TELECOMUNICAÇÕES
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de atingir o sincronismo a nível de bit, possuir alguma forma de alcançar o sincronismo a nível de caracter. Ou seja, ele deve ser capaz de determinar a que caracter cada um dos bits pertence. Se o receptor conhece a taxa de bits e o número de bits de um caracter, ele pode \u201cseparar\u201d os caracteres transmitidos, bastando para isso que se possa identificar o primeiro bit dos caracteres transmitidos.
	Comumente, temos dois caminhos para determinar qual o primeiro bit de um caracter que está para chegar. Um caminho se utiliza da técnica conhecida como transmissão síncrona, enquanto o outro se utiliza da técnica conhecida como transmissão assíncrona.
7. TRANSMISSÃO SÍNCRONA
	Em transmissões síncronas os caracteres são enviados de forma contínua. Por exemplo, podemos ter um bloco de dados composto de 100 caracteres, enviados de uma só vez. Aqui, o último bit de um caracter é imediatamente seguido do primeiro bit do próximo caracter.
	Assim, na transmissão síncrona a mensagem é dividida em blocos, que por sua vez são divididos em caracteres. Não há a presença de bits de start/stop nos caracteres e não há pausa de transmissão entre caracteres. O transmissor e o receptor devem estar em perfeito sincronismo pela duração do bloco, de tal forma que o receptor possa, reconhecendo o primeiro bit do caracter, distinguir todos os caracteres transmitidos.
	Para que o receptor possa detectar o primeiro bit do primeiro caracter, nós precedemos cada bloco de dados por um padrão de sincronismo. O padrão de sincronismo não é, usualmente, composto de um único caracter. Isto é feito para evitar que o receptor interprete erroneamente um caracter de mensagem como sendo o caracter de SYN (sincronização falsa). Note que o receptor \u201colha\u201d continuamente para os bits recebidos, em busca do padrão de sincronismo. A figura 3.10 ilustra a ocorrência de uma sincronização falsa (para o caso de termos um único caracter SYN).
Figura 3.10 - Ocorrência de falso SYN.
	Para contornar o problema de falso sincronismo utilizamos, como padrão, mais de um caracter (a quantidade depende do sistema). Na maioria dos casos, o padrão de sincronismo é composto de dois caracteres, iguais ou não. O receptor \u201colha\u201d constantemente para a linha em busca do primeiro caracter. Ao encontrá-lo, ele aguarda a recepção de 2. caracter de sincronismo, logo a seguir. Se isto ocorrer, o receptor toma como verdadeiro o padrão de sincronismo. Se o segundo caracter não for o caracter SYN, o receptor interpreta uma sincronização falsa e volta a esperar o primeiro caracter SYN. A figura 3.11 ilustra uma transmissão síncrona, enquanto a figura 3.12 exemplifica a transmissão da palavra DATA, no modo síncrono.
Figura 3.11 - Transmissão síncrona.
		1111 01101000 01101000 00010001 11000001 11010001
		 SYN SYN D		 A		 T
		11000001 111111
					 t
Figura 3.12 - Exemplo de transmissão síncrona.
	Em sistemas que utilizam transmissão síncrona os terminais, usualmente, devem possuir capacidade de buffer. Isto se faz necessário por dois motivos.
	- O operador é incapaz de manter o sincronismo entre caracteres;
	- A velocidade de transmissão é alta comparada à velocidade com que o operador é capaz 	de entrar com os dados.
	Para contornar estes problemas, o terminal armazena os dados em uma memória e os envia posteriormente (ao fim da mensagem ou a cada vez que o buffer se completar). A figura 3.13 ilustra esta idéia.
Figura 3.13 - Terminais com buffer.
	Um bloco de bits enviado de forma síncrona deve possuir algumas características. Como já vimos, ele deve iniciar com um padrão de sincronismo e, normalmente, termina com um (ou mais) caracter(es) de check de erro. Ainda, o bloco pode ser de tamanho fixo ou variável. Na maioria dos sistemas, a utilização de blocos com tamanho fixo faz com que freqüentemente sejam introduzidos caracteres brancos para completar o bloco (diminuindo a eficiência). Assim, é mais usual utilizar blocos de tamanho variável. Neste caso, devemos ter um padrão (caracter) que indique o fim do bloco. Este padrão (caracter) normalmente é enviado imediatamente antes do caracter de check de erro.
	Após o padrão de sincronismo podemos ter o endereço para onde a mensagem vai ser enviada e/ou de onde ela está sendo enviada. Ainda, é possível que a mensagem a ser enviada ultrapasse o tamanho máximo de bloco permitido para o sistema. Neste caso, a mensagem é dividida em blocos e teremos um caracter que indicará que houve a segmentação da mensagem.
8. TRANSMISSÃO ASSÍNCRONA
	A transmissão assíncrona é freqüentemente chamada de transmissão start-stop. Aqui, um caracter é enviado de cada vez. O caracter é inicializado por um sinal de start, mostrado na figura 3.14 como sendo um nível 0 na linha, e finalizado por um sinal de stop, mostrado como um nível 1 (o sinal de stop pode ser composto de 1 ou mais bits). Os pulsos entre os bits de start e stop é que compõe o caracter. Entre caracteres a linha permanece no estado 1.
Figura 3.14 - Transmissão assíncrona.
	No modo assíncrono o tempo entre caracteres pode variar enormemente de sistema para sistema (podemos ter um após o outro ou grande intervalos entre eles). O receptor reconhece o início de um caracter detectando o bit de start. A figura 3.15 ilustra um caracter transmitido assincronamente.
Figura 3.15 - Transmissão assíncrona.
	Quando o receptor detecta uma transmissão do estado 1 para o estado 0, ele dá um \u201cstart\u201d no clock. Metade de um bit mais tarde, o receptor \u201camostra\u201d a linha para verificar se ela está no estado zero. Se isto ocorre, o receptor aceita o zero como start bit, e passa a amostrar a linha a intervalos de um bit. Se, de outra forma, o receptor detecta um nível 1 ao amostrar inicialmente a linha, ele admite que a transição de 1 para 0 se deveu a um ruído na linha, voltando ao estado de espera.
	O clock do receptor é, assim, ressincronizado ao início de cada caracter, e nós podemos tolerar pequenas variações entre os clocks do receptor e do transmissor. Ao fim de cada caracter um sinal de stop é transmitido para permitir que o receptor se estabilize, antenas da transmissão de outro caracter.
	A transmissão assíncrona é usualmente utilizada com terminais sem buffer (de baixo custo), em que o operador envia dados à linha a intervalos aproximadamente randômicos.
9. EFICIÊNCIA DE TRANSMISSÃO
	Em um sistema com 1 start bit, 1 stop bit e oito bits de informação por caracter, temos um total de 10 bits transmitidos para cada caracter. Se os caracteres forem transmitidos sem intervalo (um logo após o outro), temos a máxima eficiência de transmissão possível, que neste caso é de 80%.
	Vamos agora admitir uma transmissão síncrona com um bloco de 240 caracteres mais 3 caracteres de sincronismo, o que resulta em (240 + 3) x 8 = 1944 bits transmitidos. Neste caso, a relação entre a informação transferida e o número total de bits transmitidos é (1920/1944) = 0,99, o que resulta em 99% de eficiência.
	Aparentemente, quanto maior o bloco maior a eficiência . Entretanto, com blocos muito grandes a probabilidade de erro aumenta, e teremos uma maior taxa de retransmissão, diminuindo a eficiência.
	Baseado nos resultados acima verificamos que a transmissão síncrona apresenta uma eficiência bem superior a transmissão assíncrona. Esta situação pode se reverter se trabalharmos com blocos pequenos. Por exemplo, para um bloco com 12 caracteres mais 3 caracteres de sincronismo temos uma eficiência de 80%. Assim, podemos concluir que a transmissão assíncrona é mais eficiente para mensagens curtas, e a transmissão síncrona é mais eficiente para mensagens maiores.
	Em geral, a transmissão síncrona usa o canal de comunicação mais eficientemente que a transmissão assíncrona. Um canal capaz de transmitir 4800 bits por segundo pode manusear cerca de 600 caracteres ASCII por segundo no modo síncrono e apenas 480 caracteres por segundo no modo assíncrono (assumindo um sinal de stop de um bit).
	A vantagem da transmissão assíncrona é