece a sua existência. É o que estabelecem o art. 1723 do Código Civil e o art. 1º da Lei 9.278/96.
Exige-se, pois, o implemento das condições objetivas (convivência pública, contínua e duradoura), indispensáveis para que a relação seja revestida de seriedade e estabilidade, e da condição subjetiva, consistente no objetivo de constituição de família.
Na hipótese dos autos, resta indene que houve efetiva demonstração da união estável.
A uma, porque Autora e Réu viveram como se casados fossem por período considerável de tempo, expondo de forma pública, notória e ostensiva esse relacionamento.
A duas, porque caracterizado o elemento anímico consistente no propósito de formação da família. Com efeito, o casal manteve residência fixa e construiu patrimônio significante no período de seu relacionamento, além de ter cumprido com todos os deveres recíprocos inerentes a condição de casados.
Todo o alegado é corroborado pela farta prova documental acostada aos autos e também pode ser ratificado pela prova testemunhal a ser produzida em momento oportuno.
Impende frisar que a circunstância do relacionamento ter se iniciado como concubinato não lhe subtrai a qualificação de união estável porquanto, muito embora o Réu tivesse mantido sua condição de casado, era separado de fato, tendo, inclusive, passado a conviver juntamente com a Autora sob o mesmo teto e, o mais importante, com o objetivo de constituir família.
Patenteada a união estável havida entre as partes, cumpre rememorar que a Constituição Federal, em seu art. 226 § 3º, ao reconhecer a união estável como entidade familiar, pretendeu estender-lhe especial proteção. Assim, indubitável, pela legislação aplicável à espécie e mesmo pela uníssona jurisprudência, que a união estável, com todos os seus reflexos, patrimoniais inclusive, goza de proteção legal e pode ser reconhecida e dissolvida judicialmente.
2. DA DISSOLUÇÃO E CONSEQUENTE PARTILHA 
Reconhecida a sociedade havida, cristalino que, diante de sua dissolução, possui a Autora direito à meação do patrimônio comum adquirido pelo casal durante a vigência da união estável em virtude do regime subsidiário da comunhão parcial de bens, aplicável à hipótese (art. 1725, CC e art. 5º da Lei 9278/96).
A Súmula 380 do Egrégio Supremo Tribunal Federal não deixa dúvidas:
Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum.
  
A jurisprudência dos tribunais também é absolutamente pacífica:
Apelação Cível. Ação declaratória de união estável, com pedido de meação de bens e usufruto vidual, decorrente do óbito da companheira. Controvérsia quanto ao início da relação. Declaração de igreja apontando que, em 1986, foi celebrada missa de ação de graças pelas bodas de prata do casal. Prova testemunhal que, no mesmo sentido, indica o início da união em 1961. Imóveis adquiridos pelo casal antes da vigência da Lei 9278/96. Partilha cabível, com aplicação da Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal. Direito real de habitação do companheiro (art. 7º da Lei 6278/96, em vigor quando do óbito). Recurso a que se nega seguimento, monocraticamente, com aplicação do art. 557, caput, do Código de Processo Civil.	 (destaque nosso) 
(Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro - Décima Sexta Câmara Cível - Apelação Cível nº 2008.001.30496 - Des. Rel. Agostinho Teixeira de Almeida Filho - Julgamento: 12/03/2009) 		 
União estável. Relacionamento no período de 1985 a janeiro de 2003. Bem adquirido a título oneroso na constância do relacionamento. Presunção de esforço comum não afastada. Entendimento da Súmula 380 do STF, à luz da evolução histórica do instituto. Partilha determinada. Necessidade de alimentos não demonstrada. Sentença reformada. Recurso parcialmente provido. (destaque nosso)
(Tribunal de Justiça de São Paulo - 8ª Câmara de Direito Privado - Apelação Com Revisão 6115314800 \u2013 Des. Rel. Caetano Lagrasta - Data de registro: 13/02/2009)
EMENTA:  APELACAO CIVEL. UNIAO ESTAVEL. PARTILHA DE BENS. EQUIPARACAO AO CASAMENTO COM COMUNHAO PARCIAL DE BENS. RECONHECIDO QUE O RELACIONAMENTO CONCUBINARIO CONFIGUROU UNIAO ESTAVEL, NAO SE PERQUIRE ACERCA DA CONTRIBUICAO DE QUALQUER DOS CONVIVENTES PARA A AQUISICAO DO PATRIMONIO, QUE DEVE SER PARTIHADO, CABENDO A MEACAO A CADA UM DELES. FRUTOS DE DIREITOS TRABALHISTAS, ASSIM COMO PREMIOS DE SEGURO, QUE SAO PAGOS AOS BENEFICIARIOS E, AINDA, VALORES ORIUNDOS DE INDENIZACAO POR DANOS MORAIS, PORQUE PERSONALISSIMOS, NAO CONSTITUEM PATRIMONIO PARTILHAVEL. A INDENIZAÇAO DECORRENTE DO SEGURO OBRIGATORIO DEVE SER PARTILHADA COM A COMPANHEIRA, UMA VEZ QUE DECLARA A UNIAO ESTAVEL HAVIDA ENTRE ELA E A VITIMA, A SUA CONDICAO E DE ESPOSA DE FATO, MESMO QUE NAO PREENCHA A EXIGENCIA LEGAL DO ART. 4 DA LEI N. 6.194/74. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Apelação Cível Nº 598408987, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 02/12/1999)
Ainda que se reconhecesse a configuração de concubinato impuro em detrimento da união estável, o que não é o caso, inquestionável que aquela sociedade de fato gera efeitos patrimoniais e obrigacionais, que podem e devem ser reconhecidos pelo