[ARTIGO] O ACESSO +Ç INFORMA+ç+âO NO BRASIL - Antonio Sidiney Vieira Lemos
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[ARTIGO] O ACESSO +Ç INFORMA+ç+âO NO BRASIL - Antonio Sidiney Vieira Lemos


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O ACESSO À INFORMAÇÃO NO BRASIL: BREVE ANÁLISE
Antonio Sidiney Vieira Lemos
RESUMO
	O presente artigo faz uma breve análise do acesso à informação no Brasil passando pelo aspecto histórico, inclusive no âmbito internacional, finalizando com as garantias e limitações emanadas pela Constituição Federal de 1988, cuidando, ainda, do conflito entre o direito de informar assegurado à imprensa pátria face às garantias individuais relativas à vida privada.
Palavras-chave: informação. garantias. liberdades. limitações. ponderação.
INTRODUÇÃO
	Este trabalho, embora tenha sido desenvolvido com o objetivo de analisar o acesso à informação no Brasil, não tem a pretensão de esgotar o assunto, tampouco encerrar afirmações categóricas e, para parafrasear o ex-ministro Magri, \u201cimexíveis\u201d, mas tecer breve análise, como o próprio título anuncia. Entretanto, em sendo o assunto amplo e instigante, acabou-se por trilhar a longa história pertinente ao tema no mundo e no país. Assim, o texto foi estruturado de maneira a percorrer, ainda que superficialmente, o histórico do acesso à informação, trazendo à tona aspectos filosóficos da Antiguidade aos tempos atuais. Na segunda parte - título \u201cAcesso à informação e direito à informação\u201d, além de aspectos culturais e sociais, cuidou-se do tema proposto em si, fazendo um paralelo entre o direito de informar e a garantia individual de privacidade e, finalmente, aspectos legais da atualidade com suas inevitáveis influências históricas, concluindo com a defesa do livre acesso à informação e do direito de informar, respeitado os preceitos constitucionais pertinentes e, fundamentalmente, o princípio da proporcionalidade a que deve se sujeitar a apreciação judicial no caso concreto.
HISTÓRICO
	Assim como a maioria dos chamados \u201cdireitos de segunda geração\u201d - os direitos sociais, o direito à informação,  \u201cassegurado\u201d pela Constituição brasileira de 1988, e esta, é bom que frise, [promulgada] parece ter permanecido no papel. Vale destacar que o acesso à informação faz (ou deveria fazer) parte da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
	O mundo, notadamente o Oriente Médio, vive hoje um sem-número de conflitos políticos e étnico-religiosos, mas, talvez nenhum que se compare aos ocorridos nos seis anos que durou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) \u2013 os camicases, as execuções em massa, o uso da bomba atômica; esta, citada por último, exatamente pela sua importância, relacionada ao poder de destruição, pois, até o momento, mais de meio século depois, suas conseqüências continuam evidentes. Esse foi o cenário inspirador da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
	Desnecessário dizer que, ao Estado, enquanto mantenedor da ordem e gestor da paz social, cabe o papel de garantir aos seus administrados o acesso aos bens jurídicos tutelados pela constituição, não podendo ser diferente no que diz respeito ao acesso à informação. Afinal, desde Hobbes, o Estado é considerado um corpo ampliado, um \u201chomem artificial\u201d, no qual o \u201csoberano é a alma, os magistrados são as articulações, as penas e os prêmios são os nervos\u201d (BOBBIO, 1992, p. 59). Por seu turno, o cidadão também deve dar sua contribuição. A esse respeito ensina Norberto Bobbio (1992, p. 60) que há duas concepções: uma que ele chama de individualista e outra organicista. Para a concepção individualista, a base da filosofia da democracia se resume na simples confrontação com o voto de que dispõe o cidadão, chegando à seguinte correlação: \u201cuma cabeça, um voto\u201d. Já para a concepção organicista, os indivíduos, mais apropriadamente chamados de cidadãos, devem ter uma visão holística de sua comunidade e do mundo. Dessa forma, nota-se o direito (ius) do ponto de vista romano clássico, visto somente sob o crivo da obrigação, que considera o homem em suas relações inter-pessoais apenas no sentido de troca, e esse, como mero sujeito econômico. Somente mais tarde surge o primado do Estado de direito. \u201cÉ com o nascimento do Estado de Direito que ocorre a passagem final do ponto de vista do príncipe para o ponto de vista dos cidadãos\u201d (BOBBIO, 1992, p. 61). Afinal,
	"No estado despótico, os indivíduos singulares só têm deveres e não direitos. No Estado absoluto, os indivíduos possuem, em relação ao soberano, direitos privados. No Estado de direito, o indivíduo tem, em face do Estado, não só direitos privados, mas também direitos públicos. O Estado de Direito é o Estado dos cidadãos". (BOBBIO, 1992, p. 61).
	Com base na concepção organicista e no Estado de Direito, pode-se afirmar que a defesa das liberdades, (e entre elas, a liberdade de comunicação) é responsabilidade do Estado, mas também de seus cidadãos. Pois, estes, em suas variadas formas de interação, influenciam o processo de democratização dos bens juridicamente tutelados, seja contribuindo positiva ou negativamente. Sendo assim, só há se falar em uma democracia verdadeira quando a sociedade, enquanto legítima interessada, está efetivamente engajada e pronta a defender seus interesses, mesmo que, para tal, tenha de desfazer antigos paradigmas e transpor firmes obstáculos. Não obstante, esse foi um dos pontos positivos, no caso brasileiro, vez que, mesmo tendo de esperar por algum tempo, e pagar o alto preço, muito se conseguiu, nesse sentido, como se pode observar no deslinde deste trabalho, observando que tais conquistas ainda foram mais além.
O ACESSO À INFORMAÇÃO NO BRASIL
	No Brasil, com as idas e vindas da política, desde a sua primeira Constituição, ocorreram verdadeiras reviravoltas no que diz respeito aos direitos e liberdades individuais. Um Decreto de 22 de novembro de 1822 garantiu a total liberdade de imprensa, com punição para quem descumprisse tal norma. A Constituição de 1824, inspirada na Declaração Universal dos Direitos do Homem, manteve a liberdade de imprensa, sendo que tal dispositivo foi regulamentado por uma Lei de 1830, cuja vigência foi relativamente curta devido à incorporação de tal preceito com o advento do primeiro Código Penal Brasileiro, que foi alterado  em 1890, pelo novo Código Penal, no que dizia respeito aos direito relativos à imprensa. A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, em seu artigo 19, proclamou em favor de todos, o direito à liberdade de opinião e expressão, o direito correspondente de investigar e receber informações e opiniões, bem como o direito de divulgá-las sem limitação de fronteiras. No mesmo sentido, estabeleceu a Convenção européia dos Direitos do Homem, em seu artigo 10º, parágrafo 1º, que toda pessoa tem direito à liberdade de expressão, compreendendo a liberdade de receber e de comunicar informações ou idéias, sem a ingerência de autoridades públicas e sem limitação de fronteiras, ressalvado a sujeição das empresas de rádio-difusão, cinema ou televisão à autorização do Estado.
	No período republicano, especificamente no chamado \u201cEstado Novo\u201d do Presidente Vargas, ao contrário do Brasil Império, o país sofreu mais com a repressão à liberdade de informação, o que pode ser observado no Art. 122, inciso XV, da Carta de 1937, que ao prescrever o direito à informação, cuidou de esmiuçar também fortes condições e limitações a esse direito, inclusive delineando pormenorizadamente tais restrições, não deixando o assunto para o legislador ordinário, a não ser quanto ao inciso XII do citado dispositivo constitucional, taxativo em sentenciar que: \u201ca lei pode prescrever: a) com o fim de garantir a paz, a ordem e a segurança pública, a censura prévia da imprensa, do teatro, do cinematógrafo, da radiodifusão, facultando à autoridade competente proibir a circulação, a difusão ou a representação; b) medidas para impedir as manifestações contrárias à moralidade e aos bons costumes, assim como as especialmente destinadas à proteção da infância e da juventude; c) providências destinadas à proteção do interesse público, bem-estar do povo e segurança do Estado. A imprensa regular-se-á por lei especial, de acordo com os seguintes princípios: a) a imprensa